{"id":16427,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16427"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"casa-pia-duas-ausencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/casa-pia-duas-ausencias\/","title":{"rendered":"&#8220;Casa Pia&#8221; &#8211; Duas aus\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Teve in\u00edcio o julgamento do processo &#8220;Casa Pia&#8221;. Em torno dos arguidos e das testemunhas, v\u00e3o confrontar-se dois conjuntos de t\u00e9cnicos e dois conjuntos de julgadores: h\u00e1 t\u00e9cnicos, advogados e outros, de acusa\u00e7\u00e3o e de defesa; e h\u00e1 julgadores institu\u00eddos \u2014 os ju\u00edzes, em articula\u00e7\u00e3o, nos termos constitucionais, com o Minist\u00e9rio P\u00fablico \u2014 a par de julgadores informais, bastante pretenciosos \u2014 os meios de comunica\u00e7\u00e3o social (MCS) e a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Registam-se, em simult\u00e2neo, duas grandes aus\u00eancias: a sociedade portuguesa, que, obviamente, n\u00e3o comparecer\u00e1; e a procura da verdade, que se espera vir a ocorrer. O futuro dir\u00e1 se prevalecer\u00e1 a verdade e a justi\u00e7a ou t\u00e3o s\u00f3 o resultado da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em presen\u00e7a.<\/p>\n<p>2. Os MCS apresentam-se como vedetas do caso. Deleitam-se com o suposto facto de terem sido eles quem despoletou o processo e mant\u00eam as suas condena\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias liminares, que renovam em cada publica\u00e7\u00e3o os nomes e imagens dos arguidos.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o p\u00fablica dominante rev\u00ea-se nos MCS inquisitoriais; no entanto, registam-se algumas opini\u00f5es p\u00fa-blicas n\u00e3o alinhadas pela dominante.<\/p>\n<p>3. A sociedade portuguesa est\u00e1 ausente do processo. Est\u00e3o ausentes as pessoas e fam\u00edlias que souberam evitar e superar a viol\u00eancia, os abusos  sexuais e outras pervers\u00f5es. Faltam os largos milhares de outras em que tudo isso vem acontecendo. A vasta e secular tradi\u00e7\u00e3o de desenvolvimento humano tamb\u00e9m s\u00e3o deixadas de fora, bem como as in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es que actuam no mesmo sentido.<\/p>\n<p>\u00c9 perfeitamente natural que assim aconte\u00e7a: um julgamento respeita a um determinado caso e n\u00e3o a mais do que isso.<\/p>\n<p>4. No entanto, os MCS, a opini\u00e3o p\u00fablica dominante, alguns t\u00e9cnicos e departamentos p\u00fablicos t\u00eam aproveitado a oportunidade, oferecido por este caso, para criticar as institui\u00e7\u00f5es da sociedade portuguesa que t\u00eam lutado a favor da inclus\u00e3o de crian\u00e7as e jovens, ajudando-as a afasta-rem-se dos mundos da pobreza extrema, da marginaliza\u00e7\u00e3o e da marginalidade.<\/p>\n<p>Tais institui\u00e7\u00f5es nunca foram, n\u00e3o s\u00e3o e jamais ser\u00e3o perfeitas (como tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o perfeitos, os seus detractores), mas visam as melhores solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Por isso, o julgamento condenat\u00f3rio proferido pelos detractores, do alto do seu poder inquisitorial, prejudica afinal as pr\u00f3prias crian\u00e7as e jovens assemelhando-se ao que, amanh\u00e3, poder\u00e1 ser feito contra as institui\u00e7\u00f5es e os profissionais de sa\u00fade por n\u00e3o conseguirem evitar a exist\u00eancia de mortes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16427","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}