{"id":16600,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16600"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"tera-sido-mesmo-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tera-sido-mesmo-assim\/","title":{"rendered":"Ter\u00e1 sido mesmo assim?"},"content":{"rendered":"<p>Cartas dos Leitores <!--more--> No n\u00ba do Correio do Vouga de 19 de Janeiro, vinha escrito na 1\u00aa p\u00e1gina \u201cMuitos cat\u00f3licos aprenderam o Credo ao lerem a fachada da nossa igreja\u201d, referindo que esta frase ou informa\u00e7\u00e3o fora dita pelo pastor Eduardo Conde de Almeida, durante a visita guiada ao templo da sua Confiss\u00e3o, a Metodista, em Aveiro, (na rua Oudinot), acompanhando o jornalista entrevistador. Aquela mesma frase aparece novamente impressa em letras gordas numa das p\u00e1ginas centrais, a n\u00ba 8.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o dois reparos a esta not\u00edcia: o primeiro \u00e9 que custa-me a imaginar ver alguns, \u2018muitos\u2019, segundo o pastor-guia, \u2018cat\u00f3licos\u2019 a pararem em frente \u00e0 igreja referida para lerem, at\u00e9 decorarem, aquela f\u00f3rmula do Credo, chamado \u2018dos Ap\u00f3stolos\u2019, que ainda \u00e9 relativamente longa. Pararem e lerem (cat\u00f3licos ou n\u00e3o), admito, pois eu pr\u00f3prio tamb\u00e9m parei e li, quando por l\u00e1 passei a 1\u00aa vez, depois de colocado aquele painel de azulejo com o texto na fachada daquela igreja. Como s\u00e3o muito raras as pessoas que conseguem decorar, lendo s\u00f3 uma vez (uma dessas mem\u00f3rias prodigiosas capaz disso era a do Sr. D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, segundo dizem pessoas que privaram com ele), a minha intelig\u00eancia n\u00e3o consegue acreditar na veracidade de tal informa\u00e7\u00e3o, por mais que a minha vontade esteja integrada no movimento ecum\u00e9nico. <\/p>\n<p>Um segundo reparo \u00e9 ser dito que foram \u2018muitos os cat\u00f3licos\u2019. Como ter\u00e1 sido feita a contagem, por ele ou por outrem, para concluir que foram \u2018muitos\u2019? E \u2018muitos\u2019 quer dizer aproximadamente quantos? Meia d\u00fazia, meia centena, algumas centenas?!<\/p>\n<p>Uma dificuldade teriam encontrado esses \u2018muitos cat\u00f3licos\u2019: se continuavam a assistir ou participar em alguns actos religiosos cat\u00f3licos, por exemplo, a missa, e se nesta se recitasse o Credo (o que acontece sempre ao domingo), e em portugu\u00eas (o que acontece desde 1993, com a reforma lit\u00fargica do Conc\u00edlio do Vaticano II, em que passou a usar-se a l\u00edngua materna em vez do latim), e na f\u00f3rmula do chamado \u2018Credo ou S\u00edmbolo dos Ap\u00f3stolos\u2019, logo dariam conta que a f\u00f3rmula do Credo a\u00ed proclamada n\u00e3o era bem igual \u00e0 do painel da igreja metodista. E sendo a da Igreja Cat\u00f3lica que eles ouviam recitar, ainda que a n\u00e3o recitassem, era esta que eles iam aprendendo; e era tamb\u00e9m esta que eles tinham aprendido na catequese. (Porque se tinham andado algum tempo na catequese, sempre teriam aprendido o Credo!) E a f\u00f3rmula que se ensina na catequese, em Portugal, (e em portugu\u00eas, desde o princ\u00edpio do s\u00e9culo XV), \u00e9 a da Igreja Cat\u00f3lica, que, embora com algumas, ligeiras, modifica\u00e7\u00f5es, no decorrer do tempo, para maior precis\u00e3o do significado das palavras, dada a evolu\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, sempre foi a usada por esta mesma Igreja. Se esses \u2018muitos cat\u00f3licos\u2019 tinham passado para a Igreja metodista, e nela passaram a assistir aos seus actos de culto, j\u00e1 n\u00e3o se poder\u00e1 dizer que eram \u2018cat\u00f3licos\u2019.<\/p>\n<p>Acho que o movimento ecum\u00e9nico n\u00e3o ser\u00e1 muito ajudado com informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sejam muito ou nada correctas ou exactas. <\/p>\n<p>Por outro lado, o Jornal, ao referir uma frase ou informa\u00e7\u00e3o do pastor-guia, que facilmente se via que n\u00e3o podia ser exacta, embarcou, neste caso, num crit\u00e9rio de jornalismo, que eu considero de sensacionalista, e colocou essa frase, logo na 1\u00aa p\u00e1gina do Jornal e, pior ainda (no meu crit\u00e9rio, claro!), em letras gordas numa das p\u00e1ginas centrais. Considero que os assinantes e leitores deste t\u00eam direito a que o jornal que pagam lhes forne\u00e7a uma informa\u00e7\u00e3o o mais exacta e objectiva poss\u00edvel, ainda que n\u00e3o encha a vista.<\/p>\n<p>Padre Belinquete (padre cat\u00f3lico, da diocese de Aveiro)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartas dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-16600","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16600"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16600\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}