{"id":16948,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16948"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"passatempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/passatempo\/","title":{"rendered":"Passatempo"},"content":{"rendered":"<p>De modo lament\u00e1vel ainda n\u00e3o conhecia, mas em raz\u00e3o do aconselhamento pr\u00f3digo, feito por um amigo de leituras alternativas, acabei por ler: \u201cLavoura Arcaica\u201d de Raduan Nassar. Faz parte de uma incultura\u00e7\u00e3o que progride como o caranguejo. Transcrevo um excerto sobre o Tempo, feito de uma autoridade patriarcal em extin\u00e7\u00e3o: \u201c(&#8230;) rico s\u00f3 \u00e9 o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, n\u00e3o contrariando suas disposi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se rebelando contra o seu curso, n\u00e3o irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e n\u00e3o a sua ira; o equil\u00edbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou de espera, que se deve p\u00f4r nas coisas, n\u00e3o corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que n\u00e3o \u00e9; por isso, ningu\u00e9m em nossa casa h\u00e1 de dar nunca o passo mais largo que a perna: dar o passo mais largo que a perna \u00e9 o mesmo que suprimir o tempo necess\u00e1rio \u00e0 nossa iniciativa; e ningu\u00e9m em nossa casa h\u00e1 de colocar nunca o carro \u00e0 frente dos bois: colocar o carro \u00e0 frente dos bois \u00e9 o mesmo que retirar a quantidade de tempo que um empreendimento exige; e ningu\u00e9m ainda em nossa casa h\u00e1 de come\u00e7ar as coisas pelo teto: come\u00e7ar as coisas pelo teto \u00e9 o mesmo que eliminar o tempo que se levaria para erguer os alicerces e as paredes de uma casa; aquele que exorbita no uso do tempo, precipitando-se de modo afoito, cheio de pressa e ansiedade, n\u00e3o ser\u00e1 jamais recompensado, pois s\u00f3 a justa medida do tempo d\u00e1 a justa natureza das coisas, n\u00e3o bebendo do vinho quem esvazia num s\u00f3 gole a ta\u00e7a cheia;(&#8230;)\u201d1. <\/p>\n<p>Hoje sofremos imenso com a acelera\u00e7\u00e3o do tempo. Falta tempo, dizemos com ang\u00fastia e ansiedade. Esta acelera\u00e7\u00e3o deve-se, sobretudo, ao progresso tecnol\u00f3gico, aumentando a efici\u00eancia e a velocidade, com o consequente impacto no estilo de vida hodierno. \u201cO resultado dessa avidez para \u201cganhar\u201d tempo \u00e9 que estamos cada vez mais com a sensa\u00e7\u00e3o de perd\u00ea-lo. Pesquisadores afirmam que uma pessoa hoje sente que ele passa mais r\u00e1pido do que para algu\u00e9m que viveu h\u00e1 cem anos. E d\u00e3o at\u00e9 uma estimativa de quanto: de 1,08 vez, para quem tem 24 anos, a 7,69 vezes, para quem tem 62 anos &#8211; a diferen\u00e7a seria causada pelo per\u00edodo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 vida em alta velocidade\u201d2. A regra do \u201cquanto mais r\u00e1pido, melhor\u201d, a \u201cdoen\u00e7a da pressa\u201d, o \u201cstress do tempo que ainda n\u00e3o vivemos\u201d lan\u00e7a a pergunta: at\u00e9 onde isso vai parar? Viva apressando-se lentamente. N\u00e3o importa a quantidade de tempo gasto, mas o saborear intenso no instante que seja eterno.<\/p>\n<p>O Tempo \u00e9 um \u201cE\u201d. A beleza, a verdade e o bem do \u201cE\u201d. Ler \u201ce\u201d escrever. Conversar \u201ce\u201d partilhar. Rezar \u201ce\u201d silenciar. Amor \u201ce\u201d sexo. Sempre o omnipresente \u201ce\u201d. Melhora tudo com o \u201ce\u201d, que re\u00fane, que junta, que fecunda, que amadurece, que robustece, que endurece, sempre novamente para terminar, \u201ce\u201d floresce. Somos o \u201ce\u201d. Eu quero ser \u201ce\u201d mais alguma coisa de simples \u201ce\u201d natural. Apenas \u201ce\u201d que \u00e9 par, parelha, uni\u00e3o, comunh\u00e3o plena. E se perguntarem \u201ce\u201d TU? Eu sou n\u00f3s que \u00e9 \u201cisto \u2018e\u2019 aquilo\u201d. Eu sou \u201ce\u201d o \u201ce\u201d sou eu, o \u201ce\u201d \u00e9 o meu tempo; \u201ce\u201d isso \u00e9 gra\u00e7a que me basta. Por agora suspendo o \u201cou\u201d, pois o \u201ce\u201d d\u00e1 bem conta do recado existencial que me cuida do ser aqui \u201ce\u201d agora. O \u201cou\u201d \u00e9 separa\u00e7\u00e3o, divis\u00e3o, \u201ce\u201d por descren\u00e7a at\u00e9 a mentira. Se algu\u00e9m observar sobre a senten\u00e7a radical \u201cN\u00e3o podemos servir a Deus e ao dinheiro\u201d (Mt 6,24), cuidado! O Tempo n\u00e3o \u00e9 dinheiro, NUNCA. D\u00ea ao seu \u201cE\u201d o valor do tempo presente-mais-que-perfeito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De modo lament\u00e1vel ainda n\u00e3o conhecia, mas em raz\u00e3o do aconselhamento pr\u00f3digo, feito por um amigo de leituras alternativas, acabei por ler: \u201cLavoura Arcaica\u201d de Raduan Nassar. Faz parte de uma incultura\u00e7\u00e3o que progride como o caranguejo. Transcrevo um excerto sobre o Tempo, feito de uma autoridade patriarcal em extin\u00e7\u00e3o: \u201c(&#8230;) rico s\u00f3 \u00e9 o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-16948","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16948\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}