{"id":1698,"date":"2010-05-26T16:22:00","date_gmt":"2010-05-26T16:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1698"},"modified":"2010-05-26T16:22:00","modified_gmt":"2010-05-26T16:22:00","slug":"avanco-ou-retocesso-civilizacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/avanco-ou-retocesso-civilizacional\/","title":{"rendered":"Avan\u00e7o ou retocesso civilizacional?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 minha convic\u00e7\u00e3o, em si e pelas suas consequ\u00eancias, de que as p\u00e1ginas mais negras e negativas da hist\u00f3ria de Portugal, j\u00e1 escritas e que continuam a escrever-se no tempo que corre, se traduzem na legisla\u00e7\u00e3o orientada para o ataque, sen\u00e3o mesmo para a destrui\u00e7\u00e3o programada, da institui\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>O \u00faltimo passo dado neste sentido, j\u00e1 estava previsto e mostrava-se irrevers\u00edvel. A n\u00e3o promulga\u00e7\u00e3o da lei votada no Parlamento e depois nas m\u00e3os do Presidente da Rep\u00fablica, juridicamente nada adiantava. Mas seria isso suficiente? O grito veemente e o veto do Supremo Magistrado da na\u00e7\u00e3o, quaisquer que fossem as consequ\u00eancias, ao afirmar o valor da institui\u00e7\u00e3o familiar, n\u00e3o dava o facto por consumado e acordaria a consci\u00eancia de muitos cidad\u00e3os. A crise moral de um povo leva \u00e0 subvers\u00e3o de todos os valores consistentes e \u00e9 a mais grave das crises. \u00c9 ela que est\u00e1 em causa. Mais grave que a crise econ\u00f3mica, embora esta seja real e a condicionar a vida de muita gente.<\/p>\n<p>O n\u00e3o veto deu azo a que se verbalizassem, em tom de vit\u00f3ria e mais uma vez, as raz\u00f5es de quem proclama que a lei \u00e9 uma \u201cvit\u00f3ria civilizacional\u201d e p\u00f5e Portugal na \u201cvanguarda da igualdade\u201d. O pa\u00eds pode assim tomar consci\u00eancia de quem o governa e quem influencia o legislador maiorit\u00e1rio com arranjos que nada t\u00eam a ver com o pa\u00eds real. <\/p>\n<p>O pluralismo parlamentar n\u00e3o \u00e9 espa\u00e7o vazio que permite leis coloridas de interesse partid\u00e1rio. Nem \u00e9 espa\u00e7o destinado \u00e0 emerg\u00eancia de outros interesses, alheios ao bem comum. A verdadeira liberdade \u00e9 criadora de vida e de solu\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas para situa\u00e7\u00f5es diferentes. N\u00e3o \u00e9 promotora de caos onde deve haver vida. Pa\u00edses atentos e com hist\u00f3ria encontraram solu\u00e7\u00f5es, sem agredir a fam\u00edlia. Aqui se viu a cultura de muitos deputados.  <\/p>\n<p>\u00c0 revelia de tudo o que se pode legitimamente classificar de humaniza\u00e7\u00e3o e de bem comum, as minorias classificadas e as esquerdas partid\u00e1rias, divididas e atacando-se mutuamente dentro e fora do Parlamento, est\u00e3o sempre unidas e dispon\u00edveis para a defesa dos interesses ideol\u00f3gicos e das situa\u00e7\u00f5es que as afectam. O pa\u00eds, atrav\u00e9s de gente previamente escolhida para o efeito e com assento parlamentar garantido, passou a andar a reboque em situa\u00e7\u00f5es e assuntos muitos s\u00e9rios, que s\u00e3o do interesse de todos ou, pelo menos, de uma verdadeira maioria dos portugueses. Esses que n\u00e3o abdicam do bom senso, do reconhecimento das ra\u00edzes hist\u00f3ricas, do seu patrim\u00f3nio cultural, do sustent\u00e1culo da sua vida e garantia do seu futuro. Gente animada pela voz do sangue, quando a sanha destruidora da fam\u00edlia n\u00e3o a conseguiu ainda calar, \u00e9 gente que nunca se calar\u00e1, nem deixar\u00e1 de se indignar, at\u00e9 poder dizer: \u201cBasta!\u201d Somos um pa\u00eds de ra\u00edzes e sentimentos crist\u00e3os, n\u00e3o de ontem, mas de h\u00e1 s\u00e9culos. N\u00e3o somos ap\u00e1tridas. Somos cidad\u00e3os portugueses. Se outros l\u00eaem a hist\u00f3ria de outro, nem por isso s\u00e3o donos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 ante este conluio, j\u00e1 indisfar\u00e7ado, que surgem as afirma\u00e7\u00f5es antag\u00f3nicas, que n\u00e3o s\u00e3o simples opini\u00f5es divergentes, sempre leg\u00edtimas num espa\u00e7o democr\u00e1tico, mas denunciam um mundo diferente de valores e de apre\u00e7o pela institui\u00e7\u00e3o familiar. Opini\u00f5es, por isso mesmo, inconcili\u00e1veis. A democracia n\u00e3o cria valores. Respeita-os.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 patrim\u00f3nio cultural e hist\u00f3rico do pa\u00eds. Neste sentido se pode considerar um padr\u00e3o civilizacional de muitas gera\u00e7\u00f5es. A Igreja n\u00e3o est\u00e1 nesta batalha por raz\u00f5es religiosas. Est\u00e1 por raz\u00f5es humanit\u00e1rias, pela defesa dos valores e das pessoas.  <\/p>\n<p>Assistimos, de h\u00e1 tempos, a leis loucas sobre a facilita\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio; \u00e0 desconsidera\u00e7\u00e3o pelo valor da vida e \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do direito de abortar ou seja de matar inocentes; \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do papel dos pais, em aspectos fundamentais da op\u00e7\u00e3o educativa; \u00e0 promulga\u00e7\u00e3o de leis fiscais que oneram quem persiste em viver uma vida de fam\u00edlia a s\u00e9rio; \u00e0 s\u00f3rdida polui\u00e7\u00e3o pornogr\u00e1fica que enche impunemente, p\u00e1ginas de jornais \u201crespeit\u00e1veis\u201d; \u00e0 minimiza\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os conjugais e parentais com medidas avulsas; por fim e por agora, j\u00e1 com outras loucuras \u00e0 espreita, \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o p\u00fablica e legal de que \u201cfam\u00edlia\u201d \u00e9 o que cada um quiser.<\/p>\n<p>Quem acompanha o evoluir actual da vida nacional v\u00ea que o caminho de alguns \u00e9 para o apagamento da hist\u00f3ria e da dignidade de um povo que soube humanizar e se est\u00e1 agora desumanizando. A crise econ\u00f3mica desviou o olhar de muita gente da liberdade de pensar, opinar e respeitar, para o fixar no peso di\u00e1rio de quase s\u00f3 sobreviver.<\/p>\n<p>Avan\u00e7o civilizacional? N\u00e3o se v\u00ea. Retrocesso? Esse, sim, a\u00ed est\u00e1 e s\u00f3 os cidad\u00e3os distra\u00eddos lhe passam ao lado. Continua a dizer-se que \u201co povo \u00e9 quem mais ordena\u201d. Que povo? A ditadura amorda\u00e7ou-o. Os democratas de circo apagam-no. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 minha convic\u00e7\u00e3o, em si e pelas suas consequ\u00eancias, de que as p\u00e1ginas mais negras e negativas da hist\u00f3ria de Portugal, j\u00e1 escritas e que continuam a escrever-se no tempo que corre, se traduzem na legisla\u00e7\u00e3o orientada para o ataque, sen\u00e3o mesmo para a destrui\u00e7\u00e3o programada, da institui\u00e7\u00e3o familiar. 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