{"id":16325,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16325"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"mil-voluntarios-abrem-aos-catorze-mil-detidos-as-grades-da-esperanca-e-humanizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mil-voluntarios-abrem-aos-catorze-mil-detidos-as-grades-da-esperanca-e-humanizacao\/","title":{"rendered":"Mil volunt\u00e1rios abrem aos catorze mil detidos as grades da esperan\u00e7a e humaniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Encontro Nacional de Visitadores de Cadeias em F\u00e1tima <!--more--> Durante tr\u00eas dias, cerca de uma centena de Visitadores de Cadeias escalpelizaram, em F\u00e1tima, a situa\u00e7\u00e3o de mais de 14  mil presos espalhados pela meia centena de Estabelecimentos Prisionais do Pa\u00eds e das Regi\u00f5es Aut\u00f3nomas dos A\u00e7ores e da Madeira.<\/p>\n<p>A tecla mais repisada, foi, indubitavelmente, a humaniza\u00e7\u00e3o do preso, como pessoa, que deve ser tratada dentro de quaisquer grades, independentemente de quaisquer crimes que possa ter cometido. O preso nunca deve ser despersonalizado. Como conseguir esta \u00e9tica? Atrav\u00e9s de um comportamento da sociedade que, sem beliscar a justi\u00e7a institucional, torne a comunidade prisional espa\u00e7o de reabilita\u00e7\u00e3o e n\u00e3o escola de v\u00edcio, inclusive, de perda de valores como, por exemplo, de h\u00e1bitos de trabalho, quando tentar inserir-se de novo na sociedade, que deve aceitar o preso redimido e n\u00e3o o considerar objecto de rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o Visitadores de Cadeias, com estatuto oficial pr\u00f3prio, \u00e9 uma das estruturas que tem vindo a fazer um trabalho muito v\u00e1lido neste universo, que vem a aumentar nos \u00faltimos anos, produto de muitos factores emergentes da pr\u00f3pria sociedade, uma sociedade que n\u00e3o \u00e9 abstracta, mas que tem muitos nomes, por isso, porventura, mais dif\u00edcil o caminho a trilhar.<\/p>\n<p>Foram estas as interroga\u00e7\u00f5es postas ao longo de tr\u00eas puxados dias a todos os que se refugiaram nos Capuchinhos de F\u00e1tima e se consciencializaram ainda mais da nobre miss\u00e3o evang\u00e9lica do&#8230; \u201cEu estive preso e fostes visitar-Me\u201d.<\/p>\n<p>Testemunhos e exposi\u00e7\u00f5es, dissecando as mais variadas situa\u00e7\u00f5es prisionais, desde o Pres\u00eddio de Tomar (militar) \u00e0s civis, foram motivo de enriquecimento e de procura de dar a m\u00e3o a quem prevaricou.<\/p>\n<p>Porque vamos \u00e0 cadeia? \u00c9 porque ali est\u00e3o os nossos irm\u00e3os<\/p>\n<p>O Coordenador Nacional, Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, nas suas interven\u00e7\u00f5es, disse do papel que cabe ao Visitador: \u201cPorque vamos \u00e0 cadeia? \u00c9 porque ali est\u00e3o os nossos irm\u00e3os, os amigos, os  conhecidos; pode at\u00e9 estar um desconhecido, alegadamente acusado de ofensas a um outro irm\u00e3o ou a um amigo ou familiar. Na Pris\u00e3o est\u00e1 Jesus Cristo, disfar\u00e7ado, mas real\u201d, salientando que \u201co recluso n\u00e3o \u00e9 pessoa de segunda classe, nem o alvo de todas as queixas, nem o terminus da sociedade cinzenta. O recluso \u00e9, para o homem de f\u00e9 evang\u00e9lica, o Mestre com quem sempre se aprende; o mesmo que andou por terras distantes, em \u00e9poca distante; Ele quis identificar-se com os fr\u00e1geis; e j\u00e1 que Ele \u00e9 Mestre, tamb\u00e9m \u00e9 mestre no pobre, no sem-abrigo, no imigrante, no desempregado, no marginal, no recluso. Isto significa que temos, n\u00f3s, de ser tamb\u00e9m e sempre, disc\u00edpulos, aprendizes.\u201d E continua a questio-nar apresentando o seu testemunho: Quando se passa para al\u00e9m dos port\u00f5es, o Volunt\u00e1rio vai quedar-se para ouvir a voz dos seus \u201cmestres\u201d; e ap\u00f3s longos sil\u00eancios de es-cuta, o Visitador pode exclamar, com verdade: Mist\u00e9rio da F\u00e9! Sa\u00edmos sempre mais enriquecidos, porque fomos dar; e \u201c\u00e9 no dar que se recebe\u201d; os acomodados, os medrosos, os ego\u00edstas, \u201cn\u00e3o entendem a linguagem do receber, porque t\u00eam  dificuldade em treinar a linguagem do dar\u201d, diz o novo Coordenador  Nacional. <\/p>\n<p>A Sub-Directora Geral dos Servi\u00e7os Prisionais, Dr\u00aa Fernanda Farinha, incentivou os Volunt\u00e1rios, salientando a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o permanente. \u201cNada de francos-atiradores\u201d, adiantando que o nosso voluntariado n\u00e3o  fica atr\u00e1s do de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Aludindo ao sistema  de cadeias, adiantou que \u201ch\u00e1 barreiras que s\u00f3 o voluntariado pode abrir\u201d; sublinhou, a prop\u00f3sito da FIAR, que \u201ch\u00e1 necessidade de se incentivar o associativismo, tamb\u00e9m na \u00e1rea da Justi\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Intervieram, entre outros, Joaquim Ros\u00e1rio, Dr\u00aa Manuela Tavares, directora da  Pris\u00e3o de Linh\u00f3, Padre D\u00e2maso, Dr. Jos\u00e9 Pires, Sousa Mendes e, do Pres\u00eddio Militar de Tomar, Ant\u00f3nio Vasconcelos e Dr. Jo\u00e3o Silva.<\/p>\n<p>O encontro, organizado pela FIAR &#8211; Fraternidade das Institui\u00e7\u00f5es  de Apoio a Reclusos -, teve a presen\u00e7a  de t\u00e9cnicos da Direc\u00e7\u00e3o Geral dos Servi\u00e7os Prisionais, do Coordenador Nacional da Pastoral  das Pris\u00f5es, Padre Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, que representou, tamb\u00e9m, D. Jos\u00e9 Alves. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontro Nacional de Visitadores de Cadeias em F\u00e1tima<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-16325","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-igreja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16325"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16325\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}