{"id":16723,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16723"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"como-tornar-mais-habitavel-a-nossa-propria-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/como-tornar-mais-habitavel-a-nossa-propria-casa\/","title":{"rendered":"Como tornar mais habit\u00e1vel a nossa pr\u00f3pria casa"},"content":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia  <!--more--> Friedrich von H\u00fcgel (1852-1925), um alem\u00e3o convertido ao catolicismo, numa das suas cartas, fala da necessidade de tornar a igreja \u201cintelectualmente habit\u00e1vel\u201d, isto \u00e9, uma Igreja em que as pessoas se sintam confort\u00e1veis, \u201ccomo em sua casa\u201d, nas quest\u00f5es da cultura. A express\u00e3o foi adaptada, pelo te\u00f3logo moralista Auer, para \u201ceticamente habit\u00e1vel\u201d. Esse te\u00f3logo alem\u00e3o, de Tubinga (universidade alem\u00e3 das mais conceituadas na \u00e1rea da Teologia), ao passarem dez anos sobre a publica\u00e7\u00e3o da enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II acerca dos princ\u00edpios da vida moral, a \u201cVeritatis Splendor\u201d (\u201cO Esplendor da verdade\u201d, de 1993), escreveu um curioso ensaio que serviu de n\u00facleo \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o do padre e m\u00e9dico de Lisboa Jos\u00e9 Manuel Pereira de Almeida, na noite de 18 e na manh\u00e3 de 19 de Fevereiro, no Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro.<\/p>\n<p>Se a resposta \u00e0 pergunta-t\u00edtulo da palestra \u201cA Igreja ainda \u00e9 eticamente habit\u00e1vel?\u201d fosse \u201cn\u00e3o\u201d, isso seria um \u201cmurro no est\u00f4mago\u201d, disse o conferencista \u00e0 assembleia maioritariamente constitu\u00edda por estudantes de Teologia ou de Ci\u00eancias Religiosas. No entanto, h\u00e1 uma mentalidade que vai ganhando adeptos que diz que \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil cumprir as normas \u00e9ticas propostas pela Igreja, principalmente no campo da sexualidade. Por outras palavras, h\u00e1 quem diga que a Igreja est\u00e1 a tornar-se \u201ceticamente inabit\u00e1vel\u201d. O caso mais recente, relatado pelo Pe Pereira de Almeida, deu-se na Espanha, onde um bispo referiu a possibilidade do uso do preservativo no combate \u00e0 Sida e isso foi tomado como uma grande abertura da Igreja. De imediato, se levantaram algumas vozes a dizer que a Igreja n\u00e3o cedia nem um cent\u00edmetro na sua condena\u00e7\u00e3o desse uso; e l\u00e1 apareceu o r\u00f3tulo do \u201ceticamente inabit\u00e1vel\u201d. Pelo meio, dois erros graves: a deturpa\u00e7\u00e3o das palavras iniciais do bispo, e o esquecimento da doutrina tradicional da Igreja. Deturpa\u00e7\u00e3o, porque essas palavras surgiam no contexto de um grande estudo da revista m\u00e9dica especializada \u201cThe Lancet\u201d, que dizia que a melhor estrat\u00e9gia no combate \u00e0 Sida \u00e9 a \u201cestrat\u00e9gia ABC\u201d: abstin\u00eancia, fidelidade, preservativo (Abstinence, Be faithful, Condom, em ingl\u00eas). Esquecimento, porque a Igreja tem na sua tradi\u00e7\u00e3o o princ\u00edpio do \u201cmal menor e bem maior\u201d. Este princ\u00edpio afirma que, nos casos de \u201cconsci\u00eancia perplexa\u201d, para evitar um mal maior, admita-se um mal menor. Aplicando ao caso do preservativo, se n\u00e3o h\u00e1 abstin\u00eancia, se n\u00e3o h\u00e1 fidelidade, ent\u00e3o use-se o preservativo, em vez de p\u00f4r a vida de algu\u00e9m em perigo, por causa do cont\u00e1gio do v\u00edrus da Sida. Ora, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, dizendo que a Igreja j\u00e1 permitia o preservativo, deturparam as palavras do bispo espanhol. Enquanto alguns cl\u00e9rigos, condenando o uso do preservativo em qualquer circunst\u00e2ncia, entraram no \u201cfundamentalismo imisericordioso\u201d, nas palavras do jesu\u00edta espanhol Gonz\u00e1lez Faus.<\/p>\n<p>Que elementos sustentam, ent\u00e3o, a atmosfera de habitabilidade \u00e9tica da Igreja? O sacerdote de Lisboa apontou tr\u00eas. 1) A Igreja \u00e9 habit\u00e1vel, porque transmite um horizonte de conceitos, uma compreens\u00e3o global, na qual se pode viver e morrer; 2) A Igreja apresenta modelos que vivem os seus princ\u00edpios, ainda que com cr\u00edticas; 3) A Igreja agrupa e reagrupa os seres humanos para a solene celebra\u00e7\u00e3o deste viver. Por outras palavras: as propostas s\u00e3o para todos, para toda a vida e em toda a parte; \u00e9 poss\u00edvel viver essas propostas; muitos vivem-nas e celebram-nas.<\/p>\n<p>Neste contexto, n\u00e3o se pode esquecer a fun\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio \u2013 Papa e Bispos, que t\u00eam o papel da salvaguarda das normas morais da Igreja. Muitas vezes considerado o \u201cmau da fita\u201d, o Magist\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 monol\u00edtico (h\u00e1 pluralidade), progride e entra em di\u00e1logo. Se, ao falar para toda a Igreja, sublinhar uma \u00e9tica est\u00e1tica (de ordens \u2013 a que \u00e9 acusada de tornar dif\u00edcil a habita\u00e7\u00e3o na Igreja), tem de ser contrabalan-\u00e7ado pela \u201csuave for\u00e7a\u201d e \u201chumilde determina\u00e7\u00e3o\u201d dos te\u00f3logos e escolas de teologia. Da\u00ed que o padre Jos\u00e9 Manuel Pereira de Almeida deixasse um apelo ao ISCRA: \u201cUma escola como esta tem grandes responsabilidades: tornar ainda mais habit\u00e1vel a Igreja que todos somos\u201d.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-16723","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16723"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16723\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}