{"id":16374,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16374"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"proteccao-das-criancas-e-dos-menores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/proteccao-das-criancas-e-dos-menores\/","title":{"rendered":"Protec\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos menores"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns tempos para c\u00e1, assistimos a uma grande preocupa\u00e7\u00e3o para com as crian\u00e7as e os menores, em risco ou j\u00e1 em estado de exclus\u00e3o social e tamb\u00e9m as que vivem em institui\u00e7\u00f5es. Preocupa\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos e de diversas associa\u00e7\u00f5es. Ainda bem, pois se, de uma maneira inconsciente, ou talvez n\u00e3o, se fecham as portas a novos nascimentos e se deixam degradar, sem preven\u00e7\u00e3o para que tal n\u00e3o aconte\u00e7a, muitos dos j\u00e1 nascidos, n\u00e3o restar\u00e1 ao pa\u00eds sen\u00e3o fechar portas ao futuro e aguardar que algu\u00e9m venha depois apagar a luz.<\/p>\n<p>Milhares de crian\u00e7as vivem na rua, deixaram a escola, n\u00e3o t\u00eam fam\u00edlia que as cuide e as eduque, crescem na aprendizagem di\u00e1ria de caminhos sem sentido e de exclus\u00e3o, s\u00e3o exploradas por adultos que deixaram endurecer o cora\u00e7\u00e3o. Muitas destas crian\u00e7as j\u00e1 nem querem outra vida, a tal modo as atingiu, por dentro, o vazio onde deixou de haver lugar para o sonho e para a esperan\u00e7a. <\/p>\n<p>S\u00e3o estas, certamente, as que necessitam e merecem maior cuidado e ac\u00e7\u00e3o no que ainda \u00e9 poss\u00edvel, por parte de todos, mas muito especialmente dos servi\u00e7os estatais, dado que as causas de t\u00e3o preocupante situa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o sociais e p\u00fablicas, de interven\u00e7\u00e3o inconsequente por parte do cidad\u00e3o comum, e a exigir medidas que v\u00e3o al\u00e9m dos paliativos usuais, bons para relat\u00f3rios, mas sem que atinjam a raiz do mal. <\/p>\n<p>Acontece, por\u00e9m, que os referidos servi\u00e7os, com uma frequ\u00eancia que se vai tornando obsessiva, quase fogem da rua, para se preocuparem mais com frequentes inspec\u00e7\u00f5es e vistorias a institui\u00e7\u00f5es privadas, a\u00ed onde as crian\u00e7as s\u00e3o amadas e se preparam seriamente para a vida, do que em aprenderem e colherem experi\u00eancias e o saberes para penetrar com respeito neste mundo complexo e ir ao encontro dos pais e de quem se aproveita das crian\u00e7as, debelando no poss\u00edvel, a desgra\u00e7a das que j\u00e1 s\u00f3 querem a rua. <\/p>\n<p>As leis e as portarias de protec\u00e7\u00e3o s\u00e3o feitas de cima para baixo; a bateria de t\u00e9cnicas inspectoras aprendeu a cassete imposta por quem vive noutro mundo e nunca sujou as m\u00e3os, nem falou ou viveu, ainda que s\u00f3 umas horas, com crian\u00e7as que nasceram e cresceram na dor; os inqu\u00e9ritos pretendem somente resposta aos quadradinhos que os inteligentes sonharam, desenharam e decretaram; a obsess\u00e3o t\u00e9cnica e das t\u00e9cnicas torna-se irrespeitosa e rid\u00edcula, como se quem n\u00e3o fez curso nem \u00e9 doutor, nada saiba de educa\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as degradadas e filhas da degrada\u00e7\u00e3o. E, tratando-se de institui\u00e7\u00f5es a cargo de gente com ideal e convic\u00e7\u00f5es que d\u00e1 a vida por esta causa, desconhece-se que a educa\u00e7\u00e3o, toda a educa\u00e7\u00e3o, mormente de gente com especiais car\u00eancias e problemas ou \u00e9 \u201ccoisa do cora\u00e7\u00e3o\u201d, ou nunca lograr\u00e1 qualquer resultado. <\/p>\n<p>Quem duvida que a fam\u00edlia normal \u00e9 o melhor espa\u00e7o educativo para as crian\u00e7as? Quem nega que a adop\u00e7\u00e3o com garantias \u00e9 uma express\u00e3o louv\u00e1vel de solidariedade? Mas, mesmo quando assim n\u00e3o \u00e9, quem pode tirar valor \u00e0 institui\u00e7\u00e3o em que o amor \u00e9 verdadeiro, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 humanizante, o futuro se prepara com alicerces, a dedica\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende dos hor\u00e1rios de servi\u00e7o, as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o coisas que se atiram para ali, nem cobaias de doutoras diplomadas, frequentemente alheias \u00e0 vida concreta e real?<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia do cuco que, nos ninhos que outros fazem choca os ovos que outros p\u00f5em, mas canta sempre, n\u00e3o pode ser a da pol\u00edtica social. Os problemas dos pobres, sejam eles adultos ou crian\u00e7as, n\u00e3o se resolvem de cima para baixo, provocando press\u00f5es desgastantes, gastando tempo precioso, pondo em causa caminhos andados com seriedade, generosidade e compet\u00eancia, contra institui\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis, com provas dadas e uma hist\u00f3ria respeit\u00e1vel. H\u00e1 que discutir tudo isto e denunciar caminhos esburacados. As crian\u00e7as querem quem as ame, as compreenda, sofra e se alegre com elas. S\u00f3 teorias, n\u00e3o aquecem cora\u00e7\u00f5es nem abrem caminhos, mesmo sendo v\u00e1lidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns tempos para c\u00e1, assistimos a uma grande preocupa\u00e7\u00e3o para com as crian\u00e7as e os menores, em risco ou j\u00e1 em estado de exclus\u00e3o social e tamb\u00e9m as que vivem em institui\u00e7\u00f5es. Preocupa\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos e de diversas associa\u00e7\u00f5es. 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