{"id":16813,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16813"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"esperancas-e-apreensoes-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/esperancas-e-apreensoes-ii\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7as e apreens\u00f5es (II)"},"content":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o &#8211; Momento Pol\u00edtico <!--more--> 1 &#8211; Este \u00e9 um dos ind\u00edcios: o programa de governo rejeita baixa nos impostos (ser\u00e1 apenas para contrariar as promessas do \u201cantigo\u201d advers\u00e1rio?); as declara\u00e7\u00f5es do Primeiro Ministro s\u00e3o de que o programa \u201cnada prev\u00ea quanto ao aumento de impostos\u201d; pelo meio (isto \u00e9, antes de come\u00e7ar!), o Ministro das Finan\u00e7as admitiu um aumento de impostos; como \u201cprofecia\u201d, o Governador do Banco de Portugal anteviu o IA e o imposto sobre os combust\u00edveis como solu\u00e7\u00e3o para a crise.<\/p>\n<p>2 &#8211; Raz\u00e3o ter\u00e1 Carvalho da Silva para afirmar que \u201ca marca do programa deste governo \u00e9 n\u00e3o me comprometas\u201d. Ou seja: continuam a oscilar as expectativas dos portugueses entre a esperan\u00e7a e a apreens\u00e3o. H\u00e1 quest\u00f5es que s\u00e3o inilud\u00edveis. E nisso, estamos plenamente de acordo com Jo\u00e3o C\u00e9sar das Neves. Sem definir o estatuto do Estado na sociedade portuguesa do s\u00e9culo XXI, poderemos vir a encontrar sucesso em pol\u00edticas sectoriais, mas o sabor final ser\u00e1 sempre a fracasso, uma vez que coexistem vis\u00f5es que v\u00e3o desde o proteccionismo da Monarquia, passando pelo regabofe da Rep\u00fablica, at\u00e9 ao corporativismo da Ditadura. <\/p>\n<p>3 &#8211; O que poder\u00e1 significar, por exemplo, a afirma\u00e7\u00e3o de V\u00edtor Const\u00e2ncio de que generalizar e universalizar o princ\u00edpio do utilizador-pagador implicaria \u201cadmitir que n\u00e3o existe lugar a interven\u00e7\u00e3o do Estado como express\u00e3o da solidariedade entre os cidad\u00e3os, em que assenta a boa sociedade\u201d? O Estado substitui, tutela ou promove a responsabilidade pessoal no contexto da integra\u00e7\u00e3o social, em fun\u00e7\u00e3o do bem comum? S\u00f3 h\u00e1 um caminho para desinstalar os grupos de interesse, apostados em continuar firmes \u00e0 mesa do Or\u00e7amento: assumir-se o Estado a dignifica\u00e7\u00e3o da sua autoridade e a defini\u00e7\u00e3o da sua esfera de actua\u00e7\u00e3o &#8211; em vez de governar para os media e prisioneiro de interesses sectoriais ego\u00edstas; p\u00f4r a casa em ordem, controlando-se e orientando-se nas despesas; clarificar as suas responsabilidades como as dos cidad\u00e3os e grupos, prescindindo corajosamente da cultura de esgotar as for\u00e7as vivas da comunidade &#8211; antes lhe devolvendo o protagonismo justo e necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>4 &#8211; O governo tem estabilidade para o fazer. O car\u00e1cter vago do seu programa, reconhecido por todos os quadrantes parlamentares, exige que o debate seja esclarecedor e comprometido. N\u00e3o se pode ignorar que divergem, a esquerda e a direita na oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas quanto \u00e0 tem\u00e1tica mas tamb\u00e9m quanto \u00e0 atitude. Maior responsabilidade para o governo, no sentido de ouvir as cr\u00edticas e sugest\u00f5es, mas posicionar-se firmemente num rumo de: resposta ao essencial &#8211; que \u00e9 econ\u00f3mico, social, educativo, sanit\u00e1rio, mas tamb\u00e9m cultural; projecto que envolva for\u00e7as sociais e cidad\u00e3os na recupera\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a, na experi\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o sustentada.<\/p>\n<p>5 &#8211; As raz\u00f5es para apreens\u00e3o subsistem ao lado das esperan\u00e7as, ap\u00f3s o primeiro dia de debate. Se bem que os problemas econ\u00f3micos sejam de import\u00e2ncia capital, n\u00e3o se esgota neles a urg\u00eancia da governa\u00e7\u00e3o. As propostas concretas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o claras como desej\u00e1vel, sobretudo no sentido de reconsiderar o peso do Estado. E, mais grave: dando prioridade \u00e0 ideologia, a\u00ed est\u00e3o os temas fracturantes, a prometer agitar a sociedade civil, em vez de a mobilizar em busca de um rumo de esperan\u00e7a<\/p>\n<p>Querubim Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o &#8211; Momento Pol\u00edtico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-16813","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16813\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}