{"id":16632,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16632"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"responsabilidades-publicas-comportamentos-privados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/responsabilidades-publicas-comportamentos-privados\/","title":{"rendered":"Responsabilidades p\u00fablicas, comportamentos privados"},"content":{"rendered":"<p>A discuss\u00e3o entre os conceitos \u201cp\u00fablico\u201d e \u201cprivado\u201d, chegou a todas as esferas da vida pessoal e social, tem sido cada vez mais intensa, mas nunca isenta de interroga\u00e7\u00f5es e de consequ\u00eancias, que n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de deitar para debaixo do tapete da mesa do debate. T\u00e3o complexa \u00e9 esta discuss\u00e3o, que as contradi\u00e7\u00f5es de quem nela peleja, se tornam claras aos olhos de todos. Ainda h\u00e1 pouco tempo se eliminou um candidato a comiss\u00e1rio europeu, pelas suas ideias pessoais e, dizia-se, pelo receio da poss\u00edvel influ\u00eancia destas nas suas decis\u00f5es. A mesma gente deste clamor destruidor, diz agora, que ningu\u00e9m tem nada a ver com a vida privada dos pol\u00edticos, o que eles pensam ou como vivem. Tudo independente da sua miss\u00e3o p\u00fablica, o que \u00e9 ou pode vir a ser.<\/p>\n<p>Na minha perspectiva, estamos perante um mundo de confus\u00f5es e arbitrariedades. Porque se trata de tema que anda na rua, achegas para a sua clarifica\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o n\u00e3o prejudicam ningu\u00e9m e n\u00e3o se baralha mais o problema. Talvez at\u00e9 se fa\u00e7a alguma luz no esp\u00edrito daqueles que n\u00e3o t\u00eam medo \u00e0 luz. . .<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que ningu\u00e9m tem direito a julgar ningu\u00e9m ou a entrar no seu mundo interior, e a\u00ed se arvorar sentenciador que condena ou absolve. Por\u00e9m, a consci\u00eancia individual \u00e9 norma de moralidade importante, que tem reflexos exteriores certos. Por isso, ela deve ser formada em bases \u00e9ticas reconhecidas e tendo, como refer\u00eancia, crit\u00e9rios que estimulem, libertem, ajudem a crescer e permitam uma vida sadia e respons\u00e1vel, nas rela\u00e7\u00f5es m\u00fatuas e sociais. <\/p>\n<p>\u201cSer\u201de\u201dser-com-os-outros\u201d s\u00e3o dimens\u00f5es da compreens\u00e3o de cada um de n\u00f3s e sempre, para cada pessoa, elementos constitutivos e insepar\u00e1veis de uma personalidade que se afirma e se manifesta na sua hist\u00f3ria e viv\u00eancia de cidad\u00e3o respons\u00e1vel. H\u00e1 aqui um n\u00f3 que entrela\u00e7a o eu pessoal, relacional e social, que n\u00e3o permite mais, a quem queira viver e conviver de modo digno, edificar um muro de incomunica\u00e7\u00e3o ou de orgulho entre a vida privada e a vida p\u00fablica, ambas dimens\u00f5es da mesma e \u00fanica vida. <\/p>\n<p>O esfor\u00e7o individual de coer\u00eancia \u00e9, por isso mesmo, de respeitar e estimular. Ele \u00e9 indispens\u00e1vel. Quem n\u00e3o faz este esfor\u00e7o, \u00e9 julgador f\u00e1cil dos outros e julga-se modelo, que n\u00e3o \u00e9, nem pode ser, de ningu\u00e9m. H\u00e1 op\u00e7\u00f5es discut\u00edveis, mas leg\u00edtimas, n\u00e3o sendo as mesmas para todos. Nunca, por\u00e9m, devem p\u00f4r a pessoa em contradi\u00e7\u00e3o consigo, nem em tens\u00e3o ou incomunica\u00e7\u00e3o com os outros, como se tudo lhe fosse alheio. <\/p>\n<p>\u201cO que queremos, facilmente o acreditamos\u201d, \u00e9 um ad\u00e1gio que exprime o resvalar inevit\u00e1vel da vida para o terreno alagadi\u00e7o do que simplesmente se gosta. Quando as op\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es  influenciam a vida dos outros, elas n\u00e3o s\u00e3o nunca indiferentes.<\/p>\n<p>Vemos projectos que esboroam a estabilidade da fam\u00edlia, vazio crescente de sentido na vida de muitos jovens, caminhos tortuosos de corrup\u00e7\u00e3o social, ego\u00edsmos pessoais exacerbados, tens\u00f5es pessoais que geram separa\u00e7\u00e3o e morte, invers\u00e3o inaceit\u00e1vel na aprecia\u00e7\u00e3o das pessoas, das coisas e das actividades, leis que s\u00f3 satisfazem grupos aguerridos e teimosos, omiss\u00f5es e ced\u00eancias flagrantes pelo receio de desagradar. N\u00e3o \u00e9 gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, leg\u00edtimo pluralismo, mas a modernidade acr\u00edtica a impor-se. <\/p>\n<p>S\u00f3 respons\u00e1veis, com a vida pessoal eticamente estruturada, s\u00e3o capazes de intervir publicamente, permanecer de p\u00e9 e n\u00e3o andar ao sabor de gostos e press\u00f5es. Para cargos p\u00fablicos, especialmente de primeiro plano, precisa-se de \u201cGente de um s\u00f3 parecer, de um s\u00f3 rosto e de uma s\u00f3 f\u00e9\u201d, como dizia o cl\u00e1ssico. De outro modo, \u201co fraco rei far\u00e1 fraca a forte gente\u201d. Ao povo interessa o que concorre para o seu bem. Isto espelha-se na vida.<\/p>\n<p>Quem aceita ser condutor de outros, tem paredes de vidro e cora\u00e7\u00e3o de carne. Tem de se esfor\u00e7ar para que, na sua vida, o tom d\u00ea com o som. O povo \u00e9 sensato e bom julgador. N\u00e3o entra em discuss\u00f5es de intelectuais, mas n\u00e3o abdica da sua natural sabedoria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A discuss\u00e3o entre os conceitos \u201cp\u00fablico\u201d e \u201cprivado\u201d, chegou a todas as esferas da vida pessoal e social, tem sido cada vez mais intensa, mas nunca isenta de interroga\u00e7\u00f5es e de consequ\u00eancias, que n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de deitar para debaixo do tapete da mesa do debate. 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