{"id":16344,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16344"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"conviccao-ou-confusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/conviccao-ou-confusao\/","title":{"rendered":"Convic\u00e7\u00e3o ou confus\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>1 &#8211; Imagino que n\u00e3o seja convic\u00e7\u00e3o, mas confus\u00e3o, pensarem os pol\u00edticos que a \u201cpol\u00edtica\u201d &#8211; a concep\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o da polis &#8211; s\u00f3 tem obriga\u00e7\u00e3o de considerar as \u00e1reas urbanas, nada tendo a ver com o rural, o campo ou a floresta. \u00c0s vezes ficamos com a impress\u00e3o de que sim; mas queremos esconjurar esse \u201cmau pensamento\u201d, continuando a espevitar a esperan\u00e7a de que os eleitos se assumam como respons\u00e1veis de todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>2 &#8211; De facto, na verdade, parece que o campo e a floresta se tornaram fossiliza\u00e7\u00f5es residuais do passado, acerca das quais apenas se deve p\u00f4r o problema do \u201cimpacto ambiental\u201d&#8230; E, isso, sobretudo pelo respeito \u00e0s esp\u00e9cies que estejam em vias de extin\u00e7\u00e3o &#8211; da fauna ou da flora &#8211; com excep\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana, que essa n\u00e3o tem lugar no rol. Desenha-se e gere-se (se \u00e9 que se pensa ou gere!) o Pa\u00eds reduzindo-o a grandes superf\u00edcies (como se a\u00ed nascessem as frutas, os legumes&#8230;), a metropolitanos (como se nos seus t\u00faneis se fabricassem recursos h\u00eddricos), a aeroportos (como se neles se criassem os bovinos, ovinos e as aves), a estruturas vi\u00e1rias, desportivas, casas de cultura (como se a\u00ed se produzisse o leite e seus derivados)&#8230; <\/p>\n<p>3 &#8211; Sabemos que somos um povo com d\u00e9fice cultural e educativo assinal\u00e1veis. Mas n\u00e3o somos desprovidos de intelig\u00eancia, senhor Primeiro Ministro. Podemos n\u00e3o perceber o que seja tecnicamente a situa\u00e7\u00e3o de calamidade p\u00fablica; mas sabemos o que \u00e9 a dureza do sofrimento de quem fica sem nada com os inc\u00eandios, sem o fruto do trabalho de uma vida inteira! Podemos n\u00e3o saber quais sejam as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para que a seca seja declarada inimigo p\u00fablico; mas sabemos o que \u00e9 deixar de ter \u00e1gua nas torneiras, deixar de puder tomar um duche mesmo r\u00e1pido, ver animais e plantas a morrer desidratados &#8211; o ganha-p\u00e3o de muitos portugueses. N\u00e3o nos chame ignorantes! Des\u00e7a do seu pedestal, largue as suas f\u00e9rias, viva um ano &#8211; um ano apenas! &#8211; a condi\u00e7\u00e3o de quantos n\u00e3o s\u00e3o da \u201cpolis\u201d, mas do campo e da floresta!<\/p>\n<p>4 &#8211; \u201cO Pa\u00eds est\u00e1 a arder. A culpa \u00e9 de todos!\u201d &#8211; N\u00e3o \u00e9 bem assim, senhor deputado. \u201cPromova-se a limpeza coerciva das matas!\u201d &#8211; N\u00e3o \u00e9 bem assim, senhor Presidente da Rep\u00fablica. Primeiro, porque, apesar de menos bem limpa, como regra a mata n\u00e3o se incendeia sozinha. Segundo, porque alguns &#8211; e n\u00e3o todos! &#8211;  \u00e9 que t\u00eam a responsabilidade de produzir um c\u00f3digo penal que responsabilize os cidad\u00e3os, que eleve o n\u00edvel de cidadania, em vez de promover um pa\u00eds de inimput\u00e1veis! Preocupem-se os magistrados, os are\u00f3pagos da na\u00e7\u00e3o, em promover equitativamente a condi\u00e7\u00e3o de todos os portugueses, em fazer crescer o Portugal total&#8230; E as coisas levar\u00e3o, por certo, outros rumos.<\/p>\n<p>5 &#8211; Voltando ao princ\u00edpio: Se \u00e9 por convic\u00e7\u00e3o que, para os pol\u00edticos, a sua responsabilidade \u00e9 s\u00f3 da \u201cpolis\u201d, ent\u00e3o inventemos novos pol\u00edticos; se \u00e9 por confus\u00e3o, ent\u00e3o esclare\u00e7am-se! E n\u00e3o nos chamem ignorantes, n\u00e3o nos responsabilizem por aquilo de que s\u00e3o os primeiros respons\u00e1veis, n\u00e3o nos ameacem. Sirvam o bem comum, promovam as compet\u00eancias, desencadeiem uma cultura da responsabilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; Imagino que n\u00e3o seja convic\u00e7\u00e3o, mas confus\u00e3o, pensarem os pol\u00edticos que a \u201cpol\u00edtica\u201d &#8211; a concep\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o da polis &#8211; s\u00f3 tem obriga\u00e7\u00e3o de considerar as \u00e1reas urbanas, nada tendo a ver com o rural, o campo ou a floresta. \u00c0s vezes ficamos com a impress\u00e3o de que sim; mas queremos esconjurar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-16344","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16344"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16344\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}