{"id":16512,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16512"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"pobreza-das-pobrezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pobreza-das-pobrezas\/","title":{"rendered":"Pobreza das pobrezas"},"content":{"rendered":"<p>A nossa maior pobreza n\u00e3o \u00e9, de modo algum, a dificuldade de atrair o investimento, a lentid\u00e3o em aumentar o produto interno bruto, a incapacidade de controlar e diminuir a despesa do estado, a impossibilidade de invers\u00e3o da tend\u00eancia do aumento de desemprego&#8230; O futuro de um pa\u00eds ganha-se pela educa\u00e7\u00e3o. E a pobreza das pobrezas que vivemos \u00e9 o d\u00e9fice educativo e o desconcerto em tra\u00e7ar pol\u00edticas educativas, acima das querelas partid\u00e1rias, para al\u00e9m dos interesses instalados, que garantam um empenho de todos e cada um na causa comum.<\/p>\n<p>1 &#8211; O primeiro ind\u00edcio dessa pobreza \u00e9 a incapacidade de reconhecer a pessoa humana como fonte inspiradora e objectivo final de toda a iniciativa, do estado como da sociedade civil. S\u00f3 pela rela\u00e7\u00e3o \u00e9 que o indiv\u00edduo se torna pessoa. Qualquer proposta, qualquer programa, se n\u00e3o cont\u00e9m um dinamismo que estabele\u00e7a e fortale\u00e7a rela\u00e7\u00f5es, em vez de as debilitar e diluir, n\u00e3o \u00e9 uma promessa v\u00e1lida para uma na\u00e7\u00e3o que necessita de se reencontrar como comunidade, de diferentes mas iguais.<\/p>\n<p>2 &#8211; O quadro de valores end\u00f3genos, estruturantes da pessoa, n\u00e3o se desenha, n\u00e3o encontra referenciais, porque, quando se prop\u00f5em, todos os que se prop\u00f5em s\u00e3o recusados como inger\u00eancias ex\u00f3genas, limitadoras da liberdade. Consuma-se progressivamente uma pol\u00edtica de terra queimada, resultante de um relativismo generalizado e progressivo, que torna cada um \u00e1rbitro de si mesmo, medida de verdade, padr\u00e3o e juiz do pr\u00f3prio comportamento. <\/p>\n<p>3 &#8211; Nem aquilo que poderia ser uma inebriante respira\u00e7\u00e3o transformadora &#8211; a leitura de uma obra exemplar, a escuta de um guru reconhecido, a aprecia\u00e7\u00e3o de consagradas obras de arte, a audi\u00e7\u00e3o de narrativas musicais de itiner\u00e1rio, o saborear do sil\u00eancio interpelante&#8230; faz parte do curr\u00edculo dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, integras as reuni\u00f5es de fam\u00edlia, tem lugar nos passatempos pessoais.<\/p>\n<p>4 &#8211; Sobrariam os espa\u00e7os educativos complementares &#8211; as escolas, as igrejas,as associa\u00e7\u00f5es, os grupos&#8230; &#8211; que se omitem, t\u00eam a mesma limita\u00e7\u00e3o de horizontes, ou encontram uma cultura da resist\u00eancia, que recusa toda a forma de interroga\u00e7\u00e3o e de busca de sentido. Sim, \u00e9 essa a pobreza das pobrezas: n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o, deixou de haver espa\u00e7o, para as quest\u00f5es de sentido, para as interroga\u00e7\u00f5es sobre a vida, o homem, o mundo, o pr\u00f3prio Deus. <\/p>\n<p>Com a coloniza\u00e7\u00e3o da vida humana pelo econ\u00f3mico e tecnol\u00f3gico, tornou-se insignificante o sentido e o valor da pr\u00f3pria pessoa. As ci\u00eancias humanas n\u00e3o conseguem ombrear com a avalanche de administrativas e tecnol\u00f3gicas! <\/p>\n<p>Esta \u00e9 a invers\u00e3o que urge programar e for\u00e7ar. Essa \u00e9 a riqueza que trar\u00e1 consigo todas as riquezas por que ansiamos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nossa maior pobreza n\u00e3o \u00e9, de modo algum, a dificuldade de atrair o investimento, a lentid\u00e3o em aumentar o produto interno bruto, a incapacidade de controlar e diminuir a despesa do estado, a impossibilidade de invers\u00e3o da tend\u00eancia do aumento de desemprego&#8230; O futuro de um pa\u00eds ganha-se pela educa\u00e7\u00e3o. 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