{"id":16841,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16841"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"politica-social-oitocentista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/politica-social-oitocentista\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica social &#8220;oitocentista&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Muitos s\u00e3o os autores que t\u00eam chamado a aten\u00e7\u00e3o para a rapidez das mudan\u00e7as ocorridas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Por\u00e9m verifica-se, ao mesmo tempo, a quase imutabilidade de algumas realidades, pelo menos na esfera da mentalidade e das orienta\u00e7\u00f5es que se v\u00eam perpetuando. A concep\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da pol\u00edtica social ilustra bem esta perpetua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pode afirmar-se, com relativa seguran\u00e7a, que a pol\u00edtica social se encontra marcada fortemente, ainda hoje, pelas orienta\u00e7\u00f5es interiorizadas no s\u00e9culo XIX. Desse conjunto de orienta\u00e7\u00f5es, real\u00e7am-se, porventura, tr\u00eas: (a) a rejei\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es tradicionais que vinham da Idade M\u00e9dia e que, em geral, se integravam na Igreja cat\u00f3lica; (b) a humilha\u00e7\u00e3o das pessoas ca-rentes e de quem as apoiava; (c) e a utopia da estatiza\u00e7\u00e3o e da profissionaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os sociais.<\/p>\n<p>2. A pol\u00edtica social do s\u00e9culo XIX rompeu violentamente com a tradi\u00e7\u00e3o medieval. Menosprezou as institui\u00e7\u00f5es, perseguiu-as e procurou substitu\u00ed-las. Deturpou e condenou a ac\u00e7\u00e3o assistencial de proximidade, baseada no voluntariado.<\/p>\n<p>Colocou-se na postura policial e afirmou, pelo menos tacitamente, que existia uma liga\u00e7\u00e3o estreita entre a pobreza e comportamentos marginais.<\/p>\n<p>Deste modo, humilhou n\u00e3o s\u00f3 as institui\u00e7\u00f5es tradicionais, e a entreajuda de proximidade, mas tamb\u00e9m os pr\u00f3prios pobres.<\/p>\n<p>Em contrapartida, o s\u00e9culo XIX foi muito rico na \u00e1rea associativa laica: surgiram ent\u00e3o as cooperativas, as mutualidades, as colectividades de cultura e recreio, o associativismo em geral e tamb\u00e9m os partidos pol\u00edticos e os sindicatos. No entanto, apesar desta vitalidade, deixou-se dominar, nas inst\u00e2ncias de poder pol\u00edtico e intelectual, pela tese segundo a qual o Estado, seus t\u00e9cnicos e outros profissionais resolveriam (ou deveriam resolver), tecnocraticamente, os problemas sociais.<\/p>\n<p>3. Nos dias de hoje, mant\u00eam-se quase intactas estas orienta\u00e7\u00f5es oitocentistas. As velhas e novas institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade social, apesar dos acordos em vigor e das parcerias formais, continuam a ser rejeitadas, sobretudo pelos servi\u00e7os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e de inspec\u00e7\u00e3o mais justiceiros. Deste modo, se preserva a tend\u00eancia policial de outrora.<\/p>\n<p>Menospreza-se o voluntariado social de proximidade, na medida em que n\u00e3o \u00e9 reconhecido pela pol\u00edtica social. E menosprezam-se os pobres e os exclu\u00eddos, na medida em que se ignoram muitas situa\u00e7\u00f5es graves e se colocam as pessoas carenciadas na posi\u00e7\u00e3o de mendicantes, \u00e0 espera de uma ajuda ou de uma vaga em equipamentos sociais. Ignora-se, nomeadamente, o n\u00famero e situa\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as maltratadas, de deficientes profundos, de grandes dependentes, de fome ou subalimenta\u00e7\u00e3o, de viol\u00eancia familiar, de falta ou degrada\u00e7\u00e3o extrema de alojamentos, de falta ou not\u00f3ria insufici\u00eancia de rendimentos&#8230;<\/p>\n<p>O Estado e os seus profissionais consideram-se portadores das solu\u00e7\u00f5es ideais, e detentores de poder para as impor, tolerando sobranceiramente as outras entidades que trabalham no dom\u00ednio social.<\/p>\n<p>O novo Governo disp\u00f5e-se a alterar, finalmente, estes anacronismos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16841","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16841"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16841\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}