{"id":16906,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16906"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"vieram-de-toda-a-parte-para-dizer-adeus-ao-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/vieram-de-toda-a-parte-para-dizer-adeus-ao-papa\/","title":{"rendered":"Vieram de toda a parte para dizer adeus ao Papa"},"content":{"rendered":"<p>Cr\u00f3nica de Roma, cora\u00e7\u00e3o do Mundo <!--more--> A minha rela\u00e7\u00e3o com as palavras nunca foi de muita flu\u00eancia. E esta falta de espontaneidade aumenta de tens\u00e3o, quando se trata de narrar os \u00faltimos acontecimentos experienciados na cidade eterna de Roma, no que diz respeito \u00e0 morte do Papa Jo\u00e3o Paulo II e \u00e0 vinda de uma multid\u00e3o que n\u00e3o era de todo esperada. Quem se encontra, aqui, em Roma, faz uma experi\u00eancia de universalidade da f\u00e9 e de culturas da humanidade, que, por nada, \u00e9 f\u00e1cil de transmitir.<\/p>\n<p>Foi forte o sentir de uma multid\u00e3o com os rostos da humanidade dispersa por todo o mundo. Rostos serenos, com l\u00e1grimas que escorriam \u00e0 cad\u00eancia de uma ora\u00e7\u00e3o, de um c\u00e2ntico, de um aplauso. Rostos, sobretudo, jovens. Muitos. Rostos de todas as idades, com leves e suaves sorrisos de quem acredita na vida para al\u00e9m desta realidade terrena, de dor pela aus\u00eancia. Rostos que tinham estampada a certeza de uma vida que terminou o seu curso na terra dos homens e iniciou uma nova peregrina\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 eternidade. Conscientes de estarem diante de uma vida totalmente gasta em favor do Homem de hoje, fiel \u00e0 mensagem do Evangelho de Cristo, sempre actual. Uma vida que se gastou a levar essa mensagem a todos os homens de boa vontade.<\/p>\n<p>N\u00e3o era esperada tamanha multid\u00e3o. Ningu\u00e9m esperava; mas vieram de todas as partes do mundo, para prestar uma \u00faltima homenagem e oferecer uma \u00faltima ora\u00e7\u00e3o ao homem de Deus, que tantas vezes e de tantos modos procurou e esteve junto dos homens deste final e in\u00edcio de novo mil\u00e9nio. Agora, sentiram o imperativo de vir e prestar t\u00e3o sentida homenagem.<\/p>\n<p>Mal se soube da hora de abertura da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro para a visita de crentes e n\u00e3o-crentes, milhares de pessoas sentiram o imperativo de, simplesmente, vir. Esperaram horas e horas, em filas intermin\u00e1veis, s\u00f3 para lan\u00e7arem um fugaz olhar ao esquife do Papa Jo\u00e3o Paulo II e pronunciar uma breve ora\u00e7\u00e3o. De segunda-feira, 4 de Abril, \u00e0s 17 horas, at\u00e9 ao funeral, a Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro s\u00f3 fechou na primeira noite por um per\u00edodo de hora e meia, por raz\u00f5es de ordem pr\u00e1tica, e n\u00e3o fechou mais, at\u00e9 \u00e0s vinte e duas horas antes dos ritos f\u00fanebres.<\/p>\n<p>Tive a oportunidade de fazer o caminho inverso ao dos peregrinos, que lentamente se encaminhavam para a Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro. E vi rostos de homens e mulheres, de jovens e crian\u00e7as, cansados mas sem darem sinais de cansa\u00e7o. E um sil\u00eancio que impressionava e interpelava, s\u00f3 quebrado pelas sirenes das ambul\u00e2ncias. <\/p>\n<p>E mais uma vez, os rostos. Rostos sem nome, numa fila intermin\u00e1vel, com sacos-cama e mochilas, alguma coisa que comer e beber. Empunhavam bandeiras e len\u00e7os de outras batalhas: de encontros mundiais de juventude ou das visitas papais, cartazes com sauda\u00e7\u00f5es, bandeiras nacionais, um colorido alegre e vivo, como que a dizer: \u201cEstou(amos) aqui por e para ti\u201d.<\/p>\n<p>A simplicidade e o sil\u00eancio do f\u00e9retro com o corpo do Papa Jo\u00e3o Paulo II falaram ao cora\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es&#8230; Talvez o seu mais eloquente discurso.<\/p>\n<p>Ontem (7 de Abril), na catedral de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, realizou-se uma vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m faltou \u00e0 chamada. Outra multid\u00e3o e, outra vez, sobretudo de jovens, que extravasou para o grande recinto exterior, onde ecr\u00e3s gigantes transmitiam tudo quanto no interior acontecia. E mais uma vez, um si-l\u00eancio orante, uma paz, um ambiente espont\u00e2neo, que fazia sentir-se cheio e sereno quem ali se encontrava.<\/p>\n<p>J\u00e1 hoje (8 de Abril), dia da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e dos ritos f\u00fanebres em mem\u00f3ria do Papa Jo\u00e3o Paulo II, a multid\u00e3o apresentou-se na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, mas tamb\u00e9m no C\u00edrculo Massimo, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, em Torre Vergata, no est\u00e1dio Ol\u00edmpico de Roma, na Pra\u00e7a do Povo, onde foi poss\u00edvel seguir em directo as celebra\u00e7\u00f5es, pois era materialmente imposs\u00edvel acolher toda a multid\u00e3o na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro.<\/p>\n<p>Impressionante e desafiante a simplicidade e sobriedade do caix\u00e3o do Papa Jo\u00e3o Paulo II, que durante a eucaristia exequial ficou fechado e exposto \u00e0 multid\u00e3o&#8230; e era caix\u00e3o de um Papa. E sobre o caix\u00e3o foi colocado o livro dos evangelhos (Evangeli\u00e1rio) que ao vento se foi desfolhando, de tr\u00e1s para a frente, da frente para tr\u00e1s, e no final, fechou-se, como que a dizer, a vida do Papa Jo\u00e3o Paulo II foi um Evangelho de Cristo vivo e aberto a todos e que, agora, com a sua morte se fecha, deixando o campo preparado e a semente lan\u00e7ada, para brotar e dar bons frutos.<\/p>\n<p>No final das celebra\u00e7\u00f5es, o f\u00e9retro com o corpo do Papa Jo\u00e3o Paulo II regressou \u00e0 Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, para ser sepultado, nas Grutas Vaticanas, na terra, em campa rasa, como era da sua vontade, deixada em testamento espiritual. Mas n\u00e3o sem antes a multid\u00e3o o aclamar e, num longo aplauso, prestar a sua \u00faltima homenagem.  <\/p>\n<p>Roma e a Igreja Cat\u00f3lica viveram, neste \u00faltimos dias, um momento hist\u00f3rico de f\u00e9, marcado pela presen\u00e7a de uma multid\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>De facto, este homem deixou, n\u00e3o a sua marca pessoal, mas a marca de Deus, no cora\u00e7\u00e3o de cada um e de todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00f3nica de Roma, cora\u00e7\u00e3o do Mundo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-16906","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-igreja"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16906","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16906"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16906\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}