{"id":16885,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16885"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"politica-medieval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/politica-medieval\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica &#8220;medieval&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. No artigo anterior foi assinalado que a pol\u00edtica social de hoje mant\u00e9m algumas caracter\u00edsticas do sec. XIX. Tais caracter\u00edsticas t\u00eam-na impedido de se adaptar aos problemas actuais e de ser efectivamente justa.<\/p>\n<p>Mas, por outro lado, a pol\u00edtica social preserva tamb\u00e9m caracter\u00edsticas da Idade M\u00e9dia. Sobretudo as caracter\u00edsticas que, desde o s\u00e9culo XIX, v\u00eam sendo contestadas pela generalidade das for\u00e7as pol\u00edticas e pelo pensamento dominante. No fundo \u2013 e como se sabe h\u00e1 muito \u2013 as revolu\u00e7\u00f5es precipitadas acabam, n\u00e3o raro, por manter, com nomes diferentes, aquilo que pretendiam alterar. No caso particular da contesta\u00e7\u00e3o da Idade M\u00e9dia, foram mesmo rejeitados aspectos positivos da sua ac\u00e7\u00e3o social \u2013 como, por exemplo, o voluntariado de proximidade \u2013 e mantiveram-se aspectos n\u00e3o positivos, como por exemplo a insufici\u00eancia de direitos e de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Os aspectos n\u00e3o positivos at\u00e9 se compreendem, situados na \u00e9poca medieval. Custa, por\u00e9m, a admitir que ainda se mantenham nos dias de hoje. Os progressos realizados nos s\u00e9culos XIX e XX foram enorm\u00edssimos; pena \u00e9 que subsistam insufici\u00eancias ancestrais.<\/p>\n<p>2. Os direitos sociais continuam muito aqu\u00e9m das expectativas surgidas com a sua proclama\u00e7\u00e3o. Limitando-nos ao caso portugu\u00eas, podemos afirmar que muitas pessoas (em especial as mais dependentes) continuam a ter um quadro de direitos sociais reduzid\u00edssimo ou praticamente nulo. E tamb\u00e9m n\u00e3o se encontrou maneira de garantir, a cada pessoa e fam\u00edlia pobres, condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de subsist\u00eancia, come\u00e7ando pela garantia de n\u00e3o passarem fome. O nosso direito, a pr\u00e1tica social e as for\u00e7as pol\u00edticas e intelectuais nunca enveredaram pela caracteriza\u00e7\u00e3o e pela garantia da subsist\u00eancia humana; pretenderam sempre mais e, desse modo, acabaram por defender quem mais possui, refor\u00e7ando a marginaliza\u00e7\u00e3o de quem, praticamente, n\u00e3o possui nada.<\/p>\n<p>3. Outro falhan\u00e7o chocante da modernidade e da contemporaneidade \u00e9 o que respeita ao desenvolvimento integral ou harm\u00f3nico. Apesar dos not\u00f3rios avan\u00e7os em termos de desenvolvimento econ\u00f3mico e noutras dimens\u00f5es, n\u00e3o se evitaram grav\u00edssimos desequil\u00edbrios e injusti\u00e7as, com reflexos inadmiss\u00edveis no dom\u00ednio social.<\/p>\n<p>At\u00e9 se observa que alguns projectos de desenvolvimento local e de luta contra a pobreza se saldaram, afinal, por uma esp\u00e9cie de neo-assistencialismo, na medida em que s\u00f3 vigoraram enquanto beneficiaram de apoio financeiro externo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16885","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16885"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16885\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}