{"id":16702,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16702"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"os-humildes-serao-exaltados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-humildes-serao-exaltados\/","title":{"rendered":"Os humildes ser\u00e3o exaltados"},"content":{"rendered":"<p>A morte da Irm\u00e3 L\u00facia, \u00fanica sobrevivente das apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima, tocou muita gente, talvez para al\u00e9m do que seria de esperar. Numa linha emocional, o que facilmente se explica, mas, sobretudo, numa dimens\u00e3o espiritual que se traduziu em admira\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o, a denunciar nostalgia de Deus e vontade de manter vivos acontecimentos que tornam palp\u00e1vel o sobrenatural, que nos acompanha e n\u00e3o deixa que a vida perca o sentido.<\/p>\n<p>Um problema de crist\u00e3os mais conscientes ou mais humildes, a que n\u00e3o ficam indiferentes outros, mais pr\u00f3ximos de Deus do que se pode pensar.<\/p>\n<p>A irm\u00e3 L\u00facia foi uma humilde religiosa carmelita, que n\u00e3o se colocou nos bicos dos p\u00e9s para evocar a condi\u00e7\u00e3o privilegiada de ter sido escolhida pelo c\u00e9u para uma miss\u00e3o que ela levou generosamente at\u00e9 ao fim.<\/p>\n<p>Discreta, sem contacto directo com o exterior, como exigia a sua condi\u00e7\u00e3o de contemplativa, n\u00e3o indo a F\u00e1tima ao longo de uma vida de muitas dezenas de anos, sen\u00e3o quando os Papas foram peregrinos deste santu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Sem pergaminhos de uma cultura humana assinal\u00e1vel, nem de um prest\u00edgio social a dar nas vistas, a sua morte fez olhar meio mundo para ela e soltarem-se sentimentos diversos, de proximidade, de gratid\u00e3o e de paz.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do mist\u00e9rio que a tocava e envolveu a sua vida de serenidade e de sentido, a fidelidade a Deus, ao seu dom e ao seu projecto, marcaram, na sua simplicidade, a sua verdadeira grandeza.<\/p>\n<p>Fizeram-se compara\u00e7\u00f5es para sublinhar a riqueza da sua vida ou para a comparar com outras vidas, porventura mais vistosas e conhecidas. Desnecessariamente, porque as pessoas n\u00e3o valem por compara\u00e7\u00e3o ou pelo ju\u00edzo de quem as v\u00ea de fora. Cada pessoa vale por si. \u00c9 o modo como se viveu que a credencia publicamente e, mais ainda, sobrenaturalmente. Ningu\u00e9m se compara a ningu\u00e9m. Cada um s\u00f3 se pode comparar ao que dele \u00e9 leg\u00edtimo esperar. Ao sublinhar o valor de uma vida que entrou no patrim\u00f3nio do povo a que pertenceu, sublinha-se o valor de quem foi fiel \u00e0 sua hist\u00f3ria, e viveu essa vida sendo, de qualquer modo, \u00fatil aos outros.<\/p>\n<p>Pode haver, neste ponto, tanto omiss\u00f5es, como exageros. Uma coisa \u00e9 certa: h\u00e1 vidas que emergem sem patrocinadores. Elas s\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>F\u00e1tima imp\u00f4s-se \u00e0 Igreja e ao mundo, por caminhos que nada tiveram a ver com projectos programados. \u00c9 a hist\u00f3ria, sem preconceitos, que o diz, de modo muito claro. Na sua luz, aparece, a envolver o favor divino, a grandeza inocente das crian\u00e7as, o sentido positivo da pobreza e do apagamento, o apelo \u00e0 necessidade de convers\u00e3o interior, o testemunho de simplicidade de um povo crente. Francisco e Jacinta partiram cedo e voltaram de novo. O povo entendeu o seu regresso e exultou. L\u00facia ficou. A sua vida escondida foi agora uma vida exaltada. O Evangelho profetizara nesse sentido. Uma ponte com o c\u00e9u, enriqueceu a terra. O povo entendeu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte da Irm\u00e3 L\u00facia, \u00fanica sobrevivente das apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima, tocou muita gente, talvez para al\u00e9m do que seria de esperar. 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