{"id":16510,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16510"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"da-seca-ao-bue-totil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/da-seca-ao-bue-totil\/","title":{"rendered":"Da &#8220;seca&#8221; ao &#8220;bu\u00e9 totil&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje <!--more--> Normalmente, o t\u00edtulo surge-nos no final do artigo, da cr\u00f3nica, ou da reportagem. Este, por\u00e9m, imp\u00f4sse-me, quando andava a congeminar no que iria trazer hoje, aqui, \u00e0 reflex\u00e3o. <\/p>\n<p>Da \u201cseca\u201d, reconhece-se a express\u00e3o na boca de muita gente, para afirmar que algo n\u00e3o agrada \u2013 \u201cQue seca!\u201d Na Escola, ou \u00e9 porque as aulas s\u00e3o uma \u201cseca\u201d e a mat\u00e9ria dada num ciclo \u00e9 repetida nos subsequentes; ou \u00e9 porque os professores s\u00e3o \u201ccotas\u201d ou \u201csemi-cotas\u201d e s\u00f3 implicam com os alunos; ou \u00e9 porque os alunos (e os professores) t\u00eam os seus problemas e n\u00e3o encontram ningu\u00e9m que os ajude. Ou ent\u00e3o \u00e9 simplesmente um bord\u00e3o pr\u00f3prio da irrever\u00eancia de alguns, que n\u00e3o afecta o seu rendimento escolar, ou a sua rela\u00e7\u00e3o com os outros. <\/p>\n<p>Dos professores implicativos, e ainda bem que os h\u00e1, porque \u00e9 preciso implicar, n\u00e3o para gerar conflito, mas para criar muitas vezes atitudes de aten\u00e7\u00e3o face ao que \u00e9 importante na VIDA, muito se poderia dizer. Um exemplo concreto: na sala de aula, s\u00e3o cada vez mais frequentes imprevistos, como os alunos a brincarem com os telem\u00f3veis ou os pais a telefonarem, para darem um qualquer recado aos filhos. Mas\u2026 ser\u00e1 que os pais n\u00e3o sabem o hor\u00e1rio dos filhos e t\u00eam de interromper as aulas? Sim, tamb\u00e9m h\u00e1 professores cujos telem\u00f3veis tocam na sala de aula, o que os deixa encavacados, espera-se. Quando se chama a aten\u00e7\u00e3o de um aluno que brinca com o telem\u00f3vel, h\u00e1 quem fique zangado, porque o professor est\u00e1 sempre a implicar com ele! Desde que vi, na semana passada, uma menina de uns seis anos a jogar no telem\u00f3vel durante toda a Missa, ao lado da m\u00e3e, que nunca lhe chamou a aten\u00e7\u00e3o, que nunca lhe tirou o aparelho e que s\u00f3 o arrumou, ela pr\u00f3pria, a m\u00e3e, quando terminou a Celebra\u00e7\u00e3o, percebi por que \u00e9 que alguns alunos ficam admirados quando os professores lhes dizem que n\u00e3o devem brincar com os telem\u00f3veis na aula. Com todo o respeito que nos merece a Celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, tamb\u00e9m nas aulas e noutras circunst\u00e2ncias o uso do telem\u00f3vel parece ser um abuso, um absurdo!<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 ideia da \u201cseca\u201d, ela surge metaforicamente, muitas vezes, como express\u00e3o de sentimentos mais profundos de falta de confian\u00e7a em si pr\u00f3prio e, sobretudo, de desinteresse. Compreende-se que ter 12 anos e estar no 5\u00ba ano com colegas de dez anos, ou estar no 7\u00ba ano, aos 15 anos, com colegas de 12, pode tornar-se uma \u201cseca\u201d. Normalmente, a atitude face ao estudo \u00e9 de desinteresse, e s\u00f3 com muitas estrat\u00e9gias, que passam pela afectividade e pela imposi\u00e7\u00e3o de regras justas, \u00e9 que se consegue cativar esses alunos. Quando a \u201cseca\u201d \u00e9 a base do vocabul\u00e1rio dos alunos, j\u00e1 para n\u00e3o falar do \u201cN\u00e3o sei! Sei l\u00e1! N\u00e3o me apetece!\u201d, h\u00e1 muito que fazer. Felizmente, alguns conseguem dar a volta por cima, quase sempre com o suporte da fam\u00edlia, do Gabinete de Psicologia da Escola e dos seus Professores. <\/p>\n<p>Mas as actividades que alguns consideram uma \u201cseca\u201d s\u00e3o \u201cbu\u00e9\u201d engra\u00e7adas para outros. At\u00e9 mesmo \u201cbu\u00e9 totil\u201d. Se a primeira express\u00e3o foi repescada da linguagem associada ao clima, expressando a ideia de ma\u00e7ada, importuna\u00e7\u00e3o, estopada, \u201cbu\u00e9 totil\u201d \u00e9 uma conjuga\u00e7\u00e3o do adv\u00e9rbio angolano, que significa muito, com o neologismo totil dos programas de anima\u00e7\u00e3o de uma esta\u00e7\u00e3o privada de televis\u00e3o. Estas duas palavras conjugadas originam uma exclama\u00e7\u00e3o de superlativo agrado. <\/p>\n<p>O que \u00e9 certo \u00e9 que os \u201cbu\u00e9 totil\u201d s\u00e3o muito mais en\u00e9rgicos do que os que consideram tudo uma \u201cseca\u201d. Os primeiros s\u00e3o entusiasmados por natureza, t\u00eam uma curiosidade inata, est\u00e3o \u00e1vidos do conhecimento e da cultura. Deixam-se inflamar pelas actividades mais simples, transformam tudo numa campanha de aprendizagem. <\/p>\n<p>Uns e outros s\u00e3o como s\u00e3o e convivem nas Escolas, gerindo amizades e aprendizagens, amores e desamores, sil\u00eancios e afectos. Todos \u00e1vidos de aprender e ser algu\u00e9m na vida, alguns j\u00e1 desiludidos, mas ainda t\u00e3o novos, outros, muitos, apostados com entusiasmo na VIDA, porque ela \u00e9 \u201cbu\u00e9 totil\u201d!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16510","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16510\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}