{"id":16428,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16428"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"le-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/le-mais\/","title":{"rendered":"L\u00ea mais!"},"content":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje <!--more--> \u201cEntrei pela porta de um livro e fechei-me l\u00e1 dentro com as palavras acesas e as luzes apagadas. (&#8230;)<\/p>\n<p>Era a primeira vez na minha vida que eu me fechava dentro de um livro. (&#8230;)<\/p>\n<p>O livro era agora o meu ref\u00fagio e a minha casa, uma casa onde tudo era imprevis\u00edvel e estranho e onde as letras tinham espessura e cheiro como se fossem humanas. Confesso que me perdi l\u00e1 dentro, como j\u00e1 antes me perdera no labirinto de esferovite do parque de divers\u00f5es que animava os meses de Ver\u00e3o da minha terra.\u201d<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Jorge Letria, A m\u00e3o esquerda de Cervantes, Biblioteca Prest\u00edgio<\/p>\n<p>Noutro dia, um amigo contava-me uma experi\u00eancia de Leitura do seu filho. Tinha de ler a pe\u00e7a de Gil Vicente Falar Verdade a Mentir e n\u00e3o havia maneira de come\u00e7ar. Que fez o pai? Pegou na obra e come\u00e7ou a ler em voz alta, fazendo as falas das diferentes personagens. A certa altura, parou. E ouviu a interpela\u00e7\u00e3o do filho: \u201cL\u00ea mais!\u201d Mas inverteram-se os pap\u00e9is e o filho de ouvinte passou a leitor.<\/p>\n<p>Quando, recentemente, um jornalista conhecido concedeu uma entrevista ao jornal de uma escola de Aveiro, o conselho que deu aos alunos, e a mim que tamb\u00e9m o ouvi atentamente, foi um \u201cLeiam, leiam muito\u201d e apontou para os jornais e revistas que o circundavam. Relembrou as leituras da sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, comparou a sua atitude com a dos seus filhos \u201cque n\u00e3o l\u00eaem tanto como eu gostava!\u201d, e foi perempt\u00f3rio: ler \u00e9 a base para se ser um bom profissional seja de que profiss\u00e3o for. Uma dica: nos quartos, n\u00e3o h\u00e1 televis\u00e3o, nem computador. <\/p>\n<p>Estas s\u00e3o duas das variad\u00edssimas formas de incentivar \u00e0 Leitura. Claro que nem todos os pais pegam nas obras que os filhos t\u00eam de ler e as l\u00eaem eles pr\u00f3prios. Mas h\u00e1 muitos que o fazem, ou que l\u00eaem porque gostam de ler e inculcam nos filhos o mesmo prazer. Ali\u00e1s, confessava-me noutro dia um aluno, quando lhe sugeri que lesse deter-minadas obras \u201cA minha m\u00e3e tamb\u00e9m \u00e9 uma devoradora de livros. Deve l\u00e1 ter esses em casa.\u201d O papel dos pais \u00e9, pois, muito importante.<\/p>\n<p>Outro parceiro decisivo no incremento do gosto da Leitura \u00e9, sem d\u00favida, o Professor. \u00c0s vezes, mais preocupados em \u201cdar mat\u00e9ria\u201d, muitos s\u00e3o aqueles que relegam o tempo da Leitura para casa. Mas proporcionar na sala de aula per\u00edodos semanais para o prazer de ler \u00e9 uma mais-valia para o desenvolvimento de determinadas compet\u00eancias, que est\u00e3o na base da aprendizagem: a da concentra\u00e7\u00e3o; a da responsabilidade; a da Leitura propriamente dita; entre outras. \u00c9 certo que as experi\u00eancias que se fazem nem sempre t\u00eam sucesso a 100 por cento, mas uns arrastam os outros. Pode, por exemplo, estipular-se um tempo para a Leitura semanal (ou com uma periodicidade mais curta, nunca muito mais longa), para que os alunos leiam o que est\u00e3o a ler, fora das obrigatoriedades escolares, ou dentro desses constrangimentos. Chegado o momento, suponhamos dez minutos antes do t\u00e9rmino da aula, muitos agitam-se e come\u00e7am a fazer sinal ao Professor de que a hora est\u00e1 a chegar. Outros n\u00e3o aguentam esperar tanto tempo, e abrem o livro logo no in\u00edcio da aula&#8230; <\/p>\n<p>E quem n\u00e3o subscreve este contrato de ler durante a aula, pode ser que se sinta contagiado ao fim de v\u00e1rios momentos de Leitura, em que colegas e professor se recolhem ao mundo dos livros, e o sil\u00eancio impera na sala. <\/p>\n<p>Desde as bibliotecas de turma aos contratos de leitura, passando pelos textos obrigat\u00f3rios, o que importa \u00e9 dar tempo \u00e0 Leitura. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16428","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16428"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16428\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}