{"id":16774,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16774"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"descer-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/descer-da-cruz\/","title":{"rendered":"Descer da cruz?"},"content":{"rendered":"<p>Editorial <!--more--> 1 &#8211; O desafio n\u00e3o \u00e9 de agora. Para al\u00e9m dos chefes e dos soldados, um dos malfeitores que tinham sido crucificados com Jesus insultava-o dizendo: \u201cN\u00e3o \u00e9s Tu o Messias? Salva-te a Ti mesmo e a n\u00f3s tamb\u00e9m!\u201d (Cf. Lc.23,35-39). Os olhos do interesse imediato, a busca do sensacionalismo, o efeito sedutor, roubam-nos a lucidez de olhar em profundidade, de procurar o sentido, de ler os sinais de Deus.<\/p>\n<p>2 &#8211; Oscilamos entre a admira\u00e7\u00e3o e o \u201cconselho\u201d ao Santo Padre. Deixa-nos sem palavras a surpresa da sua resist\u00eancia, a sua capacidade de recupera\u00e7\u00e3o, a inesgot\u00e1vel for\u00e7a interior que o envolve. Testemunho do valor do sofrimento, da entrega at\u00e9 ao fim, da preciosidade que \u00e9 a vida!&#8230; Refer\u00eancia prof\u00e9tica indiscut\u00edvel, muito para al\u00e9m das fronteiras da Igreja cat\u00f3lica, monumento de paix\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o pela Humanidade, nas causas mais nobres! <\/p>\n<p>3 &#8211; Mergulhados numa sociedade de apar\u00eancia e de efic\u00e1cia, muitos se t\u00eam atrevido a alvitrar o \u201cconselho\u201d de que seria melhor abdicar: d\u00e1 uma imagem decr\u00e9pita da Igreja; fica a barca de Pedro ao sabor de timoneiros misteriosos, amb\u00edguos, quem sabe se n\u00e3o oportunistas; deixa resvalar o futuro da Igreja para situa\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis&#8230; Adiando a sua sucess\u00e3o, pode at\u00e9 comprometer a possibilidade de elei\u00e7\u00e3o daquele (s) que os sabidos j\u00e1 designaram para esta miss\u00e3o!<\/p>\n<p>4 &#8211; Quantas vezes, como no de Jesus Cristo, n\u00e3o ter\u00e3o soado no cora\u00e7\u00e3o do Papa estas invectivas: \u201cDesce da cruz\u201d! A mediatiza\u00e7\u00e3o da vida do Santo Padre tanto consolida a admira\u00e7\u00e3o pela sua heroicidade de entrega, em perfeita kenose (pequenez, fragilidade, humilha\u00e7\u00e3o), como difunde, quantas vezes intencionalmente, o conselho, o desafio, para descer da cruz, para abandonar o minist\u00e9rio de Pedro.<\/p>\n<p>5 &#8211; Curiosamente, \u00e9 no momento do supremo \u201cfracasso\u201d que Jesus \u00e9 reconhecido como o Filho de Deus. Ao proclamar \u201cVerdadeiramente este homem era Filho de Deus\u201d (Mc.15,30; cf. Mt.27,54), o centuri\u00e3o romano, se n\u00e3o afirma conscientemente a filia\u00e7\u00e3o divina de Jesus Cristo, reconhece pelo menos o car\u00e1cter sobre-humano da Sua pessoa. O mist\u00e9rio da Igreja n\u00e3o se esgota na sua visibilidade, nem das institui\u00e7\u00f5es, nem das pessoas, porque \u00e9 o Esp\u00edrito que a conduz!<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Humanidade consagrar\u00e1 Karol Woitilla como aquele que, convicta, corajosa e serenamente se deu at\u00e9 ao fim, como a vela que se consome no altar. O seu testemunho marcar\u00e1 os tempos como o desafio da fidelidade!<\/p>\n<p>Em final de Quaresma, no meio da civiliza\u00e7\u00e3o da comodidade, teremos, seguramente, uma consci\u00eancia a examinar e convers\u00e3o a fazer, para n\u00e3o descermos da cruz da vida, do dever, mas antes a vivermos, saborosamente, at\u00e9 ao fim.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-16774","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16774","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16774"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16774\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16774"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16774"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16774"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}