{"id":16974,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=16974"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"depois-dos-louvores-a-serenidade-necessaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/depois-dos-louvores-a-serenidade-necessaria\/","title":{"rendered":"Depois dos louvores, a serenidade necess\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Enterrado o morto, n\u00e3o falta, logo a seguir, enquanto houver quem ou\u00e7a, algu\u00e9m que aponte defeitos, fa\u00e7a cr\u00edticas, mostre contradi\u00e7\u00f5es, avance profecias. Muitas vezes trata-se de desabafar ressentimentos ou marcar rumo novo para coisas que n\u00e3o foram t\u00e3o consideradas como se desejava. Um papa, quando morre, n\u00e3o foge a este clima e, por isso, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que tal aconte\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a Jo\u00e3o Paulo II.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m esteve na pra\u00e7a p\u00fablica das sete partidas do mundo, como este homem. Os tempos facilitaram a publicidade \u00e0 sua pessoa, n\u00e3o apenas pelo favor das novas tecnologias, dos transportes \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social, mas, sobretudo, pelo que ele disse, escreveu, lutou e mostrou ao vivo, num mundo ansioso de luz, de verdade, de seguran\u00e7a, de paz, de respeito pelos direitos das pessoas, de amor verdadeiro, de reconhecimento, de uma presen\u00e7a que anime e de bem que toque o cora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>N\u00e3o foi a curiosidade que moveu as multid\u00f5es que foram ao seu encontro, nem o turismo que levou a Roma milh\u00f5es de cidad\u00e3os do mundo. H\u00e1 fen\u00f3menos sociais que se explicam mais por mo\u00e7\u00f5es interiores irresist\u00edveis, express\u00f5es n\u00e3o caladas de gratid\u00e3o ou de esperan\u00e7a, dinamismos misteriosos que d\u00e3o est\u00edmulo \u00e0 decis\u00e3o de viver, mesmo que outras for\u00e7as soprem em sentido adverso.<\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica sabe, de h\u00e1 muito, que a sua condi\u00e7\u00e3o no mundo \u00e9 de luta e de sofrimento, para dar testemunho da verdade em que acredita e ser sinal de salva\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo, para cada pessoa e em cada tempo. O seu caminho n\u00e3o se faz cedendo a correntes ef\u00e9meras como o tempo, ainda que estas se transformem em dogmas inatac\u00e1veis, como a modernidade, mal entendida e sem trav\u00f5es. Faz-se: ajudando as pessoas a olhar mais alto e a manter viva e activa a sua dignidade original; dizendo que a liberdade visa sempre o maior bem, seu e dos outros, e por isso tem limites; defendendo institui\u00e7\u00f5es que a sociedade n\u00e3o pode dispensar, como a fam\u00edlia; mostrando aos jovens que uma vida s\u00e9ria necessita de projectos s\u00e9rios; promovendo valores intoc\u00e1veis de sempre, como a vida, a verdade, a liberdade, a justi\u00e7a, a paz; dando a m\u00e3o aos exclu\u00eddos desta sociedade fria e consumista, s\u00f3 com interesses de ter e de gozar; apontando caminhos de responsabilidade, porque a vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 espect\u00e1culo\u2026<\/p>\n<p>H\u00e1 e haver\u00e1 sempre na vida das pessoas e da Igreja aspectos novos a pedir aten\u00e7\u00e3o. As omiss\u00f5es podem ser fruto de demoras admiss\u00edveis, sil\u00eancios explic\u00e1veis,  prioridades programadas. Acontece assim em tudo. Quem s\u00f3 olha o seu canteiro, d\u00e1-lhe a dimens\u00e3o do mundo. Quem s\u00f3 v\u00ea o seu projecto, esquece que h\u00e1 outros igualmente v\u00e1lidos. Quem s\u00f3 considera a sua urg\u00eancia, julga-se o centro da vida da sociedade.<\/p>\n<p>Sem uma f\u00e9 esclarecida e comprometida, a leitura da miss\u00e3o da Igreja e dos seus respons\u00e1veis n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. A vis\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 uma vis\u00e3o de amor, de est\u00edmulo ao bem, de compreens\u00e3o de falhas, de n\u00e3o condenar ou canonizar, conforme os ressentimentos ou as simpatias. A Igreja preocupa-se mais com o dever e menos com o agradar.<\/p>\n<p>O novo papa, tamb\u00e9m ele, quem quer que seja ou de onde quer que venha, ter\u00e1 virtudes, limita\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias pr\u00f3prias. Igual e diferente, mas, por certo, a mesma consci\u00eancia da miss\u00e3o da Igreja e a mesma vontade de fidelidade a Deus e \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p>A crise da Igreja, que muitos apregoam e profetizam, com alguma satisfa\u00e7\u00e3o e  contornos lidos a seu jeito, nunca ser\u00e1, mesmo onde existe, crise de morte. Ser\u00e1 sempre est\u00edmulo \u00e0 renova\u00e7\u00e3o, pelo Esp\u00edrito que a anima e conforta. Est\u00e1 aqui a sua certeza, a sua for\u00e7a e a sua decis\u00e3o de recome\u00e7ar em cada dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enterrado o morto, n\u00e3o falta, logo a seguir, enquanto houver quem ou\u00e7a, algu\u00e9m que aponte defeitos, fa\u00e7a cr\u00edticas, mostre contradi\u00e7\u00f5es, avance profecias. Muitas vezes trata-se de desabafar ressentimentos ou marcar rumo novo para coisas que n\u00e3o foram t\u00e3o consideradas como se desejava. 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