{"id":16770,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16770"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"tema-polemico-que-o-nao-devia-ser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tema-polemico-que-o-nao-devia-ser\/","title":{"rendered":"Tema pol\u00e9mico que o n\u00e3o devia ser"},"content":{"rendered":"<p>Sopra um vento destruidor por essa Europa fora e est\u00e1 a\u00ed, a assobiar em cheio, na pra\u00e7a p\u00fablica e nos espa\u00e7os do aconchego diletante. Destr\u00f3i, impunemente, valores e institui\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis, \u00e0 revelia de uma reflex\u00e3o ponderada e de um ju\u00edzo s\u00e9rio, sobre os seus efeitos iconoclastas.  <\/p>\n<p>Decretou-se, de um dia para o outro, que falar de Deus, da p\u00e1tria e da fam\u00edlia, cheira a bafio, \u00e9 sin\u00f3nimo de passado enjoativo, est\u00e1 ao arrepio da modernidade, \u00e9 heran\u00e7a do fascismo. O laicismo ateu tomou o projecto em m\u00e3os e tornou-se militante intransigente, juiz implac\u00e1vel, inquisidor mor. <\/p>\n<p>Esta corrente pode sempre opinar. N\u00e3o assim pessoas, grupos e comunidades, que, de modo consciente, v\u00eaem nos valores que se est\u00e3o a demolir, um sentido para a sua vida e uma refer\u00eancia para o seu agir pessoal e social. Por\u00e9m, \u00e9 com esta gente que querem amorda\u00e7ar, que o pa\u00eds conta. Tudo o resto n\u00e3o passa de actores de passagem, a que a comunica\u00e7\u00e3o social d\u00e1 altifalante, palco e mesmo p\u00e9 para ir mais longe.  <\/p>\n<p>Li h\u00e1 dias, em entrevista a um jornal da prov\u00edncia, o que dizia uma professora universit\u00e1ria, que cultiva o seu individualismo sem reservas. Tal qual assim: \u201cDeus n\u00e3o me fez falta na minha vida\u201d. Arredara-O de vez, por choques n\u00e3o resolvidos na juventude. Assim se apagou, como dispens\u00e1vel, Aquele no qual eu creio que todos \u201cnos movemos, existimos e somos\u201d. A moda agora \u00e9 ser agn\u00f3stico e ateu; e a riqueza \u00e9 n\u00e3o ter nada de consistente, definitivo e inc\u00f3modo na vida<\/p>\n<p>O crer n\u00e3o se op\u00f5e ao compreender. Ao contr\u00e1rio, estabelece uma nova forma de compreender que, precisamente porque se d\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o com o divino, resulta como algo de decisivo e absoluto para a exist\u00eancia humana. Isto n\u00e3o \u00e9 uma teoria, mas fruto vis\u00edvel de uma ampla e s\u00e9ria investiga\u00e7\u00e3o sobre a experi\u00eancia religiosa. O s\u00e1bio, esse dir\u00e1 sempre: \u201cS\u00f3 Deus basta!\u201d<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria\/na\u00e7\u00e3o, est\u00e1 bem claro que, secadas as ra\u00edzes, nem frutos, nem seguran\u00e7a, nem mem\u00f3ria hist\u00f3rica. Que caminho para o futuro? <\/p>\n<p>A guerra contra a fam\u00edlia, na qual assestam agora todas as baterias de um laicismo ao sabor da corrente, vazio de conte\u00fados morais e \u00e9ticos e, por isso mesmo, incapaz de auto-cr\u00edtica, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o, ainda que pare\u00e7a o contr\u00e1rio, uma guerra ef\u00e9mera. O individualismo, como valor absoluto, confundido com individualidade, acaba por destruir a pessoa na sua identidade, bem como a rela\u00e7\u00e3o interpessoal na sua riqueza insubstitu\u00edvel. O individualismo \u00e9 sempre caminho acelerado para a morte. Levado para o campo do amor, gera um inevit\u00e1vel conflito com a realidade familiar. Tudo reduzido \u00e0 esfera privada, n\u00e3o se respeita o outro, n\u00e3o se querem nem aceitam influ\u00eancias de fora, s\u00e3o invi\u00e1veis os compromissos respons\u00e1veis. Nada mais ef\u00e9mero na vida que o amor individualista, sem balizas nem regras. Onde a morte do outro, a\u00ed a pobreza e debilidade. Fam\u00edlia \u00e9 outra coisa. A natureza sem lei arrasa tudo. Respeitada, \u00e9 fonte de felicidade e de bem. Tema pol\u00e9mico, a requerer aten\u00e7\u00e3o e gente sem medo de se afirmar. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sopra um vento destruidor por essa Europa fora e est\u00e1 a\u00ed, a assobiar em cheio, na pra\u00e7a p\u00fablica e nos espa\u00e7os do aconchego diletante. 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