{"id":16883,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16883"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"ousar-amar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ousar-amar\/","title":{"rendered":"Ousar amar"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia <!--more--> Amar algu\u00e9m faz-nos sentir automaticamente vulner\u00e1veis; e muitos t\u00eam medo desta vulnerabilidade. Os que se protegem mais do amor tamb\u00e9m sonham amar e ser amados; mas t\u00eam tanto pavor de sofrer, de ser rejeitados, de amar demais ou de n\u00e3o serem retribu\u00eddos que, muitas vezes, preferem ficar sozinhos ou ter liga\u00e7\u00f5es superficiais. N\u00e3o avan\u00e7am nem se entregam e, nesse sentido, n\u00e3o correm riscos.<\/p>\n<p>Acontece que a vida \u00e9 um risco e merece ser vivida sem protec\u00e7\u00f5es excessivas. Ficar s\u00f3 ou viver uma vida partilhada depende tanto das circunst\u00e2ncias como da atitude de cada um. N\u00e3o tem que ser uma fatalidade, portanto.<\/p>\n<p>Aceitar viver o amor implica, tamb\u00e9m, aceitar viver as varia\u00e7\u00f5es desse amor, aceitar que tudo se constr\u00f3i com tempo, paci\u00eancia e cuidado, aceitar querer sempre o melhor para o outro e, no limite, aceitar perder esse amor em que se investiu tanto. Ora, para muitos, a possibilidade da perda \u00e9 inaceit\u00e1vel. Insuport\u00e1vel, mesmo. Da\u00ed viverem blindados numa esp\u00e9cie de bunker emocional impenetr\u00e1vel, onde tudo aquilo que parece amea\u00e7ador n\u00e3o entra. O problema \u00e9 que, para estas pessoas, fica tudo \u00e0 porta: o pior e o melhor. Ou seja, ao n\u00e3o serem capazes de arriscar viver o amor, correm o risco de passar ao lado do essencial da vida.<\/p>\n<p>Vem tudo isto a prop\u00f3sito da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista Psychologies, cujo tema de capa era justamente a coragem de amar. A Psycologies encerrou 2004 com este tema e eu decidi retom\u00e1-lo em 2005, porque vale a pena reflectir sobre os nossos medos mais \u00edntimos e profundos (e, at\u00e9, sobre os mais remotos  e insconscientes) e perceber o que est\u00e1 em quest\u00e3o quando falamos de solid\u00e3o afectiva.<\/p>\n<p>Todos temos desejos contradit\u00f3rios e todos queremos muitas coisas ao mesmo tempo. Amar e ser amado \u00e9 seguramente uma aspira\u00e7\u00e3o universal, mas o reverso desta moeda \u00e9 que todos gostar\u00edamos de permanecer livres, estando ligados.<\/p>\n<p>\u201cTodos sonhamos viver uma hist\u00f3ria de amor \u2018top\u2019 continuando, ao mesmo tempo, a crescer pessoalmente com inteira liberdade. Pretender gerir a vida amorosa como quem gere um plano de carreira profissional condena-nos fatalmente a desconfiar das rela\u00e7\u00f5es, a temer o abandono, a negar a capacidade de entrega e a rejeitar quase todos os movimentos do cora\u00e7\u00e3o que s\u00e3o o sal do amor\u201d escreveu Pascale Senk na revista Psycologies.<\/p>\n<p>Talvez a raiz de tantos desencontros, tanto desamor e tanta solid\u00e3o seja precisamente este sonho de viver um grande romance e ser capaz, ao mesmo tempo, de construir uma vida profissional, pessoal, social e financeira \u201ctop\u201d. Como a vida quase nunca \u00e9 como gostar\u00edamos que fosse e a realidade rara-mente coincide com a fic\u00e7\u00e3o, aca-bamos por nos proteger demasiado. Por tudo isto, cabe-nos perceber que, em mat\u00e9ria de afectos, tudo seria infinitamente mais f\u00e1cil, se deix\u00e1ssemos de viver numa atitude defensiva. Por outras palavras, todos ter\u00edamos a ganhar, se apost\u00e1ssemos em conhecermo-nos melhor e se consegu\u00edssemos acreditar mais em n\u00f3s e nos outros. E \u00e9 justamente porque a confian\u00e7a e a coragem fazem toda a diferen\u00e7a na vida que vale a pena falar em ousar amar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Luz do Dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16883","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16883"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16883\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}