{"id":16666,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16666"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"democracia-nao-e-anomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/democracia-nao-e-anomia\/","title":{"rendered":"Democracia n\u00e3o \u00e9 anomia"},"content":{"rendered":"<p>1 &#8211; O objectivo primordial de alguns Estados modernos \u00e9 legislar a anomia. Isto \u00e9, a preocupa\u00e7\u00e3o de \u201clibertar\u201d de tudo o que seja regra institucional, o que leva a regulamentar as excep\u00e7\u00f5es, tornando todas as situa\u00e7\u00f5es iguais, as \u201cregulares\u201d e as \u201cn\u00e3o-regulares\u201d. <\/p>\n<p>Ou seja, a pretexto do leg\u00edtimo respeito por todos, por todas as opini\u00f5es, por todas as escolhas, por todas as situa\u00e7\u00f5es, pretende-se \u201clegislar o relativismo absoluto\u201d &#8211; o que quer dizer que cada um, nas suas ideias, nos seus sentimentos, nos seus comportamentos, se torna norma de verdade, sem hip\u00f3tese de uma avalia\u00e7\u00e3o a partir de princ\u00edpios pr\u00e9vios, objectivos, acima de cada um. O que, necessariamente, conduz ao reino sem lei, \u00e0 anomia.<\/p>\n<p>2 &#8211; A primeira consequ\u00eancia \u00e9 a cultura de um individualismo feroz, que nega a ess\u00eancia da pr\u00f3pria pessoa humana: a sua individualidade s\u00f3 se torna pessoa na rela\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havendo regras acima &#8211; melhor ainda, se forem integradoras &#8211; da diversidade de opini\u00f5es, a organiza\u00e7\u00e3o social e a governabilidade tornam-se imposs\u00edveis.<\/p>\n<p>3 &#8211; Significa isto que a democracia tem par\u00e2metros de possibilidade, tem necessidade de limites, de fronteiras. Quando, h\u00e1 alguns anos, um eminente pol\u00edtico da nossa pra\u00e7a reclamava a necessidade de restabelecer o \u201cprest\u00edgio do mestre\u201d e encontrar um qualquer \u201ccatecismo laico\u201d de refer\u00eancia, fazia-o na convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso uma autoridade que conven\u00e7a pela dedica\u00e7\u00e3o e saber e um conjunto de regras que conciliem a individualidade com a rela\u00e7\u00e3o, em ordem a permitir a pluralidade dialogante de grupos e correntes. Enfim, s\u00e3o os limites que poder\u00e3o tornar exequ\u00edvel a sociedade e govern\u00e1vel uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>4 &#8211; Apontava o referido pol\u00edtico alguns \u201cposs\u00edveis\u201d referenciais, que n\u00e3o andavam longe do quadro dos direitos fundamentais da pessoa humana, lidos em contexto solid\u00e1rio. Curiosamente, em debate p\u00fablico de h\u00e1 umas semanas, um Professor universit\u00e1rio, ex-Ministro da Educa\u00e7\u00e3o, voltava ao assunto, para dizer que o caminho da Educa\u00e7\u00e3o &#8211; fundamento de uma sociedade democr\u00e1tica, dizemos n\u00f3s! &#8211; passa pelos princ\u00edpios: da dignidade humana, do destino universal dos bens, da op\u00e7\u00e3o pelos pobres, da luta pela justi\u00e7a social, da gratuidade, solidariedade e disponibilidade, do bem comum!<\/p>\n<p>5 &#8211; Assumir estas orienta\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e governa\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00fanico caminho de regenera\u00e7\u00e3o de pessoas respons\u00e1veis e de constru\u00e7\u00e3o de sociedades harmoniosas e participativas. N\u00e3o podem ser outros os interesses vigentes, os objectivos propostos. Quem o n\u00e3o fizer continuar\u00e1 a destruir a identidade nacional, a viabilidade do pa\u00eds. Seduzir\u00e1 os individualismos, exacerbar\u00e1 os corporativismos, estimular\u00e1 os clientelismos&#8230; fazendo-nos atolar, cada dia mais, no p\u00e2ntano que nos engole, fazendo-nos adormecer cada vez mais docemente na \u201cg\u00e1s t\u00f3xico\u201d que nos eliminar\u00e1! <\/p>\n<p>6 &#8211; E que se n\u00e3o envergonhem os crist\u00e3os da Doutrina Social da Igreja, como guia de desenvolvimento pessoal e social, porque ela bem assume, dando-lhe a profundidade da f\u00e9, os valores do humanismo perfeito, gerador de mentes novas, motor da inclus\u00e3o e coes\u00e3o social, inspira\u00e7\u00e3o de paradigmas econ\u00f3micos humanizantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; O objectivo primordial de alguns Estados modernos \u00e9 legislar a anomia. 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