{"id":16888,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16888"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"capital-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/capital-humano\/","title":{"rendered":"Capital humano"},"content":{"rendered":"<p>1 &#8211; Diga l\u00e1, excel\u00eancia: \u201cO que falta mais a Portugal?\u201d &#8211; disparou a entrevistadora. E a resposta do entrevistado foi mais r\u00e1pida ainda, sem qualquer esp\u00e9cie de hesita\u00e7\u00e3o: \u201cCapital humano!\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 cr\u00edvel que estivesse no seu pensamento o problema do \u201cinverno demogr\u00e1fico\u201d que atravessamos, se bem que n\u00e3o deixe de ser problema. Sem d\u00favida que o problema \u00e9 a qualidade da humanidade &#8211; ou falta dela &#8211; de uma parte substancial da nossa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2 &#8211; De novo me assaltam as preocupa\u00e7\u00f5es de modelos e projectos educativos que, progressivamente, t\u00eam vindo a ser esvaziados de forma\u00e7\u00e3o humanista, em favor de uma super-coloniza\u00e7\u00e3o da tecnologia, do econ\u00f3mico, da ci\u00eancia (?), da competitividade &#8211; robotizada, em fun\u00e7\u00e3o de mercado de trabalho, sem rosto, desumanizada &#8211; mesmo naquelas \u00e1reas que t\u00eam necessariamente de lidar com a pessoa humana como tal. <\/p>\n<p>3 &#8211; De 2 de Novembro a 7 de Dezembro de 2003, D. Jos\u00e9 Policarpo e Eduardo Prado Coelho fizeram, no Di\u00e1rio de Not\u00edcias, um di\u00e1logo epistolar deveras interessante. Dizia D. Jos\u00e9 Policarpo, na carta 2: \u201c\u00c9 nosso papel, dialogando um com o outro, fazer com que os nossos leitores entrem no di\u00e1logo, aceitando essa atitude sadia de reflectir sobre a vida, de escancarar o esp\u00edrito a novas descobertas da verdade, concebida esta como inspiradora de \u2018sentido\u2019. (\u2026)<\/p>\n<p>Esta quest\u00e3o do di\u00e1logo foi dimens\u00e3o importante na forma\u00e7\u00e3o da minha gera\u00e7\u00e3o de jovens cat\u00f3licos, que vivemos apaixonadamente o Vaticano II. Frente ao mundo contempor\u00e2neo, a Igreja redescobria-se, n\u00e3o como poder, mas como \u2018enviada em miss\u00e3o\u2019, portadora de \u2018um sentido\u2019, num desejo de escuta e compreens\u00e3o do homem contempor\u00e2neo, com quem partilhar as alegrias e tristezas, as esperan\u00e7as e as ang\u00fastias de uma hist\u00f3ria comum. (\u2026) E hoje, num momento em que o mundo est\u00e1 \u00e0 beira de um conflito de civiliza\u00e7\u00f5es, o di\u00e1logo inter-cultural e inter-religioso continua a aparecer-me como a \u00fanica sa\u00edda digna do homem.\u201d<\/p>\n<p>4 &#8211; Na percep\u00e7\u00e3o de que a gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o Homem integral, que s\u00f3 na luz de Jesus Cristo se descobre, se aprecia, se ama, Jo\u00e3o Paulo II foi o gigante moral e espiritual, que viveu e anunciou, em todos os tons e a todos os quadrantes, que o Homem \u00e9 a \u00fanica via da Igreja. Viveu e anunciou a aproxima\u00e7\u00e3o cultural e religiosa com todos, como caminho de dignifica\u00e7\u00e3o de toda a pessoa humana. Por isso, a humanidade inteira se curvou perante a estatura da sua santidade prof\u00e9tica.<\/p>\n<p>5 &#8211; Alguns reconhecem que a leg\u00edtima separa\u00e7\u00e3o das Igrejas dos Estados n\u00e3o pode confundir-se com a pretens\u00e3o de separar as Sociedades das Igrejas, do Religioso, da Espiritualidade. E dizem-no sem medo! Mas outros, mesmo curvando-se diante dos desafios prof\u00e9ticos do Papa Woitilla, alimentam uma jacobina hipocrisia de neutralidade. Nesse caso, por muito que cres\u00e7a o capital econ\u00f3mico, cient\u00edfico, tecnol\u00f3gico, seremos sempre deficit\u00e1rios em capital humano, o \u00fanico capaz de plasmar um futuro de sustentada esperan\u00e7a. Qual a raz\u00e3o que nos leva a sermos teimosos em n\u00e3o querer que integre os sistemas e processos educativos a considera\u00e7\u00e3o daquilo que d\u00e1 figura ao humanismo, que faz mergulhar no \u2018sentido\u2019 &#8211; o fen\u00f3meno religioso?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; Diga l\u00e1, excel\u00eancia: \u201cO que falta mais a Portugal?\u201d &#8211; disparou a entrevistadora. E a resposta do entrevistado foi mais r\u00e1pida ainda, sem qualquer esp\u00e9cie de hesita\u00e7\u00e3o: \u201cCapital humano!\u201d. N\u00e3o \u00e9 cr\u00edvel que estivesse no seu pensamento o problema do \u201cinverno demogr\u00e1fico\u201d que atravessamos, se bem que n\u00e3o deixe de ser problema. 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