{"id":16429,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16429"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"noticias-e-realidades-que-incomodam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/noticias-e-realidades-que-incomodam\/","title":{"rendered":"Not\u00edcias e realidades que incomodam"},"content":{"rendered":"<p>Em tempo de Natal, quando as ilumina\u00e7\u00f5es e os c\u00e2nticos j\u00e1 enchem as ruas, quando as pessoas, carregadas de embrulhos com la\u00e7arotes, se acotovelam nas lojas, tudo a parecer indicar bem estar e abastan\u00e7a de meios, os jornais atiram uma grande pedrada para o charco da insensibilidade colectiva.<\/p>\n<p>\u201cFome mata (no mundo) cinco milh\u00f5es de crian\u00e7as por ano\u201d! \u201c150 mil crian\u00e7as (portuguesas) em risco\u201d. A ONU critica falta de empenhamento da comunidade internacional e a UNICEF fala de mil milh\u00f5es de crian\u00e7as, a n\u00edvel mundial, v\u00edtimas da mis\u00e9ria e da guerra, fruto esmaecido e a sangrar pela extrema pobreza de muitas fam\u00edlias e na\u00e7\u00f5es, resultado escandaloso de grandes interesses econ\u00f3micos. Os que produzem armas que matam e destroem, enviam depois para os mesmos pa\u00edses, com ar compungido de generosos protectores, toneladas de alimentos e de rem\u00e9dios, tentando apagar a fome e as dores que geraram e calar a sua m\u00e1 consci\u00eancia<\/p>\n<p>Esta \u00e9, de h\u00e1 muito, uma realidade de todos os dias, agora mais inc\u00f3moda, porque mais conhecida e porque o tempo de Natal amolece os cora\u00e7\u00f5es endurecidos e torna-os prop\u00edcios, ao menos por um tempo, para sofrerem e partilharem, com os mais desditosos, mormente se a sua mis\u00e9ria est\u00e1  pr\u00f3xima e chega, de algum modo, aos seus olhos e demais sentidos.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero que este seja, da minha parte, um discurso hip\u00f3crita.Tantas vezes o \u00e9 dos que fazem da pobreza arma de arremesso contra os seus diversos advers\u00e1rios. Trata-se, por\u00e9m, de uma realidade que incomoda.  <\/p>\n<p>O pecado da insensibilidade frente a males alheios, que gera e fomenta injusti\u00e7a e mis\u00e9ria social, \u00e9 um pecado estrutural, que ser\u00e1 sempre de dif\u00edcil arrependimento. Uma multid\u00e3o de interesses impede que a contri\u00e7\u00e3o v\u00e1 at\u00e9 \u00e0 intelig\u00eancia e ao cora\u00e7\u00e3o, e uma n\u00e3o menor multid\u00e3o de raz\u00f5es tenta justificar a in\u00e9rcia pelo que n\u00e3o se faz e as decis\u00f5es que favorecem  interesses p\u00fablicos e ocultos. A culpa pela falta de bons prop\u00f3sitos ser\u00e1 sempre dos outros. Aqui, sim, que h\u00e1 ignominiosa hipocrisia.<\/p>\n<p>Nenhum de n\u00f3s tem capacidade para resolver os problemas sociais que geram mis\u00e9ria e impedem as pessoas de ser pessoas. Mas est\u00e1 ao alcance de todos contribuir, de algum modo, para debelar a fome e a mis\u00e9ria dos que nos est\u00e3o mais pr\u00f3ximos, pela partilha do pouco ou do muito que temos, a den\u00fancia das injusti\u00e7as e de quem as provoca, bem como da in\u00e9rcia de quem tem o dever de encontrar caminhos de solu\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o na ac\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, organizada e atenta, dos grupos e comunidades locais.<\/p>\n<p>O que cada um pode fazer, ningu\u00e9m dispensa que o fa\u00e7a. O que est\u00e1 ao alcance dos grupos de volunt\u00e1rios e das comunidades, torna-se um dever realiz\u00e1-lo. No Natal, e n\u00e3o s\u00f3, h\u00e1 que dar sentido \u00e0 fraternidade efectiva.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita gente sens\u00edvel e generosa que o \u00e9 todos os dias e sem reservas.<\/p>\n<p>A den\u00fancia ganha for\u00e7a e sentido se prov\u00e9m de quem actua e se empenha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempo de Natal, quando as ilumina\u00e7\u00f5es e os c\u00e2nticos j\u00e1 enchem as ruas, quando as pessoas, carregadas de embrulhos com la\u00e7arotes, se acotovelam nas lojas, tudo a parecer indicar bem estar e abastan\u00e7a de meios, os jornais atiram uma grande pedrada para o charco da insensibilidade colectiva. \u201cFome mata (no mundo) cinco milh\u00f5es de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16429","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16429"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16429\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}