{"id":17033,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17033"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"o-ser-humano-terminado-o-rio-da-vida-o-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-ser-humano-terminado-o-rio-da-vida-o-depois\/","title":{"rendered":"O ser humano terminado + o rio da vida = o DEPOIS?"},"content":{"rendered":"<p>Interessa-nos a N\u00d3S, cada vez menos, por \u201cpressa\u201d existencial: o DEPOIS?&#8230; Ap\u00f3s tudo o que vivemos, fica sempre a quest\u00e3o fundamental: eu existo, mas existo para a Morte, a cada instante e no momento derradeiro. Este \u00e9 o \u00fanico problema importante. Fora dele, tudo o mais \u00e9 apenas acidente e distrac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Importante por isso, aqui, onde n\u00e3o h\u00e1 o \u201crelativo\u201d, mas a \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d; \u00e9 o partic\u00edpio \u201cterminado\u201d. \u201cTerminado\u201d, que pode significar, de um lado, o que j\u00e1 terminou de existir, ou finalizado; e, de outro, o completo, o que chegou \u00e0 sua plenitude. Assim \u00e9 a morte que eu quero para mim em Jesus Cristo. N\u00e3o tenho \u201cdestino\u201d, mas \u201cdestina\u00e7\u00e3o\u201d. A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o meu futuro. S\u00f3 levando a s\u00e9rio o duplo caracter \u201cterminal\u201d da Morte, reservamos uma disposi\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo honesto para com todo o ser humano.<\/p>\n<p>Mas a\u00ed vem a segunda parte do problema: o rio da vida. Nesta contextualiza\u00e7\u00e3o, a morte n\u00e3o \u00e9 apenas o fim, o nada, sendo o mais radical fim e nada da hist\u00f3ria de uma vida. Eu e a minha circunst\u00e2ncia; mais aquilo que fa\u00e7o com ela. Por isso, n\u00e3o \u00e9 aned\u00f3tica: a hip\u00f3tese Inferno, como o \u201cAbsoluto Menos\u201d, por mim escolhido no antes do meu tempo terminar. O rio da vida leva-nos para o mar; sempre, por\u00e9m, podemos nadar um pouco mais para uma margem ou para outra&#8230; ou para o centro, ou at\u00e9 boiar, se assim preferirmos; podemos aproximar-nos mais de uns do que de outros, na correnteza que nos leva a todos. O infantil \u00e9 saud\u00e1vel, o infantilismo \u00e9 uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>No decorrer da reflex\u00e3o, transcrevo uma interpela\u00e7\u00e3o feita a Andr\u00e9 Torres Queiruga, te\u00f3logo espanhol, e sua not\u00e1vel resposta s\u00edntese. &#8211; Seu livro sobre o inferno questionou muita gente, por parecer que o senhor aceita a hip\u00f3tese de n\u00e3o existir inferno&#8230; \u201cA minha resposta \u00e9 uma resposta graduada: 1) Deus n\u00e3o castiga: isso me parece evidente; 2) Seja o que for, a condena\u00e7\u00e3o \u00e9 negatividade humana que a Deus lhe d\u00e1 pena, porque nos prejudica a n\u00f3s e n\u00e3o a Ele; 3) Deus quer absolutamente salvar-nos na medida em que lhe permitirmos; 4) Penso que n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m absolutamente mal (\u201cdemon\u00edaco!\u201d, diria Kant), e que, por conseguinte, ningu\u00e9m se nega totalmente a ser salvo; 5) Hip\u00f3teses: Deus salvar\u00e1 em cada pessoa tudo o que ela lhe permitir; o outro ser\u00e3o possibilidades eternamente perdidas (o que \u00e9 horr\u00edvel: \u201cinfernal!\u201d). Dito de maneira mais imaginativa: as ovelhas e cabritos da par\u00e1bola do ju\u00edzo n\u00e3o s\u00e3o duas classes de pessoas, sen\u00e3o duas dimens\u00f5es fundamentais em cada pessoa\u201d.<\/p>\n<p>Somos respons\u00e1veis por nossa pr\u00f3pria felicidade, pois a felicidade n\u00e3o depende de causas cegas e independentes de n\u00f3s mesmos. N\u00f3s preparamos, cultivamos e elegemos nossos pr\u00f3prios estados de felicidade ou de desencanto. O jesu\u00edta uruguaio, Juan Luis Segundo (m.1996), escreveu: \u201cO \u2018Inferno\u2019 \u00e9 &#8211; nada mais, nada menos &#8211; a dor com que atingimos os outros, ou a que, podendo-a evitar, n\u00e3o o fazemos por temor, pregui\u00e7a ou costume; numa palavra: por ego\u00edsmo\u201d. Cabe, talvez, duas notas de roda p\u00e9, para encerrar a reflex\u00e3o (?). Primeira, o que importa n\u00e3o s\u00e3o os resultados! Segunda, a coer\u00eancia a ser procurada n\u00e3o \u00e9 a dos factos, mas a dos seus significados.<\/p>\n<p>Com estes incisos somos como que atingidos, no bom sentido, por duas verdades de F\u00e9: S\u00f3 o Amor ensina a ver e \u00e9 inventivo; a Gra\u00e7a \u00e9 livre e libertadora. A\u00ed o mundo, e n\u00f3s dentro, podemos n\u00e3o mudar, mas os nossos olhos j\u00e1 mudaram o Sentido da Morte e da Vida por sinergia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interessa-nos a N\u00d3S, cada vez menos, por \u201cpressa\u201d existencial: o DEPOIS?&#8230; Ap\u00f3s tudo o que vivemos, fica sempre a quest\u00e3o fundamental: eu existo, mas existo para a Morte, a cada instante e no momento derradeiro. Este \u00e9 o \u00fanico problema importante. Fora dele, tudo o mais \u00e9 apenas acidente e distrac\u00e7\u00e3o. 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