{"id":16540,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16540"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"politica-dois-conceitos-uma-atitude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/politica-dois-conceitos-uma-atitude\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica, dois conceitos, uma atitude"},"content":{"rendered":"<p>Um grande papa, Paulo VI, que foi tamb\u00e9m um grande humanista, referia-se \u00e0 pol\u00edtica como uma \u201carte nobre\u201d. Um dos nossos romancistas do s\u00e9culo XIX deixou, para o tempo, a express\u00e3o \u201ca porca da pol\u00edtica\u201d, que continua a repetir-se por a\u00ed, hoje como ontem. Duas \u00f3pticas diferentes. Uma, apontando a refer\u00eancia dignificante de uma actividade indispens\u00e1vel ao pa\u00eds e aos cidad\u00e3os. Outra, fazendo um ju\u00edzo acre de comportamentos pessoais e de grupos, mais voltados para os seus interesses e manobras, que para o servi\u00e7o da comunidade. A realidade, por\u00e9m, n\u00e3o deve matar a utopia.<\/p>\n<p>O romancista \u00e9 mais repetido e citado do que o papa. Ou porque h\u00e1 pol\u00edticos hoje que s\u00e3o repetidores dos colegas de antanho; ou porque se reflecte pouco sobre a actividade pol\u00edtica, a sua natureza e miss\u00e3o; ou porque muitos, de quem o pa\u00eds precisa, n\u00e3o encontram na ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica est\u00edmulo para o seu empenhamento; ou, ainda, pela superficialidade que nos caracteriza em muitos aspectos pessoais e nacionais.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, falar da pol\u00edtica como \u201carte nobre\u201d, e assim continua a pensar e a falar a Igreja, \u00e9 correr o risco de se considerar a afirma\u00e7\u00e3o como uma opini\u00e3o tola, rid\u00edcula e cada dia contraditada. De muitas maneiras. Como neste campo o est\u00edmulo para mudar a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito d\u00e9bil, a opini\u00e3o de quem opta pela positiva exigente ser\u00e1 sempre d\u00e9bil, segundo o parecer generalizado da maioria das pessoas. <\/p>\n<p>A democracia tem fragilidades, muito especialmente quando a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os tem de se processar num circuito fechado, como \u00e9 normalmente o dos partidos pol\u00edticos. Muita gente v\u00e1lida fica de fora e o ju\u00edzo popular, acerca da vida do pa\u00eds e de quem o governa, \u00e9 quase sempre limitado \u00e0 observa\u00e7\u00e3o ligeira dos que actuam \u00e0 boca do palco. As coisas positivas e v\u00e1lidas, que tamb\u00e9m as h\u00e1, depressa s\u00e3o esquecidas ou cobertas pelo v\u00e9u sujo de quem s\u00f3 v\u00ea as apar\u00eancias e s\u00f3 tem preconceitos.<\/p>\n<p>A ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de ser apreciada em todos os seus aspectos. Na hora das op\u00e7\u00f5es s\u00f3 os esp\u00edritos manique\u00edstas n\u00e3o t\u00eam d\u00favidas. Para eles \u00e9 tudo f\u00e1cil: os seus nunca t\u00eam defeitos e os outros nunca t\u00eam m\u00e9ritos.<\/p>\n<p>Para os que pensam com mais objectividade no presente e no futuro do pa\u00eds, o momento das elei\u00e7\u00f5es \u00e9 de grande perplexidade. E j\u00e1 n\u00e3o falta gente a dizer que n\u00e3o vai votar ou que votar\u00e1 em branco. Penso que ningu\u00e9m se deveria omitir do dever de votar. O voto \u00e9 a arma dos cidad\u00e3os. H\u00e1 que us\u00e1-la e saber us\u00e1-la. Na perplexidade da escolha, o bem poss\u00edvel ser\u00e1 sempre o menos mal. S\u00f3 por essa via se poder\u00e1 conseguir alguma coisa de bom, e n\u00e3o interromper, o que \u00e9 muito importante, o percurso longo e penoso que leva o pa\u00eds \u00e0 maturidade democr\u00e1tica e os partidos pol\u00edticos a perceber os avisos que lhes s\u00e3o enviados pelos eleitores. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m eu n\u00e3o vejo claro, mas irei votar. N\u00e3o votar \u00e9 abdicar, \u00e9 outra forma de irresponsabilidade, porque \u00e9 alhear-se, inutilmente, de algo que diz respeito a todos. \u00c9 esquecer que a perfei\u00e7\u00e3o s\u00f3 existe como projecto cont\u00ednuo, nunca como realiza\u00e7\u00e3o consumada. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grande papa, Paulo VI, que foi tamb\u00e9m um grande humanista, referia-se \u00e0 pol\u00edtica como uma \u201carte nobre\u201d. Um dos nossos romancistas do s\u00e9culo XIX deixou, para o tempo, a express\u00e3o \u201ca porca da pol\u00edtica\u201d, que continua a repetir-se por a\u00ed, hoje como ontem. 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