{"id":16572,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16572"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"e-ele-a-vida-e-a-longevidade-dos-teus-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-ele-a-vida-e-a-longevidade-dos-teus-dias\/","title":{"rendered":"\u00c9 Ele &#8220;a vida e a longevidade dos teus dias&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem do Papa Jo\u00e3o Paulo II para a Quaresma de 2005 <!--more--> Car\u00edssimos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s!<\/p>\n<p>1. Todos os anos a Quaresma se apresenta como um tempo prop\u00edcio para intensificar a nossa ora\u00e7\u00e3o e penit\u00eancia, abrindo o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00f3cil aceita\u00e7\u00e3o da vontade divina. Nela, \u00e9-nos indicado um percurso espiritual que nos prepara para reviver o grande mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, sobretudo mediante a escuta mais ass\u00eddua da Palavra de Deus e a pr\u00e1tica mais generosa da mortifica\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 qual podemos ajudar em maior medida o pr\u00f3ximo necessitado.<\/p>\n<p>Este ano, desejo propor \u00e0 vossa aten\u00e7\u00e3o, car\u00edssimos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s, um tema actual como nunca, muito bem ilustrado pelos seguintes vers\u00edculos do Deuteron\u00f3mio: \u00c9 Ele \u201ca vida e a longevidade dos teus dias\u201d (30, 20). S\u00e3o palavras que Mois\u00e9s dirige ao povo, para o convidar a estabelecer uma alian\u00e7a com Jav\u00e9 no pa\u00eds de Moab, \u201ce ent\u00e3o viver\u00e1s tu e a tua posteridade. Ama o Senhor, teu Deus, escuta a Sua voz e permanece-Lhe fiel\u201d (30, 19-20). A fidelidade a esta alian\u00e7a divina constitui para Israel a garantia do futuro, \u201cpara poder viver na terra que o Senhor jurou dar aos teus antepassados, Abra\u00e3o, Isaac e Jacob\u201d (30, 20). Alcan\u00e7ar a idade madura, na vis\u00e3o b\u00edblica, \u00e9 sinal da benevol\u00eancia aben\u00e7oada do Alt\u00edssimo. Desta forma, a longevidade apresenta-se como um especial dom divino.<\/p>\n<p>Gostaria de convidar a reflectir sobre este tema durante a Quaresma, para aprofundar a consci\u00eancia do papel que os idosos est\u00e3o chamados a desempenhar na sociedade e na Igreja, e dispor assim o cora\u00e7\u00e3o para o acolhimento amoroso que lhes deve ser sempre reservado. Na sociedade de hoje, gra\u00e7as tamb\u00e9m ao contributo da ci\u00eancia e da medicina, assiste-se a um prolongamento da vida humana e a um consequente incremento do n\u00famero dos anci\u00e3os. Isto exige que se dedique uma aten\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica ao mundo da chamada \u201cterceira\u201d idade, para ajudar os componentes a viver plenamente as suas capacidades, pondo-as ao servi\u00e7o de toda a comunidade. A assist\u00eancia aos idosos, sobretudo quando passam por momentos dif\u00edceis, deve ser preocupa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, especialmente nas Comunidades eclesiais das sociedades ocidentais, onde o problema est\u00e1 particularmente presente.<\/p>\n<p>2. A vida do homem \u00e9 um dom precioso que se deve amar e defender em todas as suas fases. O mandamento \u201cN\u00e3o matar\u00e1s!\u201d pede que ela seja respeitada e defendida sempre, desde o seu in\u00edcio at\u00e9 ao seu fim natural. \u00c9 um mandamento que \u00e9 v\u00e1lido tamb\u00e9m na presen\u00e7a de doen\u00e7as, e quando o enfraquecimento das for\u00e7as limita o ser humano nas suas capacidades de autonomia. Se o envelhecimento, com os seus inevit\u00e1veis condicionamentos, for aceite com serenidade \u00e0 luz da f\u00e9, pode tornar-se ocasi\u00e3o preciosa para compreender melhor o mist\u00e9rio da Cruz, que d\u00e1 sentido pleno \u00e0 exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p>O idoso tem necessidade de ser compreendido e ajudado nesta perspectiva. Desejo expressar aqui o meu apre\u00e7o a todos os que se comprometem para ir ao encontro destas exig\u00eancias e exorto tamb\u00e9m outras pessoas de boa vontade a aproveitar o tempo da Quaresma para dar o seu contributo pessoal. Isto permitir\u00e1 que muitos idosos n\u00e3o se sintam um peso para a comunidade e, por vezes, para as pr\u00f3prias fam\u00edlias, numa situa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o que os exp\u00f5e \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do fechamento e do des\u00e2nimo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso fazer crescer na opini\u00e3o p\u00fablica a consci\u00eancia de que os anci\u00e3os constituem, em qualquer caso, um recurso que deve ser valorizado. Por conseguinte, devem ser incrementados os apoios econ\u00f3micos e as iniciativas legislativas que lhes permitam n\u00e3o ser exclu\u00eddos da vida social. Na verdade, nos \u00faltimos dec\u00e9nios, a sociedade tornou-se mais atenta \u00e0s suas exig\u00eancias, e a medicina desenvolveu curas paliativas que, com uma aproxima\u00e7\u00e3o integral do doente, se demonstram particularmente ben\u00e9ficas para quem permanece longamente hospitalizado.<\/p>\n<p>3. O maior tempo dispon\u00edvel nesta fase da exist\u00eancia oferece \u00e0s pessoas idosas a oportunidade de se confrontarem com interrogativos fundamentais, que talvez tenham sido descuidados antes, devido a interesses urgentes ou, contudo, considerados priorit\u00e1rios. A consci\u00eancia da proximidade da meta final leva o idoso a concentrar-se sobre o que \u00e9 essencial, dando import\u00e2ncia \u00e0quilo que o passar dos anos n\u00e3o destr\u00f3i.<\/p>\n<p>Precisamente devido a esta sua condi\u00e7\u00e3o, o idoso pode desempenhar um papel na sociedade. Se \u00e9 verdade que o homem vive da heran\u00e7a de quem o precedeu e o seu futuro depende de modo determinante da forma como s\u00e3o transmitidos os valores da cultura do povo ao qual pertence, a sabedoria e a experi\u00eancia dos anci\u00e3os podem iluminar o seu caminho pela via do progresso, rumo a uma forma de civiliza\u00e7\u00e3o cada vez mais completa.<\/p>\n<p>Como \u00e9 importante este rec\u00edproco enriquecimento entre as diversas gera\u00e7\u00f5es! A Quaresma, com o seu forte convite \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 solidariedade, leva-nos, este ano, a focalizar estas importantes tem\u00e1ticas que dizem respeito a todos. Que aconteceria se o Povo de Deus cedesse a uma certa mentalidade corrente, que considera quase in\u00fateis estes nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, quando s\u00e3o limitados nas suas capacidades pelas dificuldades da idade ou pela doen\u00e7a? Ao contr\u00e1rio, como ser\u00e1 diferente a comunidade, come\u00e7ando pela fam\u00edlia, se procurar manter-se sempre aberta e acolhedora em rela\u00e7\u00e3o a eles!<\/p>\n<p>4. Car\u00edssimos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s, durante a Quaresma, ajudados pela Palavra de Deus, reflictamos sobre a import\u00e2ncia de que cada Comunidade acompanhe com uma compreens\u00e3o amorosa todos os que envelhecem. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio habituar-se a pensar com confian\u00e7a no mist\u00e9rio da morte, para que o encontro definitivo com Deus se realize num clima de paz interior, conscientes de que quem nos acolhe \u00e9 Aquele que \u201cnos teceu no seio materno\u201d (cf. Sl 139, 13b) e nos quis \u201c\u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a\u201d (cf. Gn 1, 26).<\/p>\n<p>Maria, nossa guia no itiner\u00e1rio quaresmal, fa\u00e7a com que todos os crentes, especialmente os anci\u00e3os, cheguem a um conhecimento cada vez mais profundo de Cristo morto e ressuscitado, que \u00e9 a raz\u00e3o derradeira da nossa exist\u00eancia. Que ela, a fiel serva do seu Filho divino, juntamente com os Santos Ana e Joaquim, interceda por todos n\u00f3s \u201cagora e na hora da nossa morte\u201d.<\/p>\n<p>Concedo a todos a minha B\u00ean\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>JO\u00c3O PAULO II<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Papa Jo\u00e3o Paulo II para a Quaresma de 2005<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-16572","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16572"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16572\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}