{"id":16489,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16489"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"explorados-exploradores-e-para-alem-disso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/explorados-exploradores-e-para-alem-disso\/","title":{"rendered":"Explorados, exploradores&#8230; e para al\u00e9m disso"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Na fase pr\u00e9-eleitoral em que nos encontramos, imp\u00f5e-se n\u00e3o descurar um problema b\u00e1sico da vida econ\u00f3mica e social. Respeita ele \u00e0 luta entre explorados e exploradores; luta que sempre existiu e foi teorizada, especialmente, no pensamento de K. Marx e F. Engels.<\/p>\n<p>Como explorados consideram-se os trabalhadores por conta de outrem (originariamente, os prolet\u00e1rios) e o povo pobre em geral. Como exploradores consideram-se os capitalistas (ou, mais precisamente, os detentores de dinheiro e de outros meios de produ\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>2. A leitura da realidade com base na &#8220;explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem&#8221; tem esquecido o fen\u00f3meno da auto-explora\u00e7\u00e3o, que o pr\u00f3prio Marx n\u00e3o deixou de abordar num documento bastante desconhecido: &#8220;Cap\u00edtulo In\u00e9dito d&#8217;o Capital \u2014 Resultados do Processo de Produ\u00e7\u00e3o Imediata&#8221; (edi\u00e7\u00e3o, em portugu\u00eas, de Publica\u00e7\u00f5es Escorpi\u00e3o, Porto, 1975). Em termos compat\u00edveis com o pensamento marxista (mas n\u00e3o redut\u00edveis a ele), dir-se-\u00e1 que existe auto-explora\u00e7\u00e3o, especialmente, na economia de subsist\u00eancia, na familiar bem como na micro e na pequena empresa. Em todos estes tipos de unidades econ\u00f3micas, acontece n\u00e3o raro que: o empres\u00e1rio, que \u00e9 um trabalhador por conta pr\u00f3pria, tamb\u00e9m realiza trabalho de execu\u00e7\u00e3o; a sua remunera\u00e7\u00e3o chega a ser inferior \u00e0 m\u00e9dia dos sal\u00e1rios no pa\u00eds; e muitos destes trabalhadores nunca chegam a alcan\u00e7ar o patamar dos empres\u00e1rios propriamente ditos.<\/p>\n<p>Na linha do pensamento e da pr\u00e1tica marxistas, as for\u00e7as pol\u00edticas de esquerda, de centro e de direita, t\u00eam ignorado e menosprezado sistematicamente estas unidades econ\u00f3micas. Ser\u00e1 que agora, em ordem ao pr\u00f3ximo acto eleitoral, as assumir\u00e3o como realidade econ\u00f3mica e social b\u00e1sica, \u00e0 qual pertence o maior n\u00famero de empresas do pa\u00eds, reconhecidas ou n\u00e3o como tais?<\/p>\n<p>3. A abordagem da economia e da sociedade com base na explora\u00e7\u00e3o esquece ainda as realidades que se situam para l\u00e1 desta. Entre explorados e exploradores, tamb\u00e9m existem rela\u00e7\u00f5es de co-responsabilidade. Na medida em que estas se desenvolvam sadiamente, a explora\u00e7\u00e3o poder\u00e1 atenuar-se e at\u00e9 ser eliminada.<\/p>\n<p>Na auto-explora\u00e7\u00e3o est\u00e1 latente, quase sempre, o sentido de responsabilidade. E, por via da regra, este \u00e9 t\u00e3o forte que at\u00e9 se ultrapassa a auto-explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pode afirmar-se que a abordagem da economia e da sociedade com base, exclusivamente, em explorados e exploradores constitui, ela pr\u00f3pria, um factor de explora\u00e7\u00e3o, na medida em que \u00e9 redutora e fecha horizontes de desenvolvimento. N\u00e3o fomenta a co-responsabilidade e n\u00e3o motiva para a responsabilidade e iniciativa pessoais. Pior do que isso: serve de pretexto para n\u00e3o se reconhecer nem apoiar o esfor\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o na esfera econ\u00f3mico-social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16489","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16489\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}