{"id":16817,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16817"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"mas-foi-mesmo-por-mim-que-morreu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mas-foi-mesmo-por-mim-que-morreu\/","title":{"rendered":"Mas foi mesmo por mim que morreu?"},"content":{"rendered":"<p>Catequeses Quaresmais <!--more--> Irm\u00e3o de sangue. Um dia, D. H\u00e9lder da C\u00e2mara, bispo brasileiro amigo dos pobres, deu com um homem em condi\u00e7\u00f5es degradantes, vestiu-o, arranjou-o e telefonou a um amigo empres\u00e1rio:<\/p>\n<p>&#8211; Vou enviar-lhe o meu irm\u00e3o. D\u00ea-lhe trabalho.<\/p>\n<p>&#8211; Com certeza, Sr. Bispo \u2013 disse o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>O homem l\u00e1 foi \u00e0 empresa e o patr\u00e3o ficou admirado com tal sujeito. Resolve telefonar a D. H\u00e9lder.<\/p>\n<p>&#8211; Mas \u00e9 mesmo o seu irm\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; Sim, \u00e9 meu irm\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; \u2026<\/p>\n<p>Perante o sil\u00eancio do empres\u00e1rio, o bispo acrescenta:<\/p>\n<p>&#8211; Meu irm\u00e3o de sangue.<\/p>\n<p>Como o empres\u00e1rio, estupefacto, permanecia em sil\u00eancio, D. H\u00e9lder conclui:<\/p>\n<p>&#8211; Meu irm\u00e3o no sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Foi por mim. A hist\u00f3ria contada pelo Bispo de Aveiro na \u00faltima catequese quaresmal deste ano, na sexta-feira passada, ilustra o poder da Eucaristia e os limites da participa\u00e7\u00e3o inconsequente. Poder, porque \u201ccada participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia torna necessariamente mais viva e actuante a comunh\u00e3o com Jesus Cristo e com os irm\u00e3os\u201d. E, nesse caso, \u201ca vida adquire outro sentido: permanente gratid\u00e3o e permanente compromisso apost\u00f3lico\u201d, escreve D. Ant\u00f3nio Marcelino. Limite, porque muitas vezes a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia \u00e9 vivida como devo\u00e7\u00e3o pessoal, sem consequ\u00eancias para a vida depois da celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A missa tem sempre uma dimens\u00e3o comunit\u00e1ria, \u201cmesmo quando o padre celebra sozinho\u201d, disse D. Ant\u00f3nio. \u201cSignifica e antecipa o dom de Deus para cada um de n\u00f3s at\u00e9 ao fim dos tempos\u201d, acrescentou o bispo de Aveiro, sublinhando este \u201ccada um de n\u00f3s\u201d. Como v\u00e1rias pessoas sublinharam nos momentos de partilha que D. Ant\u00f3nio proporciona aos participantes, \u00e9 dif\u00edcil aceitar este \u201cmorreu de paix\u00e3o por cada um de n\u00f3s\u201d ou \u201cpor mim\u201d. Se se aceita isto, a missa transforma mesmo quem nela participa. E da missa nasce a miss\u00e3o (\u201cda missa \u00e0 miss\u00e3o\u201d, \u201cfeliz express\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II\u201d).<\/p>\n<p>Ide em paz. O tema desta \u00faltima catequese foi \u201cEm comunh\u00e3o com Jesus Cristo e com os irm\u00e3os, a Vida tem outro sentido\u201d.<\/p>\n<p>Dos ouvintes, uma senhora partilhou: \u201cO problema \u00e9 que muitas vezes vamos \u00e0 missa, mas n\u00e3o h\u00e1 encontro. O encontro com Cristo \u00e9 que \u00e9 importante. Vamos \u00e0 eucaristia, mas n\u00e3o nos encontramos com Cristo\u201d. Claro que, assim, o apelo sempre urgente e actual de Paulo, \u201cAi de mim se n\u00e3o evangelizar\u201d, perde for\u00e7a. E as palavras finais, \u201cide em paz\u201d, s\u00e3o al\u00edvio em vez de serem um \u201cmandato que impele o crist\u00e3o para o dever de propaga\u00e7\u00e3o do Evangelho e de anima\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da sociedade\u201d, conforme escreve na folha distribu\u00edda aos participantes o Bispo de Aveiro. Este \u201cmandato\u201d o Bispo de Aveiro formulou-se de v\u00e1rias formas: \u201cQuem come o Corpo do Senhor, come as preocupa\u00e7\u00f5es do Senhor\u201d. Ou \u201cH\u00e1 inter-rela\u00e7\u00e3o entre banquete e an\u00fancio\u201d. Ou ainda: \u201cO que tu fores depois da missa mostra o valor da missa para a tua vida\u201d.<\/p>\n<p>Voltar \u00e0 rotina? No final da catequese, D. Ant\u00f3nio referiu algumas caracter\u00edsticas do compromisso marcado pelo sentido da Eucaristia, na sequ\u00eancia da carta papal para este Ano (\u201cFica connosco, Senhor\u201d): eterno reconhecimento ao Pai pela oferta de Jesus Cristo \u00e0 humanidade; gratid\u00e3o por tudo o que temos e somos; for\u00e7a interior para ostentarmos os sinais da nossa f\u00e9; solidariedade em favor dos mais pobres de p\u00e3o, trabalho, amor, sa\u00fade\u2026; tomar como pr\u00f3prias as causas da justi\u00e7a e da verdade no ambiente em que nos encontramos; construir a comunh\u00e3o fraterna na fam\u00edlia, no trabalho na comunidade, pela pr\u00e1tica do lava-p\u00e9s (servi\u00e7o).<\/p>\n<p>As catequeses terminaram, mas fica a percep\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 muito a fazer, para melhor viv\u00eancia do sacramento central dos crist\u00e3os. Por isso, D. Ant\u00f3nio escreve, a concluir: \u201cResta que cada um de n\u00f3s fa\u00e7a o seu exame de consci\u00eancia sobre mais esta ajuda [o Ano Eucar\u00edstico] e se disponha a n\u00e3o deixar que a Eucaristia seja uma rotina, mas sempre uma gra\u00e7a vivificadora da sua vida e da sua miss\u00e3o da Igreja e no mundo\u201d.       <\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequeses Quaresmais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[70],"tags":[],"class_list":["post-16817","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-diocese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16817\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}