{"id":16355,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16355"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"america-julgada-a-partir-da-europa-inteligente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/america-julgada-a-partir-da-europa-inteligente\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica julgada a partir da Europa inteligente"},"content":{"rendered":"<p>A influ\u00eancia dos Estados Unidos da Am\u00e9rica sobre o resto do mundo \u00e9 real. Por isso mesmo, o que se passa por l\u00e1 tem, em alguns aspectos, a ver com os europeus e n\u00e3o apenas com eles. Muito se disse e escreveu, antes e depois, sobre as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Muito, e em muitos tons, se comentou o resultado final, na \u00f3ptica das esperan\u00e7as, alimentadas ou frustradas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quem votou foram os americanos e n\u00e3o os pol\u00edticos e os jornalistas de opini\u00e3o do velho continente. Lemos a seguir, em profus\u00e3o, o modo como uns curam as frustra\u00e7\u00f5es e outros se esfalfam para encontrar resposta quer para o \u201cdesastre ocorrido\u201d, quer para festejar a \u201csalva\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica e do mundo\u201d. N\u00e3o se v\u00ea muita gente, mormente do lado dos desiludidos, a reconhecer que a democracia funcionou. Mais do que picar o bal\u00e3o ou discutir a sua cor, talvez seja mais importante neste momento, n\u00e3o impedir que ele suba. <\/p>\n<p>Tive as perplexidades de toda a gente atenta. N\u00e3o valia a pena torcer por um ou por outro candidato. Havia raz\u00f5es a ponderar de qualquer dos lados. Eu, por\u00e9m, n\u00e3o era eleitor e o povo americano chamado \u00e0s urnas, teria sempre as suas raz\u00f5es para escolher. Temos que nos habituar todos ao jogo democr\u00e1tico. <\/p>\n<p>As decis\u00f5es finais, em democracia, nunca ser\u00e3o dogmas indiscut\u00edveis, mas apenas o processo poss\u00edvel e normal para dirimir caminhos a seguir nos regimes pluralistas em liberdade. De muitos males, o menor.<\/p>\n<p>As pessoas livres n\u00e3o podem deixar de apreciar todos os dados do problema ao seu alcance, porque na vida das pessoas e dos povos nunca est\u00e1 tudo bem, nem tudo mal. A perplexidade \u00e9 sempre inc\u00f3moda para quem quer opinar, mas, mais ainda, para quem interfere na solu\u00e7\u00e3o. Os cr\u00edticos que n\u00e3o sujam as m\u00e3os na massa para que ela levede a seu tempo, n\u00e3o est\u00e3o ao mesmo n\u00edvel de quem ter\u00e1 de arrostar, mais cedo ou mais tarde, com as consequ\u00eancias da sua leg\u00edtima op\u00e7\u00e3o. Por isso mesmo, fazer uma leitura dos factos a observ\u00e1-los apenas por olhares pessoais interessados, \u00e9 deixar sem base as opini\u00f5es dispendidas.<\/p>\n<p>Por c\u00e1 e pela Europa inteligente, encontrou-se a grande resposta para a vit\u00f3ria final. H\u00e1 sempre gente que traz no bolso e \u00e0 m\u00e3o a \u201cpedra filosofal\u201d. \u201cA vit\u00f3ria de Bush deve-se ao voto religioso\u201d, diz-se. Mais uma vez, a cartilha que se abre, como or\u00e1culo, para explicar tudo, resume-se \u00e0 luminosa alternativa de conservadores e progressistas.<\/p>\n<p>Demos por adquirido, o que n\u00e3o \u00e9 evidente, que o dito \u201cvoto religioso\u201d pesou muito na vit\u00f3ria. Por\u00e9m, se h\u00e1 americanos com a consci\u00eancia de que os valores religiosos pesam na coes\u00e3o social e familiar, no equil\u00edbrio das rela\u00e7\u00f5es e na abertura \u00e0s causas que exigem solidariedade afectiva, onde est\u00e1 o crime? Ser\u00e1 mais respeit\u00e1vel o facciosismo ideol\u00f3gico, o individualismo exacerbado, o niilismo \u00e9tico, a falta de responsabilidade ante compromissos publicamente assumidos, tudo isso que por a\u00ed se apregoa como sinal de progresso e que est\u00e1 atirando a Europa para um vazio tr\u00e1gico? Se na livre op\u00e7\u00e3o dos votantes houve preocupa\u00e7\u00e3o pelo bem comum e a sua ades\u00e3o religiosa pesou na decis\u00e3o, onde o mal para a Europa ou para o mundo? <\/p>\n<p>O vazio \u00e9tico s\u00f3 pode levar a um nada desagregador. A morte s\u00f3 \u00e9 capaz de gerar morte, e onde n\u00e3o existirem ou n\u00e3o se respeitarem e defenderem valores universais de refer\u00eancia, mais desumanizada estar\u00e1 a sociedade.<\/p>\n<p>A Europa actual nem tem coes\u00e3o nem projecto, e parece que nem vontade de os ter. O perigo est\u00e1 a\u00ed. N\u00e3o h\u00e1 que procurar longe a desculpa para o nada que nos est\u00e1 invadindo. Est\u00e1 connosco a doen\u00e7a e a cura. N\u00e3o h\u00e1 que fugir \u00e0 responsabilidade do que nos cabe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A influ\u00eancia dos Estados Unidos da Am\u00e9rica sobre o resto do mundo \u00e9 real. Por isso mesmo, o que se passa por l\u00e1 tem, em alguns aspectos, a ver com os europeus e n\u00e3o apenas com eles. Muito se disse e escreveu, antes e depois, sobre as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. 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