{"id":16317,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16317"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"inverno-demografico-preocupante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/inverno-demografico-preocupante\/","title":{"rendered":"Inverno demogr\u00e1fico preocupante"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 s\u00edtio onde se reflicta sobre a realidade que nos toca, onde n\u00e3o se ou\u00e7am preocupa\u00e7\u00f5es sobre a baixa da natalidade que se regista entre n\u00f3s. <\/p>\n<p>A uma professora que me dizia que a sua escola poderia fechar em breve por falta de alunos, perguntei-lhe, com certo \u00e0 vontade, quantos filhos tinha ela. \u201cOs tempos est\u00e3o maus. Um, e n\u00e3o sei se virei a ter mais!\u201d Mas n\u00e3o levou a mal a minha pergunta. <\/p>\n<p>\u00c9 verdade que, no contexto em que vivemos e dado o rumo que leva a nossa sociedade, s\u00e3o fracos os est\u00edmulos \u00e0 procria\u00e7\u00e3o. Apesar disso, em igual situa\u00e7\u00e3o e com os mesmos problemas, vemos casais que, corajosamente, decidem ir al\u00e9m do filho \u00fanico. <\/p>\n<p>Sei bem que a decis\u00e3o \u00e9 de cada casal e h\u00e1 que respeit\u00e1-la. Mas tamb\u00e9m sei que as op\u00e7\u00f5es importantes da vida t\u00eam sempre, por detr\u00e1s de si, motiva\u00e7\u00f5es que determinam o seu rumo. Por vezes, motiva\u00e7\u00f5es pouco consistentes.<\/p>\n<p>Merecem-nos grande respeito, nunca menos que as outras, as fam\u00edlias numerosas que t\u00eam coragem de romper com ideias feitas, semeadas por a\u00ed a criar opini\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 natalidade ou a chamar loucos aos casais que ultrapassam os m\u00ednimos. <\/p>\n<p>Multiplicam-se os m\u00e9todos para impedir a gravidez e n\u00e3o falta gente erudita a explic\u00e1-los de todas as maneiras. Pouco se faz para ajudar a vencer o amea\u00e7ador \u201cinverno demogr\u00e1fico\u201d que se instalou entre n\u00f3s, com indiscut\u00edveis e graves consequ\u00eancias para o presente e o futuro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que, quando se toca nestes problemas, nos apercebemos que se vai disseminando, por vezes mais \u00e0s claras que \u00e0s escondidas, uma cultura de morte. A dificuldade de ter filhos, em muitos casos real, vai cedendo ao desamor, ao horizonte fechado e sem sonhos, ao encontrar raz\u00f5es que andam \u00e0 volta de que \u201cum filho \u00e9 uma grande responsabilidade\u201d, que \u201cj\u00e1 com um filho a vida muda muito e tem de haver ced\u00eancias a coisas que d\u00e3o muito prazer\u201d, que o \u201cfuturo \u00e9 muito incerto e vai ser penoso para as crian\u00e7as\u201d. E muito mais se diz, porque, a quem n\u00e3o est\u00e1 convencido do que diz, nunca faltaram raz\u00f5es para calar a voz inc\u00f3moda da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 maior pobreza para um casal que n\u00e3o ter filhos quando os pode ter, ainda que para isso tenha de sacrificar muita coisa. A realiza\u00e7\u00e3o do casal, como a felicidade conjugal, n\u00e3o andam separadas da alegria impar de ser pai e m\u00e3e. Os filhos ser\u00e3o sempre a maior riqueza que n\u00e3o se troca por coisa nenhuma do mundo. S\u00f3 a generosidade de quem transmite a vida \u00e9 compensada de mil maneiras.<\/p>\n<p>Por outro lado, dar continuidade \u00e0 obra do Criador, constitui um dever social indispens\u00e1vel, que deve merecer o maior apoio tanto do Estado, como dos cidad\u00e3os em geral. Onde est\u00e3o as perspectivas de futuro para um povo sem crian\u00e7as? A quem interessa o progresso econ\u00f3mico se n\u00e3o serve as pessoas? Onde uma vida, com gra\u00e7a e esperan\u00e7a, sem o sorriso e o bul\u00edcio das crian\u00e7as?<\/p>\n<p>Muitos pa\u00edses j\u00e1 acordaram. At\u00e9 a China luta agora pelo segundo filho. Estava proibido ao casal ter mais que um filho. Os n\u00f3rdicos d\u00e3o pr\u00e9mios para estimular a natalidade.<\/p>\n<p>Entre n\u00f3s penalizam-se os casais com filhos, multiplicam-se campanhas do aborto, a comunica\u00e7\u00e3o social favorece a cultura da morte, os casais com tr\u00eas ou mais filhos s\u00e3o considerados inconscientes e at\u00e9 na maternidade se ri da m\u00e3e que faz o quarto parto\u2026<\/p>\n<p>O que torna a vida saborosa e estimulante \u00e9 o amor. Mas o amor corre riscos de morte sem a experi\u00eancia permanente, renovadora e \u00fanica, da paternidade e da abertura \u00e0 vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 s\u00edtio onde se reflicta sobre a realidade que nos toca, onde n\u00e3o se ou\u00e7am preocupa\u00e7\u00f5es sobre a baixa da natalidade que se regista entre n\u00f3s. A uma professora que me dizia que a sua escola poderia fechar em breve por falta de alunos, perguntei-lhe, com certo \u00e0 vontade, quantos filhos tinha ela. 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