{"id":16432,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16432"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"e-de-agora-em-diante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-de-agora-em-diante\/","title":{"rendered":"E de agora em diante?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Crise pol\u00edtica <!--more--> A atitude do senhor Presidente, de ora em diante, n\u00e3o deixar\u00e1 nenhum Governo dormir descansado.<\/p>\n<p>Cruzam-se conceitos, fazem-se declara\u00e7\u00f5es, tomam-se decis\u00f5es, desencadeiam-se reac\u00e7\u00f5es&#8230; \u00c9 uma catadupa de palavras e atitudes, proveniente de todos os quadrantes, sa\u00edda da boca e dos gestos de todos os \u00f3rg\u00e3os de soberania&#8230; sem que ningu\u00e9m, nem mesmo o garante \u00faltimo das institui\u00e7\u00f5es que suportam a democracia, d\u00ea ao cidad\u00e3o comum alguns t\u00f3picos de leitura da realidade, que lhe permitam reencontrar o rumo, recuperar a serenidade e dispor-se a pensar como agir na escolha que vai ser chamado a fazer dentro de cerca dois meses.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se o senhor Presidente da Rep\u00fablica foi ou n\u00e3o capaz de despir a camisola partid\u00e1ria que enverga, apesar de lhe reconhecer uma actua\u00e7\u00e3o habitual de pondera\u00e7\u00e3o, serenidade interior, esfor\u00e7o de preservar os interesses superiores da Na\u00e7\u00e3o. A sua decis\u00e3o de h\u00e1 quatro meses poder\u00e1 ter sido uma oportunidade concedida ao Dr. Santana Lopes de honrar um programa de coliga\u00e7\u00e3o e dar provas de que o seu jeito de surpreendente reverteria em benef\u00edcio para sairmos da crise. A menos que fosse o receio de que a sua \u201cfam\u00edlia\u201d n\u00e3o tinha a casa suficientemente arrumada a ditar a atitude que tomou. <\/p>\n<p>Mas, se a maioria de hoje era a mesma de ent\u00e3o, o que mudou para dissolver essa maioria? \u00c9 que, nessas circunst\u00e2ncias, gostasse ou n\u00e3o dela, n\u00e3o tinha deixado de funcionar. O que se tornou manifestamente mau foi, segundo as suas gen\u00e9ricas explica\u00e7\u00f5es, o Governo. A atitude do senhor Presidente, de ora em diante, n\u00e3o deixar\u00e1 nenhum Governo dormir descansado: sobre ele continuamente pairar\u00e1, pronta a derrub\u00e1-lo, a decis\u00e3o solit\u00e1ria da suprema autoridade da Na\u00e7\u00e3o; mesmo sem o demitir, porque, nesse caso, \u00e9 sempre poss\u00edvel encontrar justifica\u00e7\u00f5es para dissolver a Assembleia. A nossa Constitui\u00e7\u00e3o deixa-nos sem tapete debaixo dos p\u00e9s!<\/p>\n<p>Frontalidade, discord\u00e2ncia, refuta\u00e7\u00e3o de argumentos, n\u00e3o s\u00e3o o mesmo que deseleg\u00e2ncia, porventura falta de educa\u00e7\u00e3o. Mas podem ser! O que acontece \u00e9 que n\u00f3s, cidad\u00e3os, esperamos sempre dos \u201csuperiores\u201d obreiros da Na\u00e7\u00e3o palavras e atitudes cordatas, reac\u00e7\u00f5es exemplarmente educadas, que nos estimulem a elevarmos a fidalguia dos desencontros ou mesmo combates quotidianos. <\/p>\n<p>E foi um desatino pegado, aquilo a que assistimos nestes dias! Dos novos, \u00e0s vezes n\u00e3o nos admiramos tanto. Agora de veteranos, de quem seria de contar com o enriquecimento da sabedoria, para n\u00e3o darem raz\u00e3o a quem os apelida de \u201cbrigada do reum\u00e1tico\u201d, num afrontamento inqualific\u00e1vel?&#8230; Fala-se muito da \u201cpostura e sentido de Estado\u201d&#8230; Antes do Estado \u00e9 o respeito por si pr\u00f3prio e pelos outros, s\u00f3 poss\u00edvel a pessoas de vida alicer\u00e7ada em valores profundos. E ent\u00e3o as suas responsabilidades de Estado apenas refinam os bons h\u00e1bitos! Quem n\u00e3o tem educa\u00e7\u00e3o, pode vestir a pele de cordeiro, mas o verniz da sua postura de Estado estala depressa. E n\u00e3o temos evolu\u00eddo muito! Como n\u00e3o temos t\u00e3o sobejos exemplos anteriores que nos motivem!<\/p>\n<p>Vamos ser surpreendidos pela positiva?<\/p>\n<p>O Governo de Gest\u00e3o, o senhor Primeiro Ministro em exerc\u00edcio e os seus colaboradores, tem agora a oportunidade de contrariar todas as m\u00e1s interpreta\u00e7\u00f5es a respeito das oportunidades desperdi\u00e7adas, como tamb\u00e9m as pervers\u00f5es conjecturadas. De algumas tenta\u00e7\u00f5es est\u00e1 livre, pelos impedimentos legais em boa hora criados &#8211; como a interdi\u00e7\u00e3o da possibilidade das apressadas nomea\u00e7\u00f5es de favor. Mas sobra muito terreno para continuarem esta esteira de maus exemplos, legislando numa rota de provoca\u00e7\u00e3o \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em busca de capitalizar a sua condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima. Ser\u00e1 que vamos ser surpreendidos pela positiva?<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda duas coisas que me bailam no esp\u00edrito. A primeira \u00e9 a surpresa agrad\u00e1vel de aparecerem movimentos c\u00edvicos, que se dizem limpos de v\u00ednculos a estrat\u00e9gias par-tid\u00e1rias, os quais pretendem oferecer as suas propostas a quem quer que avance para a governa\u00e7\u00e3o. Seria muito bom que, na realidade, a sociedade civil fosse capaz de interpelar, de uma vez por todas, os aparelhos, os favores, os interesses partid\u00e1rios.<\/p>\n<p>Interesses corporativos?<\/p>\n<p>A segunda quest\u00e3o preocupa-me bastante. Quem nos explicar\u00e1, com verdade, se sim ou n\u00e3o s\u00e3o interesses corporativos, econ\u00f3micos, informativos ou de outra ordem, que levam presid\u00eancias e governos a tomar decis\u00f5es em determinada direc\u00e7\u00e3o? Normalmente, quem o faz n\u00e3o o diz!&#8230; Mas seria bom alimentarmos a esperan\u00e7a de que, alguma vez, os esfor\u00e7os de cidadania activa nos levar\u00e3o a conseguir perceber e desmascarar essas teias. Na vida pol\u00edtica, como noutras vidas do Pa\u00eds, para tranquilidade e vida sadia de todos!<\/p>\n<p>Quem sabe?&#8230; \u00c9 capaz de ser uma ilus\u00e3o minha! J\u00e1 se perfilam novos salvadores da P\u00e1tria, com estrat\u00e9gias e protagonistas impolutos!&#8230; Bom: eu quero-me impor a esperan\u00e7a de mudan\u00e7a pr\u00f3xima! Eu quero-me dispor a ser tamb\u00e9m mais activo na constru\u00e7\u00e3o do futuro, com os p\u00e9s bem assentes no presente, sem renegar a heran\u00e7a do passado!<\/p>\n<p>Q.S.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crise pol\u00edtica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-16432","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16432","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16432"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16432\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}