{"id":16392,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16392"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"discurso-actual-ou-antiquado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/discurso-actual-ou-antiquado\/","title":{"rendered":"Discurso actual ou antiquado?"},"content":{"rendered":"<p>Refiro-me ao discurso sobre os valores. H\u00e1 quem diga que, hoje, falar de valores \u00e9 querer manter uma ordem moral ultrapassada, remar contra a mar\u00e9, estar fora do tempo. Assim, se pensa e se diz que se trata de um discurso antiquado. Gente mais atenta \u00e0 vida, menos superficial e que pensa no mundo das rela\u00e7\u00f5es e dos comportamentos humanos, na recupera\u00e7\u00e3o de valores esquecidos e na defesa daqueles que correm o risco de o serem depressa, entende que o discurso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 actual, mas urgente e que tem de se fazer contra ventos e mar\u00e9s.<\/p>\n<p>Koichiro Matsauura, Director geral da Unesco, uma organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas dedicada aos problemas da educa\u00e7\u00e3o e da cultura, escreveu h\u00e1 dias no DN (23.11.2004) um interessante artigo que titulou : \u201cOnde est\u00e3o os valores? \u201c Beneficiando de um observat\u00f3rio mundial, faz considera\u00e7\u00f5es de muito interesse ao reportar-se a uma obra recente, \u201cO Futuro dos Valores\u201d, publicada pela Unesco, na sequ\u00eancia das Conversas do Sec. XXI, iniciativa da mesma organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Falando de um crep\u00fasculo dos valores que muitos teimam em sublinhar, acentua, por seu lado, que estamos longe de podermos considerar o ataque e desprezo pelos valores como um fen\u00f3meno universal, pois \u201c em muitas regi\u00f5es do mundo as pessoas continuam  a confiar nos alicerces de refer\u00eancias tradicionais para dar sentido e ordem \u00e0s suas vidas como indiv\u00edduos e em sociedade.\u201d Mais adiante, escreve: \u201cPodemos tamb\u00e9m interrogar-nos sobre as consequ\u00eancias das evolu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis dos valores religiosos e espirituais e do surgimento de novos valores pol\u00edticos. Quando a democracia representativa parece em crise em v\u00e1rios pa\u00edses, a democracia associativa est\u00e1 em grande expans\u00e3o. Quais s\u00e3o os valores inerentes a estas novas redes de afinidade, alian\u00e7a e comunica\u00e7\u00e3o? Estaremos n\u00f3s a caminhar na direc\u00e7\u00e3o de uma \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d dos valores, dado o decl\u00ednio das estruturas patriarcais? Iremos ent\u00e3o assistir ao aparecimento de novos valores que necessitariam de ser transmitidos atrav\u00e9s de um ensino pluridisciplinar e aberto sobre a pluralidade das culturas?\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 valores de sempre e universais e outros que v\u00e3o surgindo no evoluir dos tempos e das culturas, mas que consideram a pessoa humana como o valor supremo e indiscut\u00edvel. Respeit\u00e1-los e promov\u00ea-los \u00e9 a garantia de que n\u00e3o estamos a regressar \u00e0 barb\u00e1rie dos sem lei nem ordem a que se submetam. O desafio em causa est\u00e1 em n\u00e3o perder o que vale em todas as circunst\u00e2ncias de lugar e de tempo, e ter discernimento para escolher e integrar o que vai surgindo e ajuda a coes\u00e3o, a dignifica\u00e7\u00e3o e a coexist\u00eancia construtiva.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se a gente da comunica\u00e7\u00e3o social l\u00ea os jornais. O artigo do Director Geral da Unesco pode ajudar a repensar a razia destruidora de valores fundamentais a que, sobretudo alguns canais televis\u00e3o para os quais vale tudo e j\u00e1 nada vale nada, sujeitam diariamente, de modo directo ou camuflado, aqueles que ainda os v\u00eaem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Refiro-me ao discurso sobre os valores. H\u00e1 quem diga que, hoje, falar de valores \u00e9 querer manter uma ordem moral ultrapassada, remar contra a mar\u00e9, estar fora do tempo. Assim, se pensa e se diz que se trata de um discurso antiquado. 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