{"id":16788,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16788"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-peixe-colado-nos-automoveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-peixe-colado-nos-automoveis\/","title":{"rendered":"O peixe colado nos autom\u00f3veis"},"content":{"rendered":"<p>O leitor pergunta &#8211; H\u00e1 autom\u00f3veis que t\u00eam um peixe estilizado colado na traseira. Disseram-me que \u00e9 s\u00edmbolo dos crist\u00e3os. Ser\u00e1? <!--more--> O peixe, enquanto s\u00edmbolo do cristianismo, dos crist\u00e3os ou de Jesus Cristo, remonta aos primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3. Mas, de facto, ultimamente, algumas pessoas colam-no na traseira do autom\u00f3vel, talvez porque, tal como numa sociedade que ainda n\u00e3o era crist\u00e3 os crist\u00e3os tinham de se identificar, agora, numa sociedade descristianizada, voltam a sentir essa necessidade. Uma revista referia que foi na Su\u00ed\u00e7a, h\u00e1 uns anos, num movimento de renova\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que se retomou o uso do s\u00edmbolo do peixe nos autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>Como s\u00edmbolo crist\u00e3o, o peixe est\u00e1 cheio de significados.<\/p>\n<p>Nas catacumbas crist\u00e3s, aparece ao lado da \u00e2ncora e da barca, para exprimirem firmeza. Disse Jo\u00e3o Paulo II, numa visita \u00e0s catacumbas romanas, sobre estes s\u00edmbolos, que \u201ca vida do crist\u00e3o \u00e9 vista como uma navega\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um mar agitado at\u00e9 ao porto suspirado da eternidade\u201d. E cita Tertuliano (te\u00f3logo do s\u00e9c. II), que comparava os fi\u00e9is aos peixinhos, que adquirem a salva\u00e7\u00e3o nascendo e permanecendo na \u00e1gua (refer\u00eancia ao baptismo).<\/p>\n<p>Durante as persegui\u00e7\u00f5es aos crist\u00e3os (a primeira, do imperador Nero, foi no ano 64 d.C.), o peixe funcionava como senha para dizer: \u201cSou crist\u00e3o\u201d. Era um c\u00f3digo. Uma pessoa desenhava um arco na areia. Se o outro fosse crist\u00e3o, desenhava um arco ao contr\u00e1rio e formava assim um peixe. Uma cena deste g\u00e9nero aparece no filme \u201cQuo Vadis\u201d. Para mais, a palavra \u201cpeixe\u201d funcionava como um pequeno Credo. Em grego, peixe diz-se \u201cIXQUS\u201d (l\u00ea-se \u201cikthus\u201d). Ora essas letras s\u00e3o as iniciais de Jesus Cristo Filho de Deus Salvador [Iesus (X)Cristos (Q)Theou Uios Soter). Ou seja, a palavra peixe era um acr\u00f3stico (palavra formada pela primeira letra de outras) que resumia o conte\u00fado da f\u00e9 dos primeiros crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Remetendo para as p\u00e1ginas b\u00edblicas da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes, da pesca milagrosa, ou das refei\u00e7\u00f5es pascais, o peixe continua a ser fonte de m\u00faltiplos significados e simbolismos.<\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O leitor pergunta &#8211; H\u00e1 autom\u00f3veis que t\u00eam um peixe estilizado colado na traseira. Disseram-me que \u00e9 s\u00edmbolo dos crist\u00e3os. Ser\u00e1?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-16788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16788\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}