{"id":1639,"date":"2010-05-26T14:57:00","date_gmt":"2010-05-26T14:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1639"},"modified":"2010-05-26T14:57:00","modified_gmt":"2010-05-26T14:57:00","slug":"a-minha-musica-ajuda-a-perceber-a-riqueza-que-trazemos-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-minha-musica-ajuda-a-perceber-a-riqueza-que-trazemos-dentro\/","title":{"rendered":"&#8220;A minha m\u00fasica ajuda a perceber a riqueza que trazemos dentro&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O P.e Jo\u00e3o Paulo Vaz, ordenado em 1995, \u00e9 o coordenador Pastoral Juvenil da diocese de Coimbra h\u00e1 15 anos, assistente do Corpo Nacional de Escutas (Regi\u00e3o de Coimbra) h\u00e1 12 anos e p\u00e1roco de Outil, Portunhos, Sanguinheira (tr\u00eas par\u00f3quias de Cantanhede) e Bom Sucesso (Figueira da Foz) \u2013 \u201cpar\u00f3quias da Bairrada e da G\u00e2ndara\u201d, esclarece. \u00c9 ainda Capel\u00e3o do Hospital Robisco Pais (Tocha, Cantanhede). Tem quatro discos de m\u00fasica de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 publicados. No dia 6 de Junho, estar\u00e1 em Aveiro, para dar um concerto no Dia da Igreja Diocesana. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; Par\u00f3quias, escutismo, pastoral juvenil diocesana. Como consegue conciliar tarefas e miss\u00f5es t\u00e3o diversificadas?<\/p>\n<p>P.E JO\u00c3O PAULO VAZ &#8211; Vou conseguindo. Tenho o h\u00e1bito, que vem do Semin\u00e1rio e do tempo em que trabalhei no Col\u00e9gio S. Teot\u00f3nio [col\u00e9gio diocesano, em Coimbra], de programar o ano todo logo no in\u00edcio. O ano fica logo trancado, depois resta respeitar o programa. Por outro lado, divido os dias da semana pelas tarefas e responsabilidades. A verdade \u00e9 que eu sinto que h\u00e1 muitas coisas que eu gostava de fazer e que ficam para tr\u00e1s, principalmente ao n\u00edvel das par\u00f3quias. Aceitei-as com a consci\u00eancia de que n\u00e3o podia dar tudo o que devia. N\u00e3o porque n\u00e3o queira, mas por uma quest\u00e3o de disponibilidade e tempo. Mas trabalho com uma alegria grande.<\/p>\n<p>No meio disto tudo ainda tem a vida de artista. Quantos discos j\u00e1 lan\u00e7ou?<\/p>\n<p>Quatro. O primeiro \u00e9 2003, \u201cHist\u00f3rias de um sim\u201d. O segundo, \u201cCaminhos sem atalho\u201d, \u00e9 de 2005. \u201cNotas de um sonho\u201d \u00e9 de 2008. E \u201cUm pedacinho desse c\u00e9u\u201d, que foi lan\u00e7ado em Dezembro de 2009. Todos eles de originais.<\/p>\n<p>Como concilia a m\u00fasica com os trabalhos pastorais?<\/p>\n<p>A m\u00fasica, os concertos, a grava\u00e7\u00e3o dos discos ficam para o tempo que sobra. Guardo os meus tempos de folga para a composi\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o me tenho dado mal com isto, ainda que fique com alguma insatisfa\u00e7\u00e3o por n\u00e3o fazer melhor. Penso que se tivesse outra disponibilidade poderia fazer um trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o pela m\u00fasica muito maior.<\/p>\n<p>Os nomes dos discos remetem sempre para um imagin\u00e1rio crist\u00e3o, talvez at\u00e9 vocacional\u2026<\/p>\n<p>O que est\u00e1 por detr\u00e1s, tematicamente, tem sempre a ver com a autovalida\u00e7\u00e3o da pessoa \u2013 ajudar a perceber a riqueza que trazemos dentro, pois somos fruto de um acto criador de Deus. Penso que leva a que cada um reconhe\u00e7a as suas capacidades e possa viver a partir da\u00ed. O segundo grande tema \u00e9 amor ao pr\u00f3ximo, a realiza\u00e7\u00e3o de amor com todos os que se cruzam na nossa vida. O terceiro grande tema \u00e9 a presen\u00e7a de Deus, a rela\u00e7\u00e3o com Deus, o quanto isso nos eleva e transforma.<\/p>\n<p>Usa a m\u00fasica que comp\u00f5e nos trabalhos que desenvolve?<\/p>\n<p>Sim e n\u00e3o. H\u00e1 muita gente que me pergunta por que \u00e9 que n\u00e3o cantamos m\u00fasicas minhas nas celebra\u00e7\u00f5es da par\u00f3quia. Por norma n\u00e3o o fa\u00e7o. Ajudo-as a distinguir entre a m\u00fasica lit\u00fargica e sacra e aquilo que \u00e9 m\u00fasica de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e m\u00fasica-mensagem. N\u00e3o considero que as minhas m\u00fasicas sejam para cantar ou animar a Eucaristia ou outros momentos lit\u00fargicos. Quando muito, podem ser usadas numa Eucaristia particular com jovens ou escuteiros. Algumas das m\u00fasicas podem ajustar-se a esses contextos muito particulares. Nas situa\u00e7\u00f5es normais, lembrando o que aconteceu com m\u00fasicas do Padre Zezinho [padre brasileiro, autor de \u201cAmar como Jesus amor\u201d, por exemplo], eu digo \u00e0s pessoas: \u201cN\u00e3o fa\u00e7am. A minha m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 para isso\u201d. Gosto de separar estas duas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Por falar nos jovens, vejo que traz uma camisa de divulga\u00e7\u00e3o do encontro de Bento XVI com os jovens, em Madrid, em Agosto de 2011. Coimbra vai estar presente?<\/p>\n<p>Sim. O Secretariado est\u00e1 a dinamizar a diocese para que haja uma grande participa\u00e7\u00e3o. Todas as experi\u00eancias que fizemos (Paris, 1997; Roma, 2000; Col\u00f3nia 2005, Sidney, 2008) trouxeram frutos, quer em termos de grupos, de pessoas, de dinamiza\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias. Muitos dos jovens que foram nunca mais deixaram de se envolver na sua par\u00f3quia. S\u00e3o momentos de gra\u00e7a e de vida em Igreja, de um Deus que entra na vida dos jovens com grande intensidade. Como \u00e9 aqui ao lado, quase dava para ir a p\u00e9. Queremos levar mais de quinhentos jovens.<\/p>\n<p>O que podemos esperar do seu concerto em Aveiro, no dia 6 de Junho?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 um pouco diferente do que tenho feito nos \u00faltimos anos. At\u00e9 h\u00e1 pouco tinha uma banda de suporte. Desde Janeiro, tenho em cena um espect\u00e1culo mais ac\u00fastico: eu, o meu irm\u00e3o mais novo e a minha cunhada. Tr\u00eas guitarras, tr\u00eas vozes. Um concerto ac\u00fastico, dinamizado a partir das cordas. Tem tido muita aceita\u00e7\u00e3o. O que podem esperar? Um testemunho de f\u00e9 pela m\u00fasica, de alegria, de confirma\u00e7\u00e3o desta Igreja que somos, que eu amo e que sirvo, uma partilha grande de can\u00e7\u00f5es que j\u00e1 n\u00e3o considero minhas mas do mundo inteiro, de quem quiser fazer delas a sua ora\u00e7\u00e3o, o seu caminho a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia. Podem esperar de mim a disponibilidade de padre e de homem.<\/p>\n<p>As pessoas rezam a partir das suas composi\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Bastante. Particularmente a partir deste \u00faltimo trabalho. Os meus primeiros trabalhos eram uma reuni\u00e3o de temas dispersos. No terceiro trabalho h\u00e1 a hist\u00f3ria de duas pessoas ou dois povos que fazem a experi\u00eancia da mis\u00e9ria e da descoberta de Jesus Cristo como aquele que nunca os abandona. A partir da\u00ed a vida passa a ser uma festa. Este quarto trabalho \u00e9 a experi\u00eancia de uma semana de Taiz\u00e9 em ora\u00e7\u00e3o. Retrata os v\u00e1rios momentos dessa semana. Por isso, ajuda \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, ao encontro com Deus. H\u00e1 tempos, quando dei um concerto na Madeira, uma freira que eu n\u00e3o conhecia mostrou-me uma s\u00e9rie de apresenta\u00e7\u00f5es ou medita\u00e7\u00f5es [para passa no computador ou projectar] acompanhadas com a minha m\u00fasica. Pediu-me desculpas por ter feito aquilo sem a minha autoriza\u00e7\u00e3o. Mas estava muito bem feito. Era um bom exemplo do uso da minha m\u00fasica com fins espirituais.<\/p>\n<p>\u201cFiz as minhas primeiras composi\u00e7\u00f5es no Semin\u00e1rio de Aveiro\u201d<\/p>\n<p>Como t\u00eam sido recebidos os seus discos pelo p\u00fablico?<\/p>\n<p>O primeiro CD, por ser novidade, saiu muito bem. Esgotou. N\u00e3o h\u00e1 mais exemplares. Os outros sa\u00edram bem, mas sabemos que a m\u00fasica popular de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ainda n\u00e3o tem grande express\u00e3o em termos de venda de discos. Talvez o pen\u00faltimo, \u201cNotas de um sonho\u201d, tenha vendido mais, porque foi dinamizado por algu\u00e9m que quis assumir este trabalho de divulga\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o. Os tr\u00eas primeiros discos surgem numa linha de continuidade em termos de orquestra\u00e7\u00f5es e de estilos de m\u00fasica. O quarto trabalho \u00e9 o que o considero ser o filho mais parecido comigo, porque a produ\u00e7\u00e3o e orquestra\u00e7\u00e3o foram feitas por mim, muito a partir das cordas. \u00c9 um trabalho muito mais ac\u00fastico e, acho, mais parecido comigo.<\/p>\n<p>Que tempo dedica \u00e0 composi\u00e7\u00e3o? Como comp\u00f5e, j\u00e1 que sabemos que toca quase todos os instrumentos?<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho dificuldade em compor. Em qualquer altura, se me concentrar, se me quedar um pouco, componho. Por vezes uso a minha folga, \u00e0 segunda-feira. No tempo de semin\u00e1rio maior, as cria\u00e7\u00f5es eram \u00e0 viola. J\u00e1 como padre, durante tr\u00eas ou quatro anos, compunha muito a partir das teclas. Agora estou novamente na guitarra. O resultado \u00e9 distinto. Os trabalhos feitos a partir das cordas t\u00eam tido mais aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quantos concertos d\u00e1 por ano?<\/p>\n<p>Cerca de 30. N\u00e3o \u00e9 no Ver\u00e3o que h\u00e1 mais concertos. Acontecem principalmente em Dezembro\/Janeiro, depois sossego. Em Maio\/Junho, como agora, h\u00e1 outro per\u00edodo forte. Os concertos est\u00e3o muitas vezes ligados par\u00f3quias, ajudando e assumindo causas de solidariedade. Geralmente s\u00e3o espa\u00e7os personalizados, concertos de sal\u00e3o, dinamizados muito antes, por quest\u00f5es solidariedade ou porque faz parte da caminhada do grupo ou par\u00f3quia. Isso agrada-me muito.<\/p>\n<p>Estudou no semin\u00e1rio de Aveiro. Tem recorda\u00e7\u00f5es desse tempo?<\/p>\n<p>Os dois anos que passei em Aveiro foram a pedra-de-toque da minha vida. Despertei para muita coisa. Entrei com 15 anos, no 10.\u00ba ano. At\u00e9 a\u00ed vivia com os meus pais e os meus irm\u00e3os \u2013 somos cinco \u2013, entre Semide e Coimbra. O tempo de semin\u00e1rio foi o tempo de despertar. Recordo muitas coisas boas desses dois anos. Havia cinco anos que queria entrar para o semin\u00e1rio, mas s\u00f3 nessa altura foi poss\u00edvel. Estar longe da fam\u00edlia permitiu tamb\u00e9m olhar para a fam\u00edlia com um carinho e devo\u00e7\u00e3o muito maior.<\/p>\n<p>Comp\u00f4s algumas m\u00fascias no Semin\u00e1rio de Aveiro?<\/p>\n<p>As tr\u00eas primeiras composi\u00e7\u00f5es foram no Semin\u00e1rio de Aveiro. J\u00e1 n\u00e3o as recordo, nem sei se tenho as letras. Havia dois colegas que compunham muito. Um deles dizia que tinha 64 m\u00fasicas. Um dia, no meu quarto, resolvi pegar na viola, fiz uma m\u00fasica, compus uma letra e achei que aquilo tinha resultado. Isto deve ter sido em 1986. Depois, em Coimbra, desenvolvi este talento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O P.e Jo\u00e3o Paulo Vaz, ordenado em 1995, \u00e9 o coordenador Pastoral Juvenil da diocese de Coimbra h\u00e1 15 anos, assistente do Corpo Nacional de Escutas (Regi\u00e3o de Coimbra) h\u00e1 12 anos e p\u00e1roco de Outil, Portunhos, Sanguinheira (tr\u00eas par\u00f3quias de Cantanhede) e Bom Sucesso (Figueira da Foz) \u2013 \u201cpar\u00f3quias da Bairrada e da G\u00e2ndara\u201d, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-1639","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1639\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}