{"id":16452,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16452"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"votar-e-escolher-caminhos-e-comprometer-se-na-sua-concretizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/votar-e-escolher-caminhos-e-comprometer-se-na-sua-concretizacao\/","title":{"rendered":"Votar \u00e9 escolher caminhos, \u00e9 comprometer-se na sua concretiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Documento dos Bispos sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica presente <!--more--> 1. A delicadeza do actual momento pol\u00edtico que o pa\u00eds atravessa sugerir-nos-ia, porventura, que fic\u00e1ssemos em sil\u00eancio, para que ningu\u00e9m pudesse interpretar as nossas palavras como inger\u00eancia na pol\u00edtica, considerada enquanto leg\u00edtima actividade partid\u00e1ria em ordem \u00e0 conquista do poder atrav\u00e9s do voto dos cidad\u00e3os. N\u00e3o queremos tomar posi\u00e7\u00e3o a esse n\u00edvel. Por outro lado, a Hierarquia n\u00e3o se pode desligar do todo da Igreja, composta por todos os crentes; e essa faz parte da sociedade, empenha-se em todas as lutas para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e fraterna. F\u00e1-lo tamb\u00e9m participando nos processos democr\u00e1ticos, sempre, mas de modo particular naqueles momentos em que se discutem e decidem etapas importantes do nosso futuro colectivo.<\/p>\n<p>Empenhar-se na constru\u00e7\u00e3o da comunidade nacional \u00e9, para os crist\u00e3os, uma forma de exprimirem a sua fidelidade crist\u00e3. Dirigimo-nos, as-sim, a todos os membros da Igreja em especial, mas tamb\u00e9m a toda a sociedade de que fazemos parte, no desejo de contribuir para o nosso futuro comum.<\/p>\n<p>2. Aceitamos a actual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como um facto, ponto de partida para uma nova etapa, renunciando a coment\u00e1-la ou analis\u00e1-la, a julgar as suas causas ou os seus protagonistas. Mas estamos convencidos que os problemas que o Pa\u00eds sente n\u00e3o se resumem \u00e0 presente crise pol\u00edtica; esta \u00e9, talvez e apenas, o seu efeito e um dos seus sintomas. E, por isso, a etapa democr\u00e1tica que agora come\u00e7a n\u00e3o pode limitar-se a resolver uma crise pol\u00edtica, mas deve enfrentar, com serenidade e lucidez, os proble-mas de fundo do pa\u00eds, apresentando para eles solu\u00e7\u00f5es cred\u00edveis e vi\u00e1veis, a serem escolhidas pelo voto dos portugueses.<\/p>\n<p>Temos assistido a um processo cont\u00ednuo de sublinhar as diverg\u00eancias e as dificuldades, sem surgirem converg\u00eancias em verdadeiros objectivos nacionais, que os partidos pol\u00edticos parecem ter dificuldade em definir e propor. O progresso do Pa\u00eds precisa do empenhamento generoso de todos, da ren\u00fancia a ego\u00edsmos pessoais ou grupais, da compet\u00eancia dos agentes econ\u00f3micos, culturais e sociais. \u00c9 urgente criar uma onda de fundo de entusiasmo por Portugal, em que as leg\u00edtimas diferen\u00e7as se transformem em riqueza e n\u00e3o em obst\u00e1culo. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, indispens\u00e1veis numa sociedade democr\u00e1tica, ter\u00e3o nesta converg\u00eancia de perspectivas e neste suscitar da esperan\u00e7a, um pa-pel importante. \u00c9 preciso que o direito \u00e0 liberdade se afirme na responsabilidade construtiva, em prol do bem comum.<\/p>\n<p>3. Neste quadro, o primeiro dever dos crist\u00e3os \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel. Que ningu\u00e9m se esconda por detr\u00e1s de desculpas habituais: \u201cestamos cansados dos pol\u00edticos\u201d, \u201cisto n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cpara qu\u00ea votar, se \u00e9 sempre a mesma coisa\u201d, etc. N\u00e3o esque\u00e7amos que s\u00f3 tem direito de criticar e denunciar quem se empenha generosamente na busca de solu\u00e7\u00f5es. Na campanha eleitoral que se aproxima, temos todos o dever de nos esclarecermos criteriosamente, passando para al\u00e9m do discurso eleitoralista e apreciando as solu\u00e7\u00f5es objectivas que nos s\u00e3o propostas para o Governo da Na\u00e7\u00e3o. Para tal, importa avaliar da sua justi\u00e7a, da sua viabilidade, da sua conson\u00e2ncia com os princ\u00edpios da dignidade humana, do respeito pela vida, da dimens\u00e3o social que todas as pol\u00edticas devem ter. Para os crist\u00e3os, o crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 o Evangelho e a doutrina social da Igreja.<\/p>\n<p>A democracia \u00e9 o quadro pol\u00edtico da liberdade, mas tamb\u00e9m da responsabilidade. E esta s\u00f3 se exprimir\u00e1 na busca generosa do bem comum. N\u00e3o deixemos o futuro do nosso Pa\u00eds s\u00f3 nas m\u00e3os dos \u201cpol\u00edticos profissionais\u201d. Ajudemo-los com a nossa consci\u00eancia cr\u00edtica e com a nossa escolha respons\u00e1vel. A nossa convi-v\u00eancia democr\u00e1tica aprofundar-se-\u00e1 qualitativamente se votarmos em propostas, mais do que em partidos, motivados pela esperan\u00e7a objectiva que essas propostas suscitam e n\u00e3o tanto pela nossa tradicional simpatia partid\u00e1ria. Forcemos os partidos a porem o acento da sua interven\u00e7\u00e3o na qualidade das propostas que nos fazem, na compet\u00eancia e dignidade das pessoas e n\u00e3o apenas nos discursos que o ambiente de campanha habitualmente inflama.<\/p>\n<p>4. Para construir este discernimento respons\u00e1vel, \u00e9 importante uma an\u00e1lise em grupo. As comunidades crist\u00e3s podem ser lugar para a discuss\u00e3o cr\u00edtica das propos-tas que nos v\u00e3o ser feitas, ajudando-nos uns aos outros naquele esclarecimento que antecede a nossa escolha, na certeza de que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es perfeitas, nem definitivas. Escolhamos aquelas que suscitam mais esperan\u00e7a e aceitemos, depois, contribuir para a sua implementa\u00e7\u00e3o. Votar \u00e9 escolher caminhos; e escolher \u00e9 comprometer-se generosamente na sua concretiza\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o esque\u00e7a-mos, em nenhum momento, que a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 sempre busca da verdade, express\u00e3o do amor fraterno, escolha da honestidade e da generosidade como padr\u00f5es de comportamento. E n\u00f3s crist\u00e3os sabemos que passa tamb\u00e9m por a\u00ed a constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Comunicado do Conselho Permanente <\/p>\n<p>da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, 14 de Dezembro de 2004<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento dos Bispos sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica presente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-16452","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16452"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16452\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}