{"id":17035,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17035"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"subjectivacao-economia-livre-e-socializacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/subjectivacao-economia-livre-e-socializacao\/","title":{"rendered":"Subjectiva\u00e7\u00e3o, economia livre  e socializa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> 1. Na doutrina social de Jo\u00e3o Paulo II, sobressaem porventura tr\u00eas temas: a subjectiva\u00e7\u00e3o, a economia livre e a socializa\u00e7\u00e3o. Na base dessa doutrina, est\u00e1 certamente a concep\u00e7\u00e3o radical de solidariedade, entendida como resposta \u00e0 \u201cinterdepend\u00eancia\u201d em que todas as pessoas, grupos e pa\u00edses se encontram (cfr. \u201cSolicitudo Rei Socialis\u201d, n\u00ba. 38).<\/p>\n<p>2. A subjectiva\u00e7\u00e3o equivale, em larga medida, \u00e0 personaliza\u00e7\u00e3o. Mas Jo\u00e3o Paulo II utiliza frequentemente aquele termo para acentuar que a pessoa humana \u00e9 um verdadeiro sujeito agente e destinat\u00e1rio de iniciativas e ac\u00e7\u00f5es diversas, na vida social e econ\u00f3mica. Subjacente a esta concep\u00e7\u00e3o est\u00e1 o princ\u00edpio, consagrado no Vaticano II, segundo o qual a pessoa humana \u201c\u00e9 e deve ser o princ\u00edpio, o sujeito e o fim de to-das as institui\u00e7\u00f5es sociais\u201d (\u201cGaudium et Spes, n\u00ba. 25).<\/p>\n<p>A subjectiva\u00e7\u00e3o \u00e9 levada, por Jo\u00e3o Paulo II, at\u00e9 ao ponto de afirmar que \u00abo fundamento para determinar o valor do trabalho humano n\u00e3o \u00e9, em primeiro lugar, o g\u00e9nero de tra-balho realizado, mas o facto de aquele que o executa ser uma pessoa. A origem da dignidade do trabalho h\u00e1-de ser procurada n\u00e3o tanto na sua dimens\u00e3o objectiva, quanto na sua dimens\u00e3o subjectiva\u00bb (\u201cLaborem Exercens\u201d n\u00ba. 6).<\/p>\n<p>3. A ideia de \u201ceconomia livre\u201d est\u00e1 defendida, particularmente, no n\u00ba. 42 da enc\u00edclica \u201cCentesimus Annus\u201d. A\u00ed se entende por \u201ceconomia livre\u201d \u00abum sistema econ\u00f3mico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produ\u00e7\u00e3o, da livre criatividade no sector da economia (&#8230;)\u00bb. Para que assim aconte\u00e7a, \u00ab a liberdade no sector da economia\u00bb deve estar \u00abenquadrada num s\u00f3lido contexto jur\u00eddico que a coloque ao servi\u00e7o da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimens\u00e3o desta liberdade (&#8230;)\u00bb.<\/p>\n<p>O \u00abs\u00f3lido contexto jur\u00eddico\u00bb, atr\u00e1s referido, n\u00e3o envolve s\u00f3 o Estado, mas tamb\u00e9m os \u201cdiversos aglomerados interm\u00e9dios, desde a fam\u00edlia at\u00e9 aos grupos econ\u00f3micos, sociais, pol\u00edticos e culturais (&#8230;)\u00bb (\u201cCentesimus Annus\u201d n\u00ba. 13). Deste modo, pode falar-se de uma verdadeira \u00absubjectividade da sociedade (&#8230;)\u00bb (ibidem), que contrasta com o \u201csocialismo real\u201d (n\u00e3o democr\u00e1tico) e serve de base \u00e0 \u201csocializa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>4. A defesa da socializa\u00e7\u00e3o remonta, pelo menos, a Jo\u00e3o XXIII e ao Vaticano II. Por sua vez, Jo\u00e3o Paulo II assume-a integralmente, enquanto processo de rela\u00e7\u00f5es interpessoais, e mais alargadas, visando o bem comum e o bem-estar de cada pessoa. O Estado tem naturalmente um papel espec\u00edfico a  desempenhar; no entanto, n\u00e3o pode atrofiar mas sim servir as pessoas e as suas organiza\u00e7\u00f5es (cfr. \u201cLaborem Exercens\u201d, n\u00bas. 14, 17 e 18).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-17035","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17035"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17035\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}