{"id":17010,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17010"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"crise-ou-o-caminho-aberto-para-a-igreja-de-comunhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/crise-ou-o-caminho-aberto-para-a-igreja-de-comunhao\/","title":{"rendered":"Crise ou o caminho aberto para a Igreja de comunh\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Semana das voca\u00e7\u00f5es <!--more--> De quando em quando, ouvimos por a\u00ed falar de uma tal \u2018crise de voca\u00e7\u00f5es\u2019. O tema vem \u00e0 baila principalmente nesta semana que me \u00e9 muito querida, pelo facto de se dar maior aten\u00e7\u00e3o ao Semin\u00e1rio \u2013 a semana de ora\u00e7\u00e3o pelas voca\u00e7\u00f5es; todas elas, n\u00e3o s\u00f3 algumas. Fala-se ent\u00e3o da Crise de Voca\u00e7\u00f5es. Mas qual crise&#8230;? Costuma-se dizer que Deus nunca nos d\u00e1 coisa nenhuma, sem nos dar a capacidade de no-la sustentar.<\/p>\n<p>No \u00faltimo Ver\u00e3o, a Igreja de Aveiro permitiu-me ir em miss\u00e3o durante algum tempo. Nessa experi\u00eancia tive muitas oportunidades de ver, de intervir, de espalhar um Homem que ressuscitou e de aprender que com a simplicidade se recebe muito mais do que com a complica\u00e7\u00e3o. De facto foi muito mais o que trouxe dentro de mim, do que o que l\u00e1 deixei.<\/p>\n<p>Estando em Lwena, o esfor\u00e7o de reconstru\u00e7\u00e3o depois da guerra est\u00e1 sempre presente, e a Igreja toma-lhe a dianteira. Assim, depois de aprender os caminhos, deslocava-me sozinho da miss\u00e3o, levando trabalhadores para as aldeias, isoladas at\u00e9 ent\u00e3o por causa das minas. Fic\u00e1vamos nessas aldeias perdidas do interior de \u00c1frica durante alguns dias, os necess\u00e1rios para soldar, pintar ou mesmo assentar pedra. Durante esse tempo, integr\u00e1vamo-nos na aldeia. Uma das que nos acolheu no trabalho de erguer uma escola chamava-se \u2018Ermanalu\u2019. Ficava distante, muito distante. A visita do padre era rara, a dist\u00e2ncia incr\u00edvel e o n\u00famero de aldeias muito grande para t\u00e3o poucos sacerdotes. Nessa aldeia, a igreja era um telheiro que abrigava a todos por igual. Na vida dura que se levava, havia todos os dias um momento de c\u00e9u debaixo do colmo protector da capela, onde Cristo se tornava presente sempre em acolhimento e fraternidade. Na aldeia havia um catequista, havia um pap\u00e1 Soba, havia mulheres, crian\u00e7as, homens, uns mais novos, outros mais velhos. Uns tinham mais que os outros, mas tudo era partilhado. Ningu\u00e9m passava fome e n\u00e3o havia \u00f3rf\u00e3os. Havia sempre algu\u00e9m que tomava conta de algu\u00e9m. Guardavam-se em Amor uns aos outros e o Cristo ia para a vida do dia-a-dia.<\/p>\n<p>Todos os dias se encontravam no tal abrigo com uma cruz de dois ramos quaisquer e ali faziam festa. Faziam ora\u00e7\u00e3o, liam a B\u00edblia em chokw\u00e9, os pequenitos tinham catequese, a areia servia de quadro para escrever! Partilhavam ali os problemas humanos e eclesiais, comprometiam-se em comunh\u00e3o. Dali de dentro, levavam a for\u00e7a para o mundo, para actuar e transformar aquele espa\u00e7o em que viviam. Viviam mesmo fundados em Cristo, partilhan-do a pobreza, lutando contra ela, pen-sando a justi\u00e7a em comunh\u00e3o, em Amor. Tudo em admira\u00e7\u00e3o profunda d\u2019Aquele que viveu l\u00e1 longe, no tempo dos seus antepassados, mas que continua vivo, porque venceu aquele temor da morte que antes d\u2019Ele havia!<\/p>\n<p>Quando vinha o padre, ele era especial, porque era um deles, era igual, integrado, sem ilus\u00f5es. Partilhava da vida comum quando estava. Se havia uma galinha, era para todos; se s\u00f3 havia mandioca, era para todos. O padre era um deles, em comunh\u00e3o e alegria, em simplicidade. Fazia os sacramentos, a missa, a reconcilia\u00e7\u00e3o, a festa que, no meio daquele nada aos olhos europeus, era, na realidade, muito! Muito grande e muito pr\u00f3xima daquilo que Jesus partilhou connosco.<\/p>\n<p>Acabando a reflex\u00e3o, pergunto eu\u2026 Com uma Igreja assim, projectando aquela comunidade para c\u00e1, onde est\u00e1 a crise de voca\u00e7\u00f5es? Com uma Igreja como aquela a que o Vaticano II abriu portas, remato parafraseando um padre da nossa diocese, que muito estimo, na resposta dada por ele a algu\u00e9m que o provocava acerca da tal \u2018crise das voca\u00e7\u00f5es\u2019: \u201c\u00d3 meu amigo, com uma Igreja para onde caminha a nossa, ainda vamos ter \u00e9 padres a mais!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semana das voca\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-17010","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jovens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17010","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17010"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17010\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}