{"id":17039,"date":"2006-04-03T14:44:00","date_gmt":"2006-04-03T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=17039"},"modified":"2006-04-03T14:44:00","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:00","slug":"custos-do-contexto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/custos-do-contexto\/","title":{"rendered":"Custos do contexto"},"content":{"rendered":"<p>1 &#8211; Parece-nos de todo acertado o diagn\u00f3stico que fez Miguel Cadilhe: a dificuldade de capta\u00e7\u00e3o de investimentos prende-se com os custos de contexto. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a burocracia que paralisa a iniciativa. \u00c9 tamb\u00e9m o baixo \u00edndice educativo, que arrasta consigo a deficiente forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 a falta de aplica\u00e7\u00e3o no trabalho\u2026 E a produtividade, nessas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o \u00e9 compensadora nem competitiva. <\/p>\n<p>2 &#8211; O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o desdobra-se em iniciativas que salvem da banca rota a credibilidade dos portugueses em mat\u00e9ria de compet\u00eancia matem\u00e1tica. A ocupa\u00e7\u00e3o de \u201cfuros\u201d dos alunos, a forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos professores, a utiliza\u00e7\u00e3o de processos modernos e tecnologias avan\u00e7adas\u2026 Pois \u00e9! Tudo muito interessante, se uns e outros assumirem que aprender e ensinar: implica fazer com gosto, mas tamb\u00e9m com sacrif\u00edcio; reclama pedagogia l\u00fadica, e outrossim trabalho intensivo; exige partilha de grupo, como estrat\u00e9gia de aplica\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n<p>3 &#8211; O problema da Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 resolvido. A menos que seja encarado de frente, tudo resultar\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o a come\u00e7ar pelo telhado, sem consist\u00eancia nem efic\u00e1cia. \u00c9 indispens\u00e1vel que \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o presida um quadro de valores o qual reconhe\u00e7a a dignidade inalien\u00e1vel e irrepet\u00edvel da pessoa humana, que explique a sociedade n\u00e3o como um somat\u00f3rio de indiv\u00edduos, mas como uma complexa teia de interdepend\u00eancias construtivas, que contemple e promova a diversidade de aspectos da edifica\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, que acolha as diversas iniciativas e for\u00e7as da sociedade &#8211; culturais, l\u00fadicas, espirituais, art\u00edsticas, econ\u00f3micas\u2026<\/p>\n<p>4 &#8211; Permanece e consolida-se um monolitismo estatal, de tend\u00eancia ideol\u00f3gica subrept\u00edcia, a coberto da neutralidade, que n\u00e3o prop\u00f5e uma autoridade do educador feita de coer\u00eancia com valores b\u00e1sicos humanistas, que navega na onda do hedonismo, esquecendo o trabalho e o dever, que acolhe a omiss\u00e3o das fam\u00edlias, que facilita o relativismo, desestruturando as personalidades, que idolatra a \u201ccompet\u00eancia\u201d para o mercado de trabalho, em vez da cidadania respons\u00e1vel\u2026 <\/p>\n<p>5 &#8211; N\u00e3o h\u00e1 Reforma da Educa\u00e7\u00e3o nem do Sistema Educativo que produza frutos, seja qual for o investimento (em Portugal investe-se muito em educa\u00e7\u00e3o &#8211; Portugal tem das melhores propor\u00e7\u00f5es professor\/n\u00famero de alunos, e os professores s\u00e3o dos mais bem pagos da Europa -, mas os resultados est\u00e3o \u00e0 vista), se ela n\u00e3o tocar o \u00edntimo das pessoas, a come\u00e7ar pelos docentes, que t\u00eam de passar de funcion\u00e1rios a educadores comprometidos, continuando pelas fam\u00edlias &#8211; seja qual for a sua situa\u00e7\u00e3o, elas s\u00e3o o espa\u00e7o natural de uma rela\u00e7\u00e3o educativa privilegiada -, at\u00e9 aos educandos, que t\u00eam de assumir o seu tempo educativo por excel\u00eancia como um tempo de \u201ctrabalho espec\u00edfico\u201d. <\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 tempo de se retomar um debate, generalizado e em for\u00e7a, sobre a Educa\u00e7\u00e3o, a diversidade de responsabilidades educativas, as sinergias requeridas\u2026, para sairmos deste p\u00e9ssimo estado de Educa\u00e7\u00e3o em que nos encontramos, j\u00e1 que esta \u00e9 a \u00fanica janela de um futuro cred\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 &#8211; Parece-nos de todo acertado o diagn\u00f3stico que fez Miguel Cadilhe: a dificuldade de capta\u00e7\u00e3o de investimentos prende-se com os custos de contexto. 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