{"id":16661,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16661"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"nunca-menos-do-que-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nunca-menos-do-que-isso\/","title":{"rendered":"Nunca menos do que isso"},"content":{"rendered":"<p>Dias Positivos <!--more--> Li algures, num livro de gest\u00e3o, que quando surgiram as primeiras empresas multinacionais os modelos que tinham para se organizarem provinham de dois lados: do ex\u00e9rcito e da Igreja. Com os ex\u00e9rcitos, as empresas aprenderam a forte estrutura de comando. Com a Igreja aprenderam a focaliza\u00e7\u00e3o em objectivos concretos e a dispers\u00e3o organi-zada pelo mundo. Na verdade, a Igreja \u00e9 multinacional desde o \u201cide e anunciai a todos os povos\u201d. E \u00e9 isso que quer dizer \u201ccat\u00f3lica\u201d.<\/p>\n<p>Por ser \u201cm\u00e3e e mestra\u201d, com a Igreja aprende-se muito. Mas quem a constitui \u2013 n\u00f3s \u2013 n\u00e3o se pode apegar a essa express\u00e3o e pensar que est\u00e1 tudo garantido. Se as em-presas aprenderam com a Igreja, hoje \u00e9 tempo de aprender com as empresas. Dou alguns exemplos.<\/p>\n<p>Diz-se, por exemplo: \u201cNa Igreja n\u00e3o somos meros profissionais\u201d. E \u00e9 claro que n\u00e3o. Na Igreja somos irm\u00e3os. Mas quando se trata de servi\u00e7o para os outros, para a comunidade, temos de ser muito mais do que profissionais. Ser profissional \u00e9 o m\u00ednimo exig\u00edvel. E invocar o \u201cn\u00e3o profissionalismo\u201d de quem serve na Igreja (par\u00f3quias, catequeses, jornais ou o que quer que seja) s\u00f3 faz sentido para exigir mais do que isso. Nunca para baixar a bitola da exig\u00eancia.<\/p>\n<p>Diz-se, por exemplo: \u201cA Igreja n\u00e3o \u00e9 uma democracia\u201d. Claro que n\u00e3o. Os dogmas n\u00e3o v\u00e3o a elei\u00e7\u00f5es. Mas o pensar e sentir do povo conta \u2013 tamb\u00e9m para a defini\u00e7\u00e3o de dogmas. A hist\u00f3ria prova-o abundantemente. A Igreja n\u00e3o \u00e9 democracia, porque tem de ser muito mais. Mas os modos de participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, nos nossos n\u00edveis de igreja (grupos, comiss\u00f5es, conselhos&#8230;), t\u00eam todo o cabimento. A discuss\u00e3o aberta e alargada, a circula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, a separa\u00e7\u00e3o de poderes e fun\u00e7\u00f5es, a delimita\u00e7\u00e3o dos poderes no espa\u00e7o e no tempo, a transpar\u00eancia, a presta\u00e7\u00e3o de contas \u2013 tudo caracter\u00edsticas do poder democr\u00e1tico \u2013 s\u00e3o imprescind\u00edveis para melhor ser Igreja. Nunca menos do que isso.<\/p>\n<p>Diz-se, por exemplo: \u201cA Igreja transmite a gra\u00e7a, n\u00e3o produtos de consumo\u201d. Sim, a gra\u00e7a de que ela n\u00e3o \u00e9 dona mas administradora. Acontece \u00e9 que somos consumidores de tudo e tamb\u00e9m de religi\u00e3o. E a gra\u00e7a administra-se pelos servi\u00e7os da Igreja. N\u00e3o s\u00e3o produtos como os outros. Mas, no m\u00ednimo, t\u00eam de ser bons produtos. E a qualidade dos produtos religiosos deixa muito a desejar.<\/p>\n<p>Hoje todas as empresas querem ser certificadas e cumprir as normas de qualidade e de respeito pelo ambiente. Se houvesse normas de qualidade para os produtos religiosos (celebra\u00e7\u00f5es, sacramentos, publica\u00e7\u00f5es, reuni\u00f5es&#8230;), se fossem medidos pelo grau de satisfa\u00e7\u00e3o dos clientes-fi\u00e9is, quantos passariam nos testes?<\/p>\n<p>Bem sei que posso estar a alarmar algum esp\u00edrito com esta \u201ceconomiza\u00e7\u00e3o da f\u00e9\u201d. N\u00e3o \u00e9 disso que se trata. No meio da organiza\u00e7\u00e3o e exig\u00eancia, haver\u00e1 sempre espa\u00e7o para a gratuidade, para a surpresa do Esp\u00edrito. Acontece \u00e9 que se n\u00e3o aumentamos a qualidade daquilo que oferecemos, v\u00e3o procurar noutra loja. E, pior do que isso, estamos a enterrar talentos. E j\u00e1 dev\u00edamos ter aprendido com a par\u00e1bola dos talentos que os maus administradores apanham um pux\u00e3o de orelhas do patr\u00e3o. Nunca menos do que isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias Positivos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16661","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16661"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16661\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}