{"id":16601,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16601"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"os-catolicos-ja-nao-tem-receio-em-aprender-com-os-protestantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-catolicos-ja-nao-tem-receio-em-aprender-com-os-protestantes\/","title":{"rendered":"Os cat\u00f3licos j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam receio em aprender com os protestantes"},"content":{"rendered":"<p>1. O Pastor Eduardo Conde de Almeida afirmou que muitos cat\u00f3licos lhe tinham dito que aprenderam o Credo dos Ap\u00f3stolos ao lerem a fachada da Igreja Evang\u00e9lica Metodista de Aveiro. A afirma\u00e7\u00e3o revela, antes de mais, que muitos cat\u00f3licos n\u00e3o t\u00eam qualquer receio em dizer ao pastor protestante que andam a aprender com a igreja dele. Isso, sim, \u00e9 ecumenismo. E faz da frase uma afirma\u00e7\u00e3o suficientemente forte para ser t\u00edtulo.<\/p>\n<p>2. Pessoalmente, n\u00e3o me custa aceitar que sejam \u201cmuitos\u201d. Naturalmente, \u201cmuitos\u201d \u00e9 uma medida subjectiva. Mas perguntar, como sugere, \u201cComo ter\u00e1 sido feita a contagem, por ele ou por outrem&#8230;?\u201d, al\u00e9m de ser de uma ironia de mau gosto, revela que n\u00e3o percebeu que a pretens\u00e3o do texto n\u00e3o \u00e9 apresentar dados exactos, mas ouvir o Pastor. Por isso \u00e9 que todo o texto \u00e9 feito de cita\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata de uma investiga\u00e7\u00e3o em que o jornalista tem de ouvir v\u00e1rias partes, mas sim de um testemunho, quase ao jeito das reportagens televisivas em que s\u00f3 se ouvem os protagonistas, enquanto as perguntas ou assuntos sugeridos pelo entrevistador ficam de fora.<\/p>\n<p>3. Ningu\u00e9m disse, por outro lado, que os cat\u00f3licos paravam \u201cem frente \u00e0 Igreja para lerem, at\u00e9 decorarem, aquela f\u00f3rmula\u201d, conforme afirma o Pe Belinquete. \u201cAprender\u201d e \u201cdecorar\u201d n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, como bem sabe. Mas mesmo que alguns cat\u00f3licos tenham decorado o Credo dos Ap\u00f3stolos da fachada, nada obriga a que tenham disposto de uma \u00fanica vez para o fazer (\u201clendo uma s\u00f3 vez\u201d, como afirma). Essas conjecturas s\u00e3o, no m\u00ednimo, rid\u00edculas.<\/p>\n<p>4. Mais preocupantes s\u00e3o as afirma\u00e7\u00f5es que o Pe Belinquete faz no par\u00e1grafo que come\u00e7a por \u201cUma dificuldade teriam encontrado&#8230;\u201d e vai at\u00e9 \u201cj\u00e1 n\u00e3o se poder\u00e1 dizer que eram cat\u00f3licos\u201d. D\u00e1 a entender que pensa que s\u00f3 existe um \u201cCredo\u201d \u2013 o habitualmente rezado na Missa. Quero crer que ou o Pe Belinquete se confundiu, ou eu estou a interpretar mal. Na verdade, o Missal sugere dois credos, o \u201cNiceno-constantinopolitano\u201d (o mais rezado na Missa) e o \u201cS\u00edmbolo dos Ap\u00f3stolos\u201d. Este \u00e9 menos rezado \u2013 sugerido pelo Missal Cat\u00f3lico principalmente para a Quaresma e Tempo Pascal \u2013 e \u00e9 o que est\u00e1 na fachada da Igreja (com pequen\u00edssimas diferen\u00e7as: em vez de \u201cHades\u201d tem \u201cmans\u00e3o dos mortos\u201d e em vez de \u201cressurgiu\u201d tem \u201cressuscitou\u201d).<\/p>\n<p>Contudo, as afirma\u00e7\u00f5es que o Pe Belinquete faz nesse par\u00e1grafo permitem entender a frase do Pastor. \u00c9 que, de facto, durante muito tempo, o Credo Niceno-constanti-nopolitano foi o \u00fanico divulgado entre os cat\u00f3licos na Missa mas em latim, levando a ignorar quase por completo que h\u00e1 o outro, esse sim, conhecido por Credo ou S\u00edmbolo dos Ap\u00f3stolos dado que, embora aprendido na catequese, n\u00e3o se recitava. E muitos crist\u00e3os, principalmente das gera\u00e7\u00f5es mais novas, nunca o aprenderam. Assim se entende que para muitos cat\u00f3licos a fachada da igreja metodista tenha sido uma porta para aprender o Credo dos Ap\u00f3stolos, que \u00e9 perfeitamente ortodoxo e reconhecido por todas as confiss\u00f5es crist\u00e3s.<\/p>\n<p>(A prop\u00f3sito dos s\u00edmbolos niceno-constantinopolitano e dos Ap\u00f3stolos, veja-se a sec\u00e7\u00e3o \u201cO leitor pergunta\u201d. Nesta caso, a quest\u00e3o n\u00e3o veio dos leitores, mas da redac\u00e7\u00e3o. Talvez ajude v\u00e1rios leitores, incluindo o Sr Padre).<\/p>\n<p>5. Ao chamar \u201csensacionalista\u201d a um testemunho (as frases em quest\u00e3o est\u00e3o sempre entre aspas) que n\u00e3o \u00e9 apresentado com as regras do sensacionalismo (tipo e tamanho da letra, cor, imagens, assunto&#8230;), o Pe Belinquete revela desconhecer os g\u00e9neros jornal\u00edsticos. Trata-se, afinal, dos seus crit\u00e9rios, claro. N\u00e3o me parece \u00e9 que sejam os melhores para defender os leitores.<\/p>\n<p>Nota final: O Pe Belinquete refere 1993 como ano em que \u201cpassou a usar-se a l\u00edngua materna em vez do latim\u201d na liturgia. O ano em quest\u00e3o \u00e9 1963. Tratou-se, \u00e9 \u00f3bvio, de um erro. Deix\u00e1mo-lo passar, deliberadamente. Todos damos erros. Felizmente, jornalismo n\u00e3o \u00e9 dogm\u00e1tica.<\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>Director-adjunto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O Pastor Eduardo Conde de Almeida afirmou que muitos cat\u00f3licos lhe tinham dito que aprenderam o Credo dos Ap\u00f3stolos ao lerem a fachada da Igreja Evang\u00e9lica Metodista de Aveiro. 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