{"id":16738,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16738"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"politica-torcionaria-para-as-criancas-maltratadas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/politica-torcionaria-para-as-criancas-maltratadas-2\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica torcion\u00e1ria para as crian\u00e7as maltratadas (2)"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. S\u00e3o v\u00e1rios os factores que est\u00e3o na origem da pol\u00edtica torcion\u00e1ria para as crian\u00e7as maltratadas. Real\u00e7am-se porventura quatro: a oculta\u00e7\u00e3o da realidade; o menosprezo da ac\u00e7\u00e3o social local; a tecnocracia social; e o pendor justicialista. Estes factores s\u00e3o hist\u00f3ricos e estruturais; existem h\u00e1 s\u00e9culos e acham-se t\u00e3o enraizados que, em geral, nem se p\u00f5e a hip\u00f3tese de actuar neles.<\/p>\n<p>2. A oculta\u00e7\u00e3o da realidade (bem denunciada no n\u00ba. 6 da Instru\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa sobre a \u201cAc\u00e7\u00e3o Social da Igreja\u201d (1997) consiste na inexist\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o, estat\u00edstica ou outra, relativa a crian\u00e7as maltratadas, abandonadas ou desaparecidas. Existe informa\u00e7\u00e3o sobre as cerca de 15 000 crian\u00e7as que v\u00eam sendo acompanhadas pelos servi\u00e7os especializados, mas esquecem-se as que s\u00e3o acompanhadas por outros servi\u00e7os (p\u00fablicos e particulares, formais e informais) e, sobretudo, as que n\u00e3o beneficiam de qualquer acompanhamento. O crit\u00e9rio adoptado no conhecimento deste grav\u00edssimo problema n\u00e3o \u00e9 o da crian\u00e7a, mas sim o dos servi\u00e7os competentes.<\/p>\n<p>O menosprezo da ac\u00e7\u00e3o social local traduz-se no facto de n\u00e3o ser promovida nem reconhecida a solidariedade familiar, de vizinhan\u00e7a e do voluntariado, com grau maior ou menor de organiza\u00e7\u00e3o. Na medida em que n\u00e3o existe o reconhecimento necess\u00e1rio, esta solidariedade de proximidade v\u00ea dificultado o acesso aos servi\u00e7os competentes.<\/p>\n<p>A falta de uma autoridade social local, que possa intervir logo que existe conhecimento dos maus tratos da crian\u00e7a, \u00e9 outro sinal do menosprezo da ac\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>3. A tecnocracia social e o pendor justicialista refor\u00e7am e consolidam aquele menosprezo. Consistem no poder dos t\u00e9cnicos, dos magistrados e de suas organiza\u00e7\u00f5es, com as respectivas normas, teorias, saberes, interesses e liga\u00e7\u00f5es ao Estado. Caracterizam-se, tamb\u00e9m, pela preocupa\u00e7\u00e3o de identificar culpados e aplicar san\u00e7\u00f5es, com preju\u00edzo para a identifica\u00e7\u00e3o de problemas e para as solu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>A tecnocracia e o justicialismo partem do pressuposto de que as suas regras se sobrep\u00f5em a tudo o mais, mesmo \u00e0 crian\u00e7a maltratada. Ali\u00e1s, para a tecnocracia e o justicialismo, a crian\u00e7a maltratada s\u00f3 existe quando eles a reconhecem como tal.<\/p>\n<p>4. Tudo seria diferente se: (a) fossem aproveitadas todas as fontes de informa\u00e7\u00e3o sobre os problemas sociais; (b) fosse expandido, por toda a parte, e reconhecido, na pr\u00e1tica, o papel fundamental do voluntariado social de proximidade; (c) prevalecesse, entre os t\u00e9cnicos, outros profissionais e os volunt\u00e1rios, o esp\u00edrito e a pr\u00e1tica do servi\u00e7o \u2013 a outrem e ao bem comum; (d) o poder judicial se assumisse como parte integrante dos servi\u00e7os a prestar \u00e0 crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Estas sugest\u00f5es, vistas em abstracto, poderiam concretizar-se com bastante facilidade, at\u00e9 porque n\u00e3o implicam aumento significativo de despesa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16738\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}