{"id":16449,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16449"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"onde-esta-o-poder-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/onde-esta-o-poder-politico\/","title":{"rendered":"Onde est\u00e1 o poder pol\u00edtico?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Uma leitura jur\u00eddica e simplista da realidade diz-nos que o poder pol\u00edtico se en-contra nos partidos pol\u00edticos e nos \u00f3rg\u00e3os de soberania: o Presidente da Rep\u00fablica, a Assembleia da Rep\u00fablica, o Governo e os Tribunais; \u00e9 deles que dimanam as leis; s\u00e3o eles que exercem o poder executivo; s\u00e3o eles que julgam os il\u00edcitos.<\/p>\n<p>No entanto, existe uma segunda esfera de poder (&#8220;f\u00e1ctico&#8221;, ou de facto) com for\u00e7a crescente. Trata-se das &#8220;corpora\u00e7\u00f5es&#8221; em sentido amplo, isto \u00e9 dos diferentes interesses e mundivid\u00eancias, mais ou menos organizados e difundidos em toda a sociedade: interesses sectoriais, regionais, de &#8220;figuras destacadas&#8221;, de comentadores, analistas e meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Aqui se incluem, nomeadamente, as organiza\u00e7\u00f5es sindicais, profissionais, patronais e empresariais, bem como os grupos de natureza sectorial, regional, cultural e comportamental, que lutam pelos seus interesses e mundivid\u00eancias particulares.<\/p>\n<p>A for\u00e7a desta esfera de poder \u00e9 de tal forma que, provavelmente, foi ela que, aliada aos partidos da oposi\u00e7\u00e3o, esteve na origem da cessa\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es, pelo menos, do actual Governo bem como dos tr\u00eas anteriores. E tudo leva a crer que j\u00e1 se esteja a preparar (mesmo sem o reconhecer e talvez sem dar por isso) para derrubar o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>A terceira esfera de poder \u00e9 a clandestinidade. A\u00ed se situam o n\u00e3o cumprimento da lei, a desonestidade nas rela\u00e7\u00f5es humanas e sociais, a pr\u00e1tica da viol\u00eancia e do crime, organizado ou n\u00e3o, e o terrorismo&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o se conhece o grau de difus\u00e3o e de enraizamento da clandestinidade nas nossas sociedades, \u00e0 escala nacional e internacional. Existem, no entanto, fortes motivos para admitirmos que tal difus\u00e3o e enraizamento s\u00e3o crescentes. O exemplo da Col\u00f4mbia \u00e9, particularmente, expressivo da evolu\u00e7\u00e3o deste poder.<\/p>\n<p>2. Podemos admitir, como hip\u00f3tese de an\u00e1lise, que os \u00f3rg\u00e3os de soberania estejam numa fase de acentuada perda de poder, a favor das &#8220;corpora\u00e7\u00f5es&#8221; que, por sua vez, n\u00e3o ter\u00e3o capacidade suficiente para resistir \u00e0 for\u00e7a bruta da clandestinidade.<\/p>\n<p>As &#8220;corpora\u00e7\u00f5es&#8221; actuam fortemente contra os governos, porque estes n\u00e3o governam bem e porque nunca poder\u00e3o corresponder \u00e0s expectativas neles depositadas. Na verdade, a experi\u00eancia do passado mostra que as &#8220;corpora\u00e7\u00f5es&#8221; s\u00f3 estariam satisfeitas com os governos se estes conseguissem tr\u00eas objectivos: 1\u00ba &#8211; despesa p\u00fablica ilimitada e, ao mesmo tempo, equil\u00edbrio or\u00e7amental; 2\u00ba &#8211; liberdade total e garantias de seguran\u00e7a absoluta; 3\u00ba &#8211; satisfa\u00e7\u00e3o de todos os interesses &#8220;corporativos&#8221;, salvaguardando o bem comum.<\/p>\n<p>A consecu\u00e7\u00e3o destes objectivos \u00e9 obviamente invi\u00e1vel, e tudo leva a prever que o ego\u00edsmo individual e de grupo continuem a exigi-los cada vez mais. Por tal motivo, os governos continuar\u00e3o submetidos a press\u00f5es permanentes de cidad\u00e3os contestat\u00e1rios e insaci\u00e1veis, visando sempre a sua demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A alternativa consistiria na cultura e na pr\u00e1tica da co-responsabilidade, que se encontram numa fase muito embrion\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16449","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16449"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16449\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}