{"id":16410,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16410"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"as-perturbacoes-politicas-e-o-povo-normal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/as-perturbacoes-politicas-e-o-povo-normal\/","title":{"rendered":"As perturba\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e o povo normal"},"content":{"rendered":"<p>O povo que vota, trabalha e paga os impostos anda, normalmente, muito arredado das discuss\u00f5es pol\u00edticas e daquilo que as provoca. Por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 alheio \u00e0s perturba\u00e7\u00f5es e consequ\u00eancias que delas derivam. <\/p>\n<p>As campanhas eleitorais acordam-no do desinteresse habitual e atiram-no para o mundo f\u00e1cil das miragens, sustentadas pelas promessas, t\u00e3o f\u00e1ceis de fazer, como de n\u00e3o cumprir. \u00c9 pr\u00f3prio dos pol\u00edticos prometer. Depois, l\u00e1 vem a realidade a mostrar que n\u00e3o podia ser bem assim. Sempre o mesmo, que n\u00e3o chega a tocar, nem a incomodar a consci\u00eancia. Ali\u00e1s, n\u00e3o fora o clima de euforia, quando esta ainda se verifica, e a propaganda barulhenta dos novos e dos velhos candidatos, e j\u00e1 ningu\u00e9m acreditaria nas promessas eleitorais. Na maior parte das vezes, nem sequer acreditam aqueles que as fazem. Mas, sem promessas n\u00e3o pode haver campanha e o povo inebriado gosta que se prometa, sempre e muito, mesmo com os resultados \u00e0 vista.<\/p>\n<p>O tempo de espera e a procura de solu\u00e7\u00f5es novas ou renovadas para a governa\u00e7\u00e3o, deve ser um tempo de seriedade e de serenidade para que possa ser de op\u00e7\u00f5es com mais consist\u00eancia que a emo\u00e7\u00e3o, e que se baseiem em raz\u00f5es v\u00e1lidas, ainda que o sejam s\u00f3 subjectivamente.<\/p>\n<p>Compreendo uma certa desilus\u00e3o de muita gente em rela\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos. Tanta conversa n\u00e3o \u00e9 de quem tem muito que fazer, e tantos ataques m\u00fatuos n\u00e3o parecem  ser coisa de pessoas educadas e respeit\u00e1veis\u2026<\/p>\n<p>Estamos outra vez \u00e0 porta de uma campanha eleitoral. Outras v\u00eam logo em catadupa e j\u00e1 n\u00e3o nos livramos disso ao longo de todo o ano. Por vezes j\u00e1 nem sabemos o que \u00e9 ou seria melhor, tantas perturba\u00e7\u00f5es tudo isto provoca na vida de muita gente. Raramente o que se pode esperar a seguir \u00e9 melhor do que o que terminou ou fizeram terminar.<\/p>\n<p>\u00c9 pobre, demasiadamente pobre, a nossa cultura pol\u00edtica. \u00c9 verdade que n\u00e3o h\u00e1 nada na vida que seja totalmente puro. Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode esperar que neste campo seja de outra maneira. Mas, por vezes, a ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tem impurezas a mais, traduzidas em favores que se pagam, em facturas que se apresentam a saldar, em gente que se v\u00ea subir com a ajuda de m\u00e3os invis\u00edveis, em cadeiras n\u00e3o adaptadas aos que nelas se querem sentar, em p\u00f4r na luz da ribalta jovens que ainda n\u00e3o tiveram tempo para aprender na escola da vida e que, mal abrem a boca, julgam dizer a \u00faltima palavra sobre o assunto, em zangas de compadres e em rivalidades incontidas entre s\u00f3cios do mesmo clube. Nada disto dignifica a ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o aprende ou n\u00e3o quer aprender com os desaires, seja de ontem ou de hoje, n\u00e3o se devia perfilar para novas aventuras. Na pol\u00edtica n\u00e3o t\u00eam lugar os que s\u00f3 pensam em si e no seu partido, s\u00e3o incapazes de emenda, falam tanto que n\u00e3o t\u00eam tempo para reflectir, julgam ter solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas quando n\u00e3o est\u00e3o no poder, os que n\u00e3o entenderam ainda o que significa e lhes exige o bem p\u00fablico e o servi\u00e7o aos outros. <\/p>\n<p>H\u00e1 muita gente s\u00e9ria na pol\u00edtica em todos os partidos e o pa\u00eds est\u00e1-lhe decerto muito grato. N\u00e3o sei bem at\u00e9 quando, se n\u00e3o se v\u00ea um esfor\u00e7o de mudan\u00e7a no contexto geral. O povo aguenta, mas a paci\u00eancia tem limites.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O povo que vota, trabalha e paga os impostos anda, normalmente, muito arredado das discuss\u00f5es pol\u00edticas e daquilo que as provoca. Por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 alheio \u00e0s perturba\u00e7\u00f5es e consequ\u00eancias que delas derivam. 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