{"id":16847,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16847"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"saude-ao-alcance-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/saude-ao-alcance-de-todos\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade ao alcance de todos"},"content":{"rendered":"<p>7 de Abril &#8211; Dia Mundial da Sa\u00fade <!--more--> A celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Sa\u00fade proporciona uma excelente oportunidade para fazer uma reflex\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o vivida na \u00e1rea da sa\u00fade e sobre as perspectivas que se deparam num futuro pr\u00f3ximo. \u201cSa\u00fade para todos em 2000\u201d foi o objectivo definido pela OMS, nos anos 90. Que aconteceu, entretanto?!<\/p>\n<p>O tempo passou, enormes esfor\u00e7os se fizeram, os meios tecnol\u00f3gicos evolu\u00edram, muitas doen\u00e7as foram debeladas e outras surgiram, campanhas se promoveram para despertar as popula\u00e7\u00f5es para a sua responsabilidade, novas pol\u00edticas se definiram e verbas or\u00e7amentais se disponibilizaram, e tantas outras iniciativas surgiram com o prop\u00f3sito de alcan\u00e7ar a sa\u00fade para todos ou, pelo menos, para a maioria.<\/p>\n<p>\u00a0Estamos em 2005. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil reconhecer os avan\u00e7os feitos, mas tamb\u00e9m as lacunas que subsistem. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil identificar problemas, nem salientar prioridades. Embora correndo o risco de simplificar o que \u00e9 complexo, a nossa reflex\u00e3o aborda tr\u00eas pontos fundamentais: educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, doen\u00e7a e sistema nacional de sa\u00fade, responsabilidade de todos os cidad\u00e3os e sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00a0A educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade constitui um dos desafios maiores a enfrentar. Face ao estilo de vida, de corre-corre stressante para uns e \u201cp\u00e1ra-p\u00e1ra\u201d sedent\u00e1rio para outros, face \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o preferida e ao regime de refei\u00e7\u00f5es praticado, \u00e9 natural que o equil\u00edbrio e a harmonia do ser humano se altere e surjam sintomas de altera\u00e7\u00e3o do ritmo biol\u00f3gico e funcional. A doen\u00e7a, normalmente, n\u00e3o nasce connosco. \u00c9 resultado do acerto ou desacerto no uso dos bens que satisfazem as necessidades b\u00e1sicas alimentares; \u00e9 resultado da agita\u00e7\u00e3o febril em que se vive: correrias frequentes, emo\u00e7\u00f5es fortes, pressa de se libertar da press\u00e3o do desejo intenso. Tudo parece andar comandado pela velocidade da televis\u00e3o ou da Net.<\/p>\n<p>A sa\u00fade exige um outro estilo de vida. \u00c9 indispens\u00e1vel, por isso, intensificar a educa\u00e7\u00e3o para a descompress\u00e3o interior, para o controle emocional, para o uso racional da alimenta\u00e7\u00e3o, para a higiene pessoal e limpeza dos espa\u00e7os onde se vive ou trabalha, para o cultivo de uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel com as tens\u00f5es inevit\u00e1veis, para o recurso respons\u00e1vel \u00e0 medicamenta\u00e7\u00e3o, quando for caso disso. Sem educa\u00e7\u00e3o, qualquer outro tipo de preven\u00e7\u00e3o fica reduzido, frequentemente, \u00e0 inefic\u00e1cia.<\/p>\n<p>\u00a0O servi\u00e7o (talvez melhor designado por sistema) nacional de sa\u00fade constitui um reflexo das pol\u00edticas aplicadas pelos diferentes governos e seus servi\u00e7os p\u00fablicos. Apesar dos esfor\u00e7os feitos por tantos agentes de sa\u00fade, \u00e9 incontest\u00e1vel o mal-estar generalizado. A sa\u00fade dos cidad\u00e3os merece mais clareza na defini\u00e7\u00e3o deste servi\u00e7o e na persist\u00eancia na sua implementa\u00e7\u00e3o. De igual modo, a articula\u00e7\u00e3o com a medicina privada e sua justa valora\u00e7\u00e3o, sem esquecer a interven\u00e7\u00e3o de outros agentes sociais. Globalmente falando, as diferentes tentativas n\u00e3o obtiveram os efeitos desejados, deixando o cidad\u00e3o-doente quase sempre entregue a si mesmo ou numa longa lista de espera.<\/p>\n<p>\u00c9 para n\u00f3s claro que o bem da sa\u00fade est\u00e1 entre os primeiros valores de uma sociedade humanizada. Por isso, todas as pessoas, sem distin\u00e7\u00e3o, t\u00eam o direito e o dever de cuidar da sua sa\u00fade e de serem protegidos nas fases de doen\u00e7a com medidas adequadas, servi\u00e7os acess\u00edveis e agentes habilitados. O doente \u00e9 sempre uma pessoa em situa\u00e7\u00e3o especial. Isolar a dor ou a sua causa do todo pessoal e do seu contexto vital \u00e9 simplesmente desumano.<\/p>\n<p>\u00a0A responsabilidade pela sa\u00fade \u00e9, antes de mais, pessoal e familiar. Passa, como atr\u00e1s se refere, pela alimenta\u00e7\u00e3o, estilo de vida, educa\u00e7\u00e3o e formas de preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Conta necessariamente com a protec\u00e7\u00e3o social e com o sistema nacional de sa\u00fade ou de outros servi\u00e7os e repercute-se numa sociedade organizada para alcan\u00e7ar o bem maior de todos os cidad\u00e3os. <\/p>\n<p>\u00c9, igualmente, miss\u00e3o do Estado, por meio dos seus \u00f3rg\u00e3os de actua\u00e7\u00e3o, assumir como priorit\u00e1rio este servi\u00e7o de sa\u00fade e criar-lhe condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas e acess\u00edveis de funcionamento. Os cidad\u00e3os n\u00e3o est\u00e3o todos ao mesmo n\u00edvel para assumirem certos encargos com a doen\u00e7a. O princ\u00edpio de \u201cutilizador-pagador\u201d n\u00e3o \u00e9 justo. O recurso \u00e0 medicina privada, sem mais, n\u00e3o est\u00e1 ao alcance da maioria das pessoas que vivem, quase s\u00f3, do rendimento m\u00ednimo. A fun\u00e7\u00e3o de cada unidade de sa\u00fade e a sua articula\u00e7\u00e3o com o todo nacional precisa de ser clarificada perante os cidad\u00e3os e assumida por estes de forma respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00a0A situa\u00e7\u00e3o em que estamos e os desafios que se avizinham, com a altera\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica e o encarecimento das t\u00e9cnicas e dos servi\u00e7os de sa\u00fade, exigem uma aten\u00e7\u00e3o redobrada. A celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Sa\u00fade pode contribuir para intensificar o despertar colectivo, que se revela urgente, e para congregar esfor\u00e7os nas mais diversas \u00e1reas, a fim de que a sa\u00fade, como bem precioso do ser humano, esteja realmente ao alcance de todos.             <\/p>\n<p>Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz, de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>7 de Abril &#8211; Dia Mundial da Sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-16847","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16847"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16847\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}