{"id":16471,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16471"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"perde-se-o-contacto-aumenta-a-distancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/perde-se-o-contacto-aumenta-a-distancia\/","title":{"rendered":"Perde-se o contacto, aumenta a dist\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Ocorreu-me, neste princ\u00edpio de ano, um pensamento que me anda c\u00e1 dentro e n\u00e3o me deixa adormecer, nem ficar fora da vida concreta, nem a azedar \u00e0 medida que os anos passam, assim como que mordido por um mosquito que s\u00f3 fala de inc\u00f3modos, de situa\u00e7\u00f5es negativas, de sonhos que viraram pesadelos. Aprendi a tempo que n\u00e3o se pode viver fora da vida e da nossa hist\u00f3ria pessoal, da vida das pessoas vivas, da realidade que nos envolve, da vida pensada como projecto para uns e realiza\u00e7\u00e3o inacabada para outros. N\u00e3o se pode, ou seja, h\u00e1 que estar atento e activo para que tal n\u00e3o aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>Perde-se o contacto com a realidade e com as pessoas que fazem parte inevit\u00e1vel do nosso viver e aumentam as dist\u00e2ncias que empobrecem. S\u00e3o dist\u00e2ncias que fazem rarear o amor e tornam dif\u00edcil, \u00e0s vezes imposs\u00edvel, o apre\u00e7o m\u00fatuo, o di\u00e1logo e o empenhamento nos problemas comuns. <\/p>\n<p>Ilustram-me esta observa\u00e7\u00e3o algumas frases t\u00edpicas que denunciam que o muro que se levantou e a p\u00f4s a comunica\u00e7\u00e3o em perigo, por exemplo, entre adultos e jovens. \u201cDesisti de entender a gente nova\u201d, dizem, meio enfastiados, os mais velhos, incluindo pais e educadores diversos. \u201cN\u00e3o te fies em ningu\u00e9m que tenha mais de quarenta anos\u201d, confidenciam entre si os mais novos, cansados de conselhos, de suspeitas, de compara\u00e7\u00f5es com os tempos que j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o e que permanecem, como modelares, para quem n\u00e3o entende o presente porque ficou acorrentado ao que j\u00e1 vai.<\/p>\n<p>N\u00e3o se vive no passado, ainda que dele se tenha herdado algum patrim\u00f3nio de experi\u00eancias e aquisi\u00e7\u00f5es que ajudam a viver hoje.<\/p>\n<p>Esta reflex\u00e3o, sempre actual, vem agora a prop\u00f3sito do muito que se falou nos largos milhares de jovens, chegados de longe e de perto, que invadiram Lisboa e trouxeram na bagagem a vontade de se encontrar com outros para rezar, reflectir, partilhar, conviver, sonhar. Dizem eles que a gente nova tem parte importante na constru\u00e7\u00e3o do mundo de hoje e de amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Os jovens, mesmo os de ao p\u00e9 da porta, denunciam uma nova cultura que muitos adultos ainda n\u00e3o perceberam e, obviamente, n\u00e3o aceitaram. A sua vida n\u00e3o \u00e9 comandada por racioc\u00ednios lineares, mas pelo cora\u00e7\u00e3o e pelos afectos que os precedem, os quais t\u00eam o seu tempo de indispens\u00e1vel validade. Com os jovens, pelo cora\u00e7\u00e3o se vai \u00e0 cabe\u00e7a e n\u00e3o ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Desarmei uma simp\u00e1tica senhora que, irritada com o comportamento dos jovens num encontro em que participavam adultos e jovens, me pedia que pusesse fim \u00e0s suas irrever\u00eancias, quando lhe disse ao ouvido: \u201cS\u00e3o os seus netos!\u201d Caiu em si e tudo come\u00e7ou a mudar. A dist\u00e2ncia diminuiu e o contacto tornou-se positivo. Afinal, os jovens s\u00e3o maravilhosos, disse ela por fim, conquistada pela sua irrever\u00eancia criativa. Foi preciso tocar o cora\u00e7\u00e3o. Por a\u00ed, mesmo os mais vulner\u00e1veis, se tornam l\u00facidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ocorreu-me, neste princ\u00edpio de ano, um pensamento que me anda c\u00e1 dentro e n\u00e3o me deixa adormecer, nem ficar fora da vida concreta, nem a azedar \u00e0 medida que os anos passam, assim como que mordido por um mosquito que s\u00f3 fala de inc\u00f3modos, de situa\u00e7\u00f5es negativas, de sonhos que viraram pesadelos. Aprendi a tempo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16471\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}