{"id":16719,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16719"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"a-oracao-que-esta-no-coracao-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-oracao-que-esta-no-coracao-do-povo\/","title":{"rendered":"A ora\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do povo"},"content":{"rendered":"<p>O leitor pergunta &#8211; De onde vem a ora\u00e7\u00e3o da \u201cAv\u00e9-Maria\u201d? <!--more--> A \u201cAv\u00e9-Maria\u201d, certamente a ora\u00e7\u00e3o mais popular, resulta da combina\u00e7\u00e3o de tr\u00eas partes: duas de origem b\u00edblica (de louvor) e uma provinda da Idade M\u00e9dia ou um pouco posterior (de peti\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>A primeira tem origem na sauda\u00e7\u00e3o do Anjo Gabriel a Maria, na Galileia: \u201cAv\u00e9, Maria, cheia da gra\u00e7a, o Senhor \u00e9 convosco\u201d (na B\u00edblia da Difusora B\u00edblica: \u201cSalve, \u00f3 cheia de gra\u00e7a, o Senhor est\u00e1 contigo\u201d, Lucas 1,28).<\/p>\n<p>A segunda parte \u00e9 a resposta de Isabel \u00e0 sauda\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de Maria. Os evangelhos n\u00e3o transcrevem o que Maria disse em primeiro lugar, quando foi visitar Isabel a \u201cuma cidade da Judeia\u201d, que actualmente \u00e9 identificada com Ain-Karim, a 6 km de Jerusal\u00e9m. Mas referem que Isabel deu como resposta: \u201cBendita \u00e9s tu entre as mulheres e bendito \u00e9 o fruto do teu ventre\u201d (Lc 1,42). Estas duas sauda\u00e7\u00f5es, ainda sem o \u201cJesus\u201d final, aparecem unidas desde o s\u00e9c. VI no Oriente crist\u00e3o (Gr\u00e9cia, Turquia, \u00c1sia Menor\u2026). No s\u00e9culo seguinte, come\u00e7am a aparecer nos livros romanos. Era a ant\u00edfona rezada no ofert\u00f3rio do IV domingo do Advento. Na Idade M\u00e9dia, os frades que n\u00e3o sabiam ler recitavam estes vers\u00edculos b\u00edblicos (sem a parte iniciada por \u201cSanta Maria\u201d) em substitui\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o de rezar os Salmos (como os Salmos s\u00e3o 150, \u00e9 aqui que tem origem o que viria a ser o Ros\u00e1rio \u2013 mas isso pode ficar para outra ocasi\u00e3o).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 invoca\u00e7\u00e3o \u201cSanta Maria, M\u00e3e de Deus, rogai por n\u00f3s pecadores, agora e na hora da nossa morte\u201d, n\u00e3o h\u00e1 unanimidade no que diz respeito \u00e0 sua origem. Uma das obras consultadas refere que surgiu como resposta do povo \u00e0 heresia de Nest\u00f3rio (patriarca de Constantinopla de 428 a 430), que dizia que Maria era apenas m\u00e3e de Cristo (Cristotokos, em grego). O povo, contra tal heresia, fez uma grande prociss\u00e3o e cantou essa invoca\u00e7\u00e3o. O Conc\u00edlio de \u00c9feso, em 431, proclamaria que Maria \u00e9 M\u00e3e de Deus (Theotokos, em grego). Outras obras referem que a invoca\u00e7\u00e3o \u201cSanta Maria\u201d passou a escrito nos brevi\u00e1rios dos Merced\u00e1rios (frades com origem em Bar-celona, que se dedicavam ao resgate de crist\u00e3os cativos dos mouros), dos Camaldulenses (monges italianos inspirados nos beneditinos) e dos Franciscanos, sensivelmente na mesma \u00e9poca: s\u00e9c. XV.<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o ficou completa com a introdu\u00e7\u00e3o do \u201cJesus\u201d, a seguir \u00e0s frases de Lucas, e o \u201c\u00c1men\u201d final. Uma das obras consultadas diz que foram feitas em 1483, sem referir o local ou autor(es). O que se pode concluir \u00e9 que, no final do s\u00e9c. XV, esta ora\u00e7\u00e3o de origem b\u00edblica e popular j\u00e1 era conhecida e rezada tal e qual como hoje a rezamos.<\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O leitor pergunta &#8211; De onde vem a ora\u00e7\u00e3o da \u201cAv\u00e9-Maria\u201d?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-16719","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16719\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}