{"id":16502,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16502"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"jesus-o-mestre-da-emocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/jesus-o-mestre-da-emocao\/","title":{"rendered":"Jesus, o Mestre da emo\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista com Augusto Cury, autor da &#8220;An\u00e1lise da Intelig\u00eancia de Cristo&#8221; <!--more--> Augusto Cury desenvolveu uma teoria sobre o funcionamento da intelig\u00eancia e constru\u00e7\u00e3o da mente, a chamada \u201cIntelig\u00eancia Multifocal\u201d, e aplicou-a aos evangelhos. Resultado: Jesus \u00e9 o paradigma da boa sa\u00fade mental. Psiquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor, Augusto Cury, brasileiro, \u00e9 o autor da s\u00e9rie \u201cAn\u00e1lise da intelig\u00eancia de Cristo\u201d, cinco livros sobre a personalidade do fundador do cristianismo: \u201cO Mestre dos Mestres\u201d, \u201cO Mestre da Vida\u201d, \u201cO Mestre do Amor\u201d, \u201cO Mestre Inesquec\u00edvel\u201d e \u201cO Mestre da Sensibilidade\u201d (editados nas Paulinas). De passagem por Portugal, para apresentar o livro \u201cTreinando a emo\u00e7\u00e3o\u201d (ver CV de 1-12-04), o Correio do Vouga interrogou Augusto Cury sobre Jesus, \u201co referencial da sa\u00fade ps\u00edquica num mundo que convida \u00e0 depress\u00e3o\u201d.                                                <\/p>\n<p>Por Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>Correio do Vouga: Como chegou ao encontro com Jesus Cristo?<\/p>\n<p>Augusto Cury: Costumo dizer que eu era um dos maiores ateus \u00e0 face da terra. Como sou cientista da \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o do pensamento, tive oportunidade de, durante quase 20 anos, desenvolver uma das poucas teorias mundiais sobre o funcionamento da mente. Em alguns momentos da minha via questionei se Deus n\u00e3o seria fruto das ideias dos homens, da fantasia, do mundo dos pensamentos. Nesse aspecto, fui muito mais cr\u00edtico do que Nietzsche, que escreveu sobre a morte de Deus, Karl Marx, que considerava a religi\u00e3o como o \u00f3pio do povo, Freud, que era um judeu ateu, Jean-Paul Sartre, fil\u00f3sofo existencialista ateu\u2026 E depois de desenvolver a teoria da intelig\u00eancia multifo-cal, uma das teorias mais complexas da actualidade, comecei a investigar as grandes personagens da hist\u00f3ria: como desenvolveram as suas ideias, como se tornaram grandes pensadores; e cheguei at\u00e9 Jesus Cristo. Comecei a investigar as suas quatro biografias, os chamados evangelhos. E analisei seriamente, detalhadamente, as suas reac\u00e7\u00f5es, os seus pensamentos, a maneira como protegia a sua emo\u00e7\u00e3o, a maneira como actuou com os disc\u00edpulos, as suas ac\u00e7\u00f5es, como navegava nas \u00e1guas das emo\u00e7\u00f5es. Percebi que, do ponto de vista psicol\u00f3gico, \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel o autor humano criar uma personagem com as caracter\u00edsticas que ele teve.<\/p>\n<p>Ou seja, contra o que dizem os ateus, \u00e9 imposs\u00edvel que Jesus tenha sido inventado.<\/p>\n<p>Exactamente. Tive que crer nele. Fiquei profundamente apaixonado pela sua personalidade. Investiguei do ponto de vista cient\u00edfico \u2013 e n\u00e3o religioso \u2013 os actos de Jesus, como aquele em que Judas o trai com o beijo. Em rela\u00e7\u00e3o a esse momento, a psicologia e a psiquiatria esperam que uma pessoa profundamente decepcionada e tra\u00edda reaja sempre sem brilhantismo na sua intelig\u00eancia, sem racioc\u00ednio, como um animal, numa situa\u00e7\u00e3o de instinto. Mas Jesus geriu os pensamentos, abriu janelas na sua mente, olhou para Judas, fitou os seus olhos e disse-lhe: \u201cAmigo, para que vieste?\u201d Nunca na hist\u00f3ria uma pessoa tra\u00edda e prostrada reagiu como Jesus no acto na trai\u00e7\u00e3o. Ele inclui o seu traidor e d\u00e1-lhe at\u00e9 ao \u00faltimo momento uma oportunidade para que pudesse rever a sua hist\u00f3ria e reescrever os cap\u00edtulos mais importantes da sua vida.<\/p>\n<p>Sob o \u00e2ngulo da psicologia, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma que Jesus foi real. Epis\u00f3dios como este n\u00e3o poderiam ser inventados.<\/p>\n<p>Isso levou-o a ser crente? Crist\u00e3o? Cat\u00f3lico?<\/p>\n<p>Levou-me a ser um crist\u00e3o sem fronteiras. Sou muito amigo de muitos padres, no Brasil e fora do Brasil. Tamb\u00e9m sou amigo de l\u00edderes protestantes. O meu desejo \u00e9 que os meus livros possam ajudar todo o tipo de pessoas, de qualquer religi\u00e3o, at\u00e9 budistas, mu\u00e7ulmanos, ateus\u2026 Quem rejeita Jesus Cristo, com tudo o que ele disse e fez, \u00e9 porque n\u00e3o questionou assim t\u00e3o profundamente o que ele foi e fez. A minha pretens\u00e3o, enquanto cientista, \u00e9 fazer com que a sua personalidade seja um referencial de sa\u00fade ps\u00edquica. \u00c9 por isso que muitos padres t\u00eam usado os meus livros nas homilias, nos discursos\u2026 Muitas pessoas saem da depress\u00e3o ou resolvem os seus problemas de p\u00e2nico e ansiedade com a an\u00e1lise da intelig\u00eancia de Cristo.<\/p>\n<p>Analisar a intelig\u00eancia de Cristo, sabendo que \u00e9 imposs\u00edvel escrever a sua biografia, nos moldes que a entendemos, n\u00e3o \u00e9 uma pretens\u00e3o desmesurada?<\/p>\n<p>Muitas pessoas disseram que eu fui ousado demais, quando comecei a publicar a s\u00e9rie \u201cAn\u00e1lise da intelig\u00eancia de Cristo\u201d; mas logo que come\u00e7aram a ler os textos, ficaram profundamente tocados. A psiquiatria, em vez de ficar grande ao p\u00e9 de Jesus Cristo, fica pequena. A psicologia, em vez de se exaltar, fica pequena. Eu apenas usei as ferramentas destas ci\u00eancias para analisar a sua personalidade com bastante humildade e respeito. Se fui ousado, \u00e9 porque toda a ci\u00eancia tem de ser ousada. O resultado \u00e9 que as pessoas ficam admiradas e percebem que ele teve o mais alto grau de maturidade, de sabedoria. Jesus tornou-se um referencial de sa\u00fade ps\u00edquica que a psicologia nunca teve. Teve uma vida alegre, saud\u00e1vel, est\u00e1vel, gentil, solid\u00e1ria, apesar de o mundo conspirar contra ele.<\/p>\n<p>Acha ent\u00e3o que um crist\u00e3o pode suportar melhor as emo\u00e7\u00f5es, o stress, as doen\u00e7as ps\u00edquicas\u2026<\/p>\n<p>Exactamente. Jesus foi estudado ao longo dos s\u00e9culos sob o ponto de vista teol\u00f3gico. Mas ningu\u00e9m investigou como \u00e9 que ele protegeu as suas emo\u00e7\u00f5es nos focos de tens\u00e3o, porque \u00e9 que ele teve todos os motivos para ter depress\u00e3o e ansiedade, mas foi extremamente saud\u00e1vel, tranquilo e sereno? Por exemplo, quando adolescente, ele pegava no martelo e golpeava os pregos que cravava na madeira. Ele sabia que ia morrer assim.<\/p>\n<p>Quer dizer que ter sido carpinteiro foi uma prepara\u00e7\u00e3o para a cruz, estava no plano divino?<\/p>\n<p>Eu realmente creio nisso. N\u00e3o foi acidental. Foi um teste para ver se ele suportava o mais alto grau de ansiedade. H\u00e1 muita gente que pensa que vai morrer de enfarte e est\u00e1 bem de sa\u00fade, morrer de cancro e est\u00e1 bem de sa\u00fade\u2026 sofrem por coisas que n\u00e3o t\u00eam. S\u00e3o obsessivos compulsivos. H\u00e1 milh\u00f5es de pessoas assim. Sofrem por antecipa\u00e7\u00e3o. Jesus tinha todos os motivos para esmagar a sua emo\u00e7\u00e3o por saber a maneira como morreria, mas conseguiu encontrar poesia no caos, conseguiu abrir horizontes, mesmo quando n\u00e3o havia estrada.<\/p>\n<p>Qual o epis\u00f3dio da vida de Jesus que mais o fascina?<\/p>\n<p>Foi o momento em que Pedro o negava, perto do sin\u00e9drio. Jesus estava mutilado e ferido, sangrando, com edemas. Qualquer pessoa, quando sofre um traumatismo, por pequeno que seja, como um corte num dedo, reage, pelo menos num primeiro momento, sem pensar. \u00c9 o nosso instinto de ser vivo que reage. No momento em que Jesus estava a ser mutilado era imposs\u00edvel ter uma reac\u00e7\u00e3o inteligente, s\u00f3bria, l\u00facida, altru\u00edsta. Ora, enquanto ele estava ser golpeado fisicamente, Pedro golpeava a sua emo\u00e7\u00e3o, negando-o. Na terceira nega\u00e7\u00e3o, Jesus Cristo consegue, como \u201cMestre dos mestres\u201d, abrir a sua mente, esquecer a sua dor. Jesus olha para Pedro e Pedro olha para Ele. Os olhares cruzam-se. Nunca na hist\u00f3ria houve olhar t\u00e3o lindo como este. O Mestre e o disc\u00edpulo, dizendo que n\u00e3o o conhecia, que nunca andara com Ele. Naquele momento, Jesus gritou no sil\u00eancio. O olhar foi mais eloquente do que milhares de palavras. Ele disse a Pedro: \u201cPodes negar-me, mas quero dizer-te que te compreendo. Podes negar-me, mas eu nunca deixarei de te amar. Fazes parte da minha hist\u00f3ria para sempre\u201d. Pedro saiu e foi chorar. Cada l\u00e1grima foi um rio emocional, que foi registado no territ\u00f3rio da emo\u00e7\u00e3o. Pedro come\u00e7a a compreender a grandeza do seu mestre no m\u00e1ximo do seu erro. A partir da\u00ed, Pedro tornou-se solid\u00e1rio e am\u00e1vel e compreendeu a fragilidade dos outros. Jesus, com um olhar, conseguiu ensinar o que as faculdades de psicologia n\u00e3o ensinam durante cinco anos: o ser humano \u00e9 uma p\u00e9rola \u00fanica no teatro da vida, que devemos amar, apesar dos seus erros.<\/p>\n<p>Havendo quatro evangelhos, h\u00e1 diferen\u00e7a ao n\u00edvel da psicologia entre o Jesus de Jo\u00e3o e o de Mateus, Marcos ou Lucas?<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias vers\u00f5es, mas existe uma coer\u00eancia que \u00e9 impressionante. Em todos eles, Jesus trabalha a personalidade dos disc\u00edpulos. Semeava neles as mais belas fun\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia. Trabalhou com os disc\u00edpulos sem esperar o retorno imediato. Nos longos anos ap\u00f3s a sua morte, a semente eclodiria e mudaria a paisagem do mundo. Sem uma comitiva, n\u00e3o se afastando mais do que 300 km da sua terra, sem ter um ex\u00e9rcito, uma equipa de marketing, chamou 12 disc\u00edpulos, completamente \u201cdespreparados\u201d para a miss\u00e3o, e gerou a mais excelente equipa de pensadores que mudaram a face do mundo. S\u00e3o mais dois mil milh\u00f5es de seguidores; e parte do globo que n\u00e3o o segue, respeita-o profundamente. Ele est\u00e1 no Alcor\u00e3o, e o budismo \u2013 embora seja anterior ao cristianismo \u2013 \u00e9 influenciado pelas suas ideias.<\/p>\n<p>Refere os seguidores de Cristo, mas nos seus escritos nunca fala da Igreja. Fala do fundador, mas n\u00e3o da comunidade.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tiro conclus\u00f5es sobre a Igreja, porque o meu objectivo \u00e9 ajudar as pessoas de todas as culturas, de todas as ra\u00e7as. Se me colocasse como crist\u00e3o de uma religi\u00e3o espec\u00edfica, certamente fecharia as portas da compreens\u00e3o para as religi\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s. O meu desejo \u00e9 levar as pessoas a perceber que a vida \u00e9 um espect\u00e1culo \u00fanico, por detr\u00e1s da cortina da exist\u00eancia existe o autor da vida e esse autor um dia manifestou-se por meio do seu filho, andou nesta terra. Brilhou como nenhum ser humano brilhou. Am\u00e1-lo \u00e9 um acto inteligent\u00edssimo. Sei que os cat\u00f3licos est\u00e3o a ler em massa os meus livros e que muitos padres est\u00e3o expandindo o n\u00famero de adeptos nos templos porque t\u00eam usado n\u00e3o a grandeza do escritor, mas a grandeza do Mestre dos mestres, do mestre da vida, do mestre do amor.<\/p>\n<p>H\u00e1 um terreno prop\u00edcio para os seus escritos?<\/p>\n<p>Sim, porque h\u00e1 muita gente com conflitos emocionais. As pessoas querem recuperar a sa\u00fade ps\u00edquica, nesta socie-dade em que \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil adoecer.<\/p>\n<p>A personalidade de Jesus estuda-se como qualquer outra da antiguidade?<\/p>\n<p>\u00c9 completamente diferente. Jesus tem uma personalidade extremamente complexa. Ele gostava de saber o que os outros pensavam dele. Instigou os fariseus, perguntando, \u201cquem dizem que \u00e9 o Cristo?\u201d Estimulava as pessoas. Um dia pergunta: \u201cO que dizem as pessoas  de mim?\u201d Ele n\u00e3o queria seguidores cegos. Queria pensadores que pudessem amar a vida e transformar a sociedade. N\u00e3o controlava ningu\u00e9m, nem usava os seus milagres para chantagear. Quando fazia milagres, dizia: \u201cN\u00e3o contem a ningu\u00e9m\u201d. E quando queria que o seguissem, convidava: \u201cQuem tem sede venha a mim e beba\u201d. Nunca na hist\u00f3ria algu\u00e9m t\u00e3o grande se fez t\u00e3o pequeno, para tornar os pequenos grandes.<\/p>\n<p>Acha que a Igreja Cat\u00f3lica apresenta bem Jesus Cristo \u00e0 humanidade?<\/p>\n<p>Acho que tem de haver mudan\u00e7as importantes. Respeito os te\u00f3logos e os padres, mas acho que cada padre tem de ser eloquente nas suas homilias, vibrante, com um discur-so que encante as pessoas \u2013 como Jesus. O conhecimento da humanidade de Cristo devia fazer parte da forma\u00e7\u00e3o de todos os l\u00edderes espirituais, em especial do catolicismo. Hoje, n\u00e3o se pode ser l\u00edder espiritual e n\u00e3o tocar em assuntos como a depress\u00e3o, ang\u00fastia, ansiedade, div\u00f3rcio, depend\u00eancia de drogas, timidez, inseguran\u00e7a. A sociedade est\u00e1 a adoecer. Os l\u00edderes espirituais t\u00eam de conhecer aquele que atingiu o topo da sa\u00fade ps\u00edquica num ambiente altamente stressante. Por vezes, n\u00e3o percebem que o ser humano est\u00e1 a adoecer rapidamente. Nessa linha, vai o meu livro \u201cTreinando a emo\u00e7\u00e3o\u201d. Ser feliz n\u00e3o \u00e9 um dom, \u00e9 um treino. O \u201ceu\u201d tem de criticar o pensamento negativo, o pensamento antecipat\u00f3rio, o sentimento de culpa que rumina sobre o passado e esmaga o prazer de viver, o lixo que se acumula todos os dias na nossa mente.<\/p>\n<p>Os seus livros, mesmo quando n\u00e3o falam directamente de Jesus, inspiram-se na sua mensagem?<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. J\u00e1 referi \u201cTreinando a emo\u00e7\u00e3o\u201d, mas o mesmo se passa com \u201cPais brilhantes, professores fascinantes\u201d. Bons pais d\u00e3o presentes aos filhos. Pais brilhantes d\u00e3o as suas historias, as suas l\u00e1grimas. Conseguem chorar deles e contar sobre os seus dias mais tristes e pergun-tar: \u201cFilho, quais s\u00e3o as tuas experi\u00eancias mais dolorosas, quais s\u00e3o os teus sonhos\u2026\u201d Bons pais d\u00e3o manuais de regras, pais brilhantes v\u00e3o muito al\u00e9m, ensinam os filhos a pensar. Bons pais preparam os filhos para o sucesso; pais brilhantes preparam os filhos para os fracassos, porque \u00e9 nos fracassos, nas dores, nas perdas, que aprendemos as mais profundas li\u00e7\u00f5es. Jesus Cristo ensinou os disc\u00edpulos a lidar com a dor, os medos, a derrota. Preparou os seus disc\u00edpulos para criarem no caos, a esperarem o mais belo amanhecer na noite mais tempestuosa.<\/p>\n<p>Se quisesse convencer algu\u00e9m a deixar-se encantar por Jesus Cristo, o que lhe diria?<\/p>\n<p>Diria para analisar a personalidade de Cristo, sem medo.<\/p>\n<p>&#8220;Jesus levou o Homem a sonhar&#8221;<\/p>\n<p>No livro \u201cO Mestre dos mestres\u201d faz afirma\u00e7\u00f5es como \u201cCristo, se vivesse hoje, abalaria os fundamentos da psiquiatria e da psicologia\u201d\u2026<\/p>\n<p>Abalaria porque teve a coragem de dizer: \u201cQuem tem sede venha a mim e beba\u201d. No seu interior ter\u00e3o um prazer inesgot\u00e1vel. Que homem era este que tinha coragem de dizer que tinha a fonte da felicidade no seu mais alto n\u00edvel, a fonte da tranquilidade: \u201cAprendei de mim que sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o\u201d? Que psiquiatra teria coragem, hoje, de falar assim para os seus pacientes: \u201cAprendei de mim porque sou uma pessoa tranquila e vivo uma vida plenamente prazerosa\u201d? A proposta de Jesus levou o homem a sonhar com o mais elevado n\u00edvel de qualidade de vida social e emocional.<\/p>\n<p>E que quer dizer com \u201cCristo perturbaria o sistema pol\u00edtico\u201d?<\/p>\n<p>Jesus Cristo n\u00e3o tinha uma equipa de marketing. Ele nem sequer dizia onde ia estar no dia seguinte. As pessoas ficavam t\u00e3o extasiadas com o seu discurso. Era t\u00e3o vibrante nas suas ideias, t\u00e3o eloquente nos seus pensamentos que as pessoas diziam umas para as outras: \u201cNunca ningu\u00e9m falou como este homem\u201d. N\u00e3o era apenas pelos seus actos sobrenaturais, era pela grandeza das suas ideias.<\/p>\n<p>Will Durant, um autor norte-americano, diz que a Inglaterra demorou 800 anos at\u00e9 ter um Shakespeare. A Fran\u00e7a demorou 800 anos at\u00e9 ter um Montaigne. N\u00f3s, na Am\u00e9rica, n\u00e3o temos grandes fil\u00f3sofos porque temos de lavrar e terra, explorar as minas\u2026 N\u00e3o tivemos tempo de amadurecer o pensamento americano. Ele tem raz\u00e3o nisso. Os americanos s\u00e3o templo da economia, mas n\u00e3o s\u00e3o templo da sabedoria. Na \u00e9poca de Jesus Cristo havia fome e mis\u00e9ria. As pessoas n\u00e3o estavam interessadas em pensar, elas queriam comer o p\u00e3o. Com base na tese de Will Durant, as ideias de Jesus Cristo seriam completamente recusadas. As pessoas deviam estar preocupadas com a sobreviv\u00eancia. Mas quando ele falava, ficavam completamente estimuladas a pensar. Sonhavam com outras possibilidades. Jesus abria o leque da intelig\u00eancia \u00e0 arte de pensar.<\/p>\n<p>A \u00fanica vez que Jesus esteve acima dos outros foi na cruz, mas abalaria o sistema pol\u00edtico porque o sistema de comunica\u00e7\u00e3o faria plant\u00e3o 24 horas e a humanidade estaria clamando por ver um pouco das suas ideias.<\/p>\n<p>O que aconteceria hoje a Jesus?<\/p>\n<p>Certamente seria assassinado. Seria muito mais famoso hoje, mas seria rejeitado porque as suas ideias n\u00e3o caberiam no nosso mundo. Ainda hoje custa a aceitar que uma prostituta tenha tanto valor como um rei. Um mendigo tenha tanto valor como um presidente da rep\u00fablica. Ele deu status ao ser humano.<\/p>\n<p>&#8220;O C\u00f3dido da Vinci \u00e9 o Harry Potter para adultos&#8221;<\/p>\n<p>O que pensa do livro \u201cC\u00f3digo da Vinci\u201d?<\/p>\n<p>O livro de Dan Brown \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o esot\u00e9rica. Dan Brown \u00e9 a J. K Rowling [autora dos livros Harry Potter] de cal\u00e7as. Escreveu um Harry Potter para adultos. O que ele diz n\u00e3o tem fundamento nem psicol\u00f3gico nem hist\u00f3rico. N\u00e3o posso deixar de criticar as suas ideias. S\u00e3o completamente inadequadas, imaturas. Faltou-lhe consci\u00eancia cr\u00edtica, para escrever coisas t\u00e3o s\u00e9rias sem um fundamento seja psicol\u00f3gico ou hist\u00f3rico-existencial. A Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o manipulou de maneira nenhu-ma os evangelhos. O \u201cC\u00f3digo\u201d livro \u00e9 um exerc\u00edcio de fantasia, ao dizer que Jo\u00e3o, na \u00daltima Ceia (quadro de Da Vinci), na verdade \u00e9 Maria Madalena disfar\u00e7ada. N\u00e3o estou a defender a Igreja Cat\u00f3lica. Na minha opini\u00e3o, o livro \u00e9 Harry Potter para adultos. Faltou sabedoria, consci\u00eancia cr\u00edtica e consist\u00eancia psicol\u00f3gica para expor de maneira t\u00e3o superficial um assunto t\u00e3o s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Viu a \u201cPaix\u00e3o de Cristo\u201d [filme de Mel Gibson]?<\/p>\n<p> Mel Gibson \u00e9 um profissional do cinema e especialista em viol\u00eancia. Pegou no lado em que Jesus passou pelo terror, pela viol\u00eancia e pela tortura e exaltou esse lado. Ainda que muito do que ele disse tivesse acontecido, perdeu uma ocasi\u00e3o preciosa para exaltar a sabedoria de Cristo, a sua intelig\u00eancia, a sua maturidade nos focos de tens\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Augusto Cury, autor da &#8220;An\u00e1lise da Intelig\u00eancia de Cristo&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-16502","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16502\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}