{"id":16860,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16860"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-papa-sem-fronteiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-papa-sem-fronteiras\/","title":{"rendered":"O Papa sem fronteiras"},"content":{"rendered":"<p>Cr\u00f3nica de Roma <!--more--> O Papa peregrino morreu. O Papa do di\u00e1logo entre culturas e religi\u00f5es. O Papa da paz. O Papa dos oprimidos, dos pobres mais pobres. O Papa da esperan\u00e7a. O Papa de todos, crentes e n\u00e3o-crentes. O Papa sem medo regressou \u00e0 Casa do Pai.<\/p>\n<p>\u00ab\u00c0s 21:37h (hora local), o nosso Santo Padre regressou \u00e0 Casa do Pai\u00bb. Com estas palavras, quebradas pelo pranto, o arcebispo Leonardo Sandri, Substituto da Secretaria de Estado, anunciou a morte do Papa. Escutavam-no mais de 60 000 pessoas, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, no Vaticano, que tinham acabado de rezar o Ros\u00e1rio por Jo\u00e3o Paulo II. Imediatamente a multid\u00e3o comovida entoou o Salv\u00e9 Rainha e depois seguiu-se um longo aplauso. Entretanto, soaram os sinos da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>Em edi\u00e7\u00e3o especial, o jornal oficial do Vaticano, L\u2019Osservatore Romano, noticiou a morte do Papa Jo\u00e3o Paulo II, poucas horas depois do an\u00fancio na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro: \u00abHoje, s\u00e1bado 2 de Abril, \u00e0s 21:37h, o Senhor chamou a Si o Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II\u00bb. Por debaixo desta frase uma fotografia do Papa que abra\u00e7a a Cruz de Cristo.<\/p>\n<p>Morreu o Papa Jo\u00e3o Paulo II: o Papa sem fronteiras. A humanidade ficou orf\u00e3&#8230; de pai. <\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u00abUniversi Dominici Gregis\u00bb (UDG) de Jo\u00e3o Paulo II, promulgada em 22 de Fevereiro de 1996 \u2013 que cont\u00e9m as normas sobre a vac\u00e2ncia da S\u00e9 Apost\u00f3lica e a elei\u00e7\u00e3o do Romano Pont\u00edfice \u2013 estabelece a forma como foi comunicada a morte do Papa.<\/p>\n<p>Antes do an\u00fancio, foi confirmada oficialmente a sua morte, uma tarefa que corresponde ao Cardeal Camerlengo Eduardo Mart\u00ednez Somalo, o qual foi introduzido nos apartamentos do Papa pelo Perfeito da Casa Pontif\u00edcia, o arcebispo James Michael Hervey. A seguir, do ponto de vista informativo, a Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica estabelece que o Camerlengo comunique a morte ao Cardeal Vig\u00e1rio para a Urbe, o Cardeal Camillo Ruini, o qual deveria dar a not\u00edcia ao povo romano com uma notifica\u00e7\u00e3o especial, e igualmente, ao Cardeal Arcipreste da Bas\u00edlica Vaticana, o Cardeal Francesco Marchisano (cf. UDG n.17). Por sua vez, o Decano do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio, o Cardeal Joseph Ratzinger, assim que foi informado pelo Cardeal Camerlengo ou pelo Perfeito da Casa Pontif\u00edcia da morte do Pont\u00edfice, tem a obriga\u00e7\u00e3o de dar a not\u00edcia a todos os cardeais, convocando-os para as Congrega\u00e7\u00f5es do Col\u00e9gio (cf. UDG n. 19). O texto normativo estabelece, ainda, que o Decano do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio comunique a morte do Pont\u00edfice ao Corpo Diplom\u00e1tico acreditado ante a Santa S\u00e9 e aos chefes de estado das respectivas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es que, de imediato, se levantou foi a quem se confia o governo da Igreja, quando o Papa morre? \u00abUniversi Dominici Gregis\u00bb responde que o governo se confia ao Col\u00e9gio de Cardeais, mas somente para o despacho dos assuntos ordin\u00e1rios ou inadi\u00e1veis. Durante a vac\u00e2ncia da S\u00e9 Apost\u00f3lica, as leis emanadas pelo Romano Pont\u00edfice n\u00e3o podem ser modificadas, nem se pode acrescentar, tirar nada ou dispensar uma parte das mesmas, especialmente no que se refere ao ordenamento da elei\u00e7\u00e3o do Sumo Pont\u00edfice (cf. UDG n. 4).<\/p>\n<p>O Papa Jo\u00e3o Paulo II morreu como viveu: homem de esperan\u00e7a abandonado a Cristo.<\/p>\n<p>O Papa dos jovens, que ainda na noite de sexta-feira, 1 de Abril, provavelmente, tendo em mente os jovens por ele encontrados em todo o mundo ao longo do percurso do seu Pontificado, proferiu algumas palavras, das quais foi poss\u00edvel reconstituir a seguinte frase: \u00abProcurei-vos. Agora viestes at\u00e9 mim. E agrade\u00e7o-vos.\u00bb A Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro estava cheia de jovens, um sil\u00eancio sereno, l\u00e1grimas que ca\u00edam pelos rostos de onde despontavam singelos sorrisos, c\u00e2nticos, ora\u00e7\u00f5es e aplausos. Tantas vezes o Papa falou aos jovens e convocou os jovens, mas nestes dias, os jovens v\u00eam at\u00e9 ao Papa sem serem convocados. E chegam com muita ternura, a de quem perdeu um pai, um av\u00f4&#8230; um guia, sempre \u00e0 frente, a abrir o caminho.<\/p>\n<p>Na noite de 2 de Abril, quando cheguei a Roma, consciente da gravidade do seu estado de sa\u00fade, recebi a not\u00edcia da morte do Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II. De imediato, fui assaltado por um misto de sentimentos indiziv\u00e9is, em que o sil\u00eancio exterior deu lugar a recorda\u00e7\u00f5es pessoais. A primeira, em Agosto de 2000, jubileu dos jovens em Roma, a concelebra\u00e7\u00e3o da eucar\u00edstia com o Papa Jo\u00e3o Paulo II e cerca de 2 milh\u00f5es de jovens. Jo\u00e3o Paulo II batia o ritmo das m\u00fasicas com a m\u00e3o no bra\u00e7o do cadeir\u00e3o e disse, nesse dia, aos jovens: \u00abVejo em v\u00f3s as sentinelas da aurora na manh\u00e3 do terceiro mil\u00e9nio. V\u00f3s n\u00e3o vos prestareis a ser instrumentos de viol\u00eancia e de destrui\u00e7\u00e3o; defendereis a vida em cada momento do seu desenvolvimento terreno, esfor\u00e7ar-vos-eis por tornar esta terra mais habit\u00e1vel para todos.\u00bb Uma outra recorda\u00e7\u00e3o, a de Fevereiro de 2003, audi\u00eancia particular concedida por Sua Santidade o Papa Jo\u00e3o Paulo II, na Sala Clementina do Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico, ao Col\u00e9gio Pontif\u00edcio Portugu\u00eas, por ocasi\u00e3o do seu centen\u00e1rio. Quando me ajoelhei diante do Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II, as nossas m\u00e3os direitas apertaram-se e beijei o anel do Vig\u00e1rio de Cristo na terra. Senti-me envolvido pelo seu olhar penetrante e acolhedor. Olhos nos olhos, vi o homem de Deus e irm\u00e3o dos homens.<\/p>\n<p>O Papa peregrino morreu. O Papa do di\u00e1logo entre culturas e religi\u00f5es. O Papa da paz. O Papa dos oprimidos, dos pobres mais pobres. O Papa da esperan\u00e7a. O Papa de todos, crentes e n\u00e3o-crentes. O Papa sem medo regressou \u00e0 Casa do Pai.<\/p>\n<p>Francisco Martins, em Roma<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00f3nica de Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-16860","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16860","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16860"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16860\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}