{"id":16567,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16567"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"construir-a-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/construir-a-memoria\/","title":{"rendered":"Construir a Mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje <!--more--> \u201cPorque escrevo? Talvez para n\u00e3o enlouquecer. Para arranc\u00e1-los do esquecimento. E ajudar assim os mortos a vencerem a morte.\u201d  <\/p>\n<p>Elie Wiesel*<\/p>\n<p>Bigs, Quintas, Ilhas e outros que tais s\u00e3o programas que hoje contribuem para a constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria colectiva do povo portugu\u00eas. A vida \u00e9 a\u00ed apresentada como se de uma novela se tratasse (Neste rol, n\u00e3o esque\u00e7amos as telenovelas. Mas sabemos que essas s\u00e3o fic\u00e7\u00e3o.), na maior parte das vezes protagonizada por valores discut\u00edveis, como o da fama e notoriedade a todo o custo. E o p\u00fablico adopta o tique de fulano, o coment\u00e1rio de sicrano e a atitude de beltrano. Nada contra quem v\u00ea e faz mem\u00f3ria colectiva por a\u00ed, se \u00e9 que faz! Mas lamento que a televis\u00e3o n\u00e3o ajude a construir Mem\u00f3ria nos canais generalistas. <\/p>\n<p>H\u00e1 uns 20 anos atr\u00e1s, v\u00edamos filmes e document\u00e1rios hist\u00f3ricos. Via-se e formava-se uma opini\u00e3o. Percebia-se que n\u00e3o era fic\u00e7\u00e3o, sabia-se que o argumento se baseava na vida real de milhares de judeus e de outros perseguidos, torturados e gaseados em campos da Alemanha nazi. <\/p>\n<p>Estamos em 2005, ano em que se comemora o 60\u00ba anivers\u00e1rio da liberta\u00e7\u00e3o do Campo de Concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau, na Pol\u00f3nia, a 27 de Janeiro. Nos telejornais portugueses, pouco se fala do assunto. Pelo contr\u00e1rio, os telejornais franceses, por exemplo, abundam em reportagens, talvez por milhares de franceses terem perecido durante a Segunda Guerra Mundial. No alinhamento de filmes e programas nas quatro televis\u00f5es portuguesas, a que se tem acesso sem encargos de cabos, pouco relevo se d\u00e1 a este acontecimento. \u00c9 pois de estranhar que alunos de 18 anos hesitem em identificar uma personalidade como Hitler? Sim, h\u00e1 quem n\u00e3o saiba bem de que \u201clado\u201d estava, se do dos alem\u00e3es, se do dos judeus. Diga-se, em abono da verdade, que qualquer pessoa que fa\u00e7a hoje o nono ano deve ter esta \u201cmat\u00e9ria\u201d sabida. Parece-me que o problema n\u00e3o est\u00e1 propriamente na mat\u00e9ria estudada nas aulas (com todas as conting\u00eancias a elas aliadas e que n\u00e3o se discutem aqui, hoje), mas sim no perpetuar de uma mem\u00f3ria colectiva que outros meios tamb\u00e9m devem garantir. <\/p>\n<p>Hoje, a Mem\u00f3ria paga-se na televis\u00e3o, no acesso a canais privados (SICs e RTP Mem\u00f3ria). Nos generalistas, constr\u00f3i-se outra mem\u00f3ria com indiv\u00edduos de que poucos ouviram falar, mas de que todos falam, porque o 4\u00ba poder (mass media) se sobrep\u00f4s aos outros. <\/p>\n<p>A liberta\u00e7\u00e3o do campo de Auschwitz-Birkenau n\u00e3o ser\u00e1 uma data a reter na Mem\u00f3ria de toda a Humanidade? H\u00e1 ainda hoje sobreviventes desse e de outros campos da Segunda Guerra Mundial, testemunhos vivos das atrocidades ent\u00e3o cometidas. H\u00e1, hoje e sempre, obras, como o Di\u00e1rio de Anne Frank, uma das mais lidas de todos os tempos, que perpetuam a Mem\u00f3ria. Mem\u00f3ria que tem de ser conservada. <\/p>\n<p>Por tudo isto, a Escola tem de contribuir cada vez mais para formar a Mem\u00f3ria colectiva, para que a Mem\u00f3ria permane\u00e7a, quer atrav\u00e9s da disciplina de Hist\u00f3ria, quer pelas outras em que se capta a aten\u00e7\u00e3o para Obras, situa\u00e7\u00f5es actuais e acontecimentos passados. E tamb\u00e9m pelas mat\u00e9rias, pelos autores que se l\u00eaem (para que se n\u00e3o diga que Garrett  \u2014 1799-1854 \u2014 \u201cn\u00e3o foi muito importante no panorama liter\u00e1rio portugu\u00eas.\u201d \u2013 Estranhou? N\u00e3o estranhe! Onde est\u00e3o as comemora\u00e7\u00f5es do 150 anos da morte do introdutor do Romantismo em Portugal?) e ainda pelos trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o, em \u00c1reas de Projecto, em Projectos Europeus ou em Projectos Nacionais. <\/p>\n<p>* O escritor Elie Wiesel foi Pr\u00e9mio Nobel da Paz em 1986. Sobrevivente de Auschwitz, testemunhou a barb\u00e1rie no seu livro Palavras de Estrangeiro. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Educar&#8230; hoje<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16567","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16567"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16567\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}